sábado, 20 de fevereiro de 2016

Passado e presente, a relatividade do conhecimento histórico

Há tempos eu falava, escrevia, que o sentido de estudar e conhecer a História não era, pura e simplesmente, ir ao passado pelo passado, visitá-lo como algo inerte, morto.

A justificativa para o trabalho, quase detetivesco, do profissional da História, recai sobre o tempo presente, ou seja, são as necessidades e questionamentos do hoje que tornam necessário a ida ao passado, ressuscitando-o de um sono profundo, não da morte definitiva. O passado e o presente são parte de uma totalidade viva, confundida com a própria existência.

O passado vive, em conluio com o tempo presente, não como um saudosismo ingênuo, mas como um referencial constante, uma medida.

Costumo em sala de aula, no trato com o tema da "Teoria da História", comum quando se quer definir a nossa disciplina, mesmo na educação básica com crianças e jovens, dizer que para nós historiadores infelizmente não se construiu uma máquina do tempo, para que pudéssemos, in loco, tirar análises e conclusões mais fidedignas com a realidade da época e da vida. Temos então que tirar o "pó da sala" e caçar migalhas no chão, através do uso de uma infinidade de fontes históricas que nada mais são que um mosaico do real, ou como um gigantesco quebra-cabeças que talvez nunca se complete. E assim, o fazer história é um eterno projeto, é um fazer-se constante.

Isso é que o dá sabor às humanidades, e fica até mesmo difícil pensar em consagrar teses, falar em verdades, dar veredicto. O terreno das ciências humanas é acidentado, e você pode ficar decepcionado porque o caminho parece não ter fim, mas a graça deste fazer-se é justamente o andar, o caminhar, não o destino.

Aquele que procura pela verdade vai se decepcionar, pelo menos se depositar todas suas fichas nas humanidades. Estou sendo relativista? Como não o ser...