domingo, 3 de setembro de 2017

O professor está nu!

Ainda não "apreciei" por completo a resolução imposta pelo CEE-SP quanto aos procedimentos de avaliação dos nossos educandos, agora amparados legalmente para questionar toda e qualquer avaliação realizada pelo trabalho docente.

É mais do mesmo: burocratizar o trabalho nas escolas, dos educadores, tornando o "avaliar" um ato tão complexo, agora sob livre apreciação dos alunos, que o efeito natural disso tudo não será outra coisa senão a contra-avaliação, ou simplesmente o não-avaliar (ato de resistência imediato e simplista). Quem se dará o risco de ter que encarar um processo burocrático, envolvendo até as diretorias de ensino do estado, por um exercício avaliativo, uma prova, uma lição de casa, etc?

Lembrando que as condições de trabalho docente são as piores possíveis, a remuneração está defasada (no estado de São Paulo já vamos para 4 anos sem reajuste salarial algum), afora a violência escolar que tem sido uma sombra terrível dentro do ambiente de trabalho, a progressão continuada que na prática escolar tem sido aprovação automática; agora, a desconfiança recai, abertamente, sobre a avaliação do professor, que está sendo desnudado pelos membros do conselho estadual de educação de São Paulo. 

O princípio disso tudo é duplamente cruel: retira a autoridade pedagógica do educador, sob uma falsa aura democrática, e força uma situação que dificilmente qualquer educador segurará uma possibilidade de retenção escolar. Menos trabalhoso "liberar geral"....e servir de bucha para uma engrenagem (sistema educacional dos estados brasileiros, uma das coisas mais contraproducentes do mundo) que coloca no mercado de trabalho uma massa de jovens totalmente despreparados para a construção de um futuro digno, condenando os filhos(as) das periferias à marginalidade ou ao subemprego. 

Os professores tem que despertar para a luta política que terá que ser enfrentada, caso contrário seremos esmagados por setores privilegiados, de base liberal, que não querem assumir a educação como política pública, destruindo-a até ao ponto de  atingirem o sonho de privatizar ou terceirizar o ensino dos jovens deste país.

O CEE-SP é inimigo da escola pública, e é inimigo dos professores sobretudo. 

sábado, 10 de setembro de 2016

Curso de Sociologia, Aula 7: Sociedade e Estratificação Social

terça-feira, 26 de julho de 2016

CURSO DE SOCIOLOGIA, Aula 6: As Instituições Sociais

domingo, 10 de julho de 2016

É possível uma escola (ensino) sem partido?

A partir da participação do colega historiador Leandro Karnal no último "Roda Viva", exibido em 04/07/2016, foi elencado um debate sobre a possibilidade ou impossibilidade de uma "Escola sem Partido", projeto que eu particularmente desconheço. Karnal posicionou-se extremamente contrário ao projeto, desafiando todos nós a apresentarmos uma aula, especialmente uma aula de História (que no particular é o meu ganha-pão) onde não estivesse presente algum componente político.

O filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., conhecido youtuber, rechaçou a argumentação de Karnal rememorando os exemplos culturalistas, especialmente os franceses da revista Annales, e até mesmo quando do trato com a história da ciência, etc.

Esta é uma questão polêmica. Toda aula de história tem algum componente político?

Corremos um sério risco, reduzindo a ciência histórica como parte de um fenômeno, seja político, cultural, narrativo.

Entendo que para desnudarmos adequadamente a questão devemos lembrar, sempre, onde afinal acontecem as aulas de História. Claro, no ambiente escolar. E sob duas características preponderantes: na modalidade da educação básica, e em escolas da rede pública de ensino.

E aqui está, no meu entendimento, a chave do "castelo" para responder se é possível ou não uma "escola sem partido" - ensinamos, eu, praticamente todos os professores brasileiros (mesmo que em algum momento da carreira docente) numa escola pública, que dados indicam reunir mais de 80% dos estudantes do país.

A escola pública é, essencialmente, parte componente do Estado, enquanto instituição, seja em níveis municipal, estadual ou federal. E se é parte do Estado, se mantém vínculos estruturais e institucionais com aquilo que politicamente definimos como Estado, logo, ela é parte do "poder".

E por esta qualidade, intrínseca ao Estado, a escola pode até pretender ser "sem partido", mas ela concretamente não o será, porque a educação não ocorre fora de uma estrutura social, ampla, e enraizada no poder, nas instituições.

A discussão vem à luz, nos dias que vivemos no Brasil, em face a uma espécie de luta contra a esquerda, que estaria se utilizando da cultura, e aqui inserida a escola, para doutrinar gerações de modo a perpetuar grupos no poder (vide os anos Lula-Dilma). E assim, se justificaria uma vigilância ou reorientação ideológica nas escolas, de maneira a torná-la sem partido. Mas, como isso é possível se a escola é ligada ao MEC, às secretarias de municípios e estados, recebe investimentos internacionais como do Bird, é organizada segundo interesses e visões de partidos e grupos de intelectuais ligados a partidos, que sustentam programas de governos de prefeitos, governadores, etc.

Caso a educação fosse um componente pessoal, do núcleo familiar preparando os seus jovens, talvez poderíamos pensar numa escola apolítica. Porém, a escola é serviço social, organizada numa rede, num sistema, que foram estruturados muito mais por burocratas do que por educadores. E aqui, como descartar a existência do componente político, mesmo se em sala de aula você está ensinando os hábitos culturais dos povos ameríndios pré-colombianos? Quem definiu que você deve ensinar isso? E quando? E por quanto tempo? E que informações passar? Como avaliar se os alunos aprenderam? Quais os sentidos de se aprender isso, para a realidade vivida pelos seus alunos?

Mesmo com toda a abordagem culturalista, marcante na historiografia das últimas décadas, o ensino é uma prática, sine qua non, política.


terça-feira, 31 de maio de 2016

CURSO DE SOCIOLOGIA, Aula 5: Status e Papéis Sociais

sexta-feira, 6 de maio de 2016

REVOLUÇÃO FRANCESA/Robespierre e o Terror - Filme Animado

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Conjuntura política do Brasil

Curso de Sociologia, Aula 4: Processos sociais e interações

sábado, 27 de fevereiro de 2016

CURSO DE SOCIOLOGIA: Aula 3 - O homem é um ser social

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Passado e presente, a relatividade do conhecimento histórico

Há tempos eu falava, escrevia, que o sentido de estudar e conhecer a História não era, pura e simplesmente, ir ao passado pelo passado, visitá-lo como algo inerte, morto.

A justificativa para o trabalho, quase detetivesco, do profissional da História, recai sobre o tempo presente, ou seja, são as necessidades e questionamentos do hoje que tornam necessário a ida ao passado, ressuscitando-o de um sono profundo, não da morte definitiva. O passado e o presente são parte de uma totalidade viva, confundida com a própria existência.

O passado vive, em conluio com o tempo presente, não como um saudosismo ingênuo, mas como um referencial constante, uma medida.

Costumo em sala de aula, no trato com o tema da "Teoria da História", comum quando se quer definir a nossa disciplina, mesmo na educação básica com crianças e jovens, dizer que para nós historiadores infelizmente não se construiu uma máquina do tempo, para que pudéssemos, in loco, tirar análises e conclusões mais fidedignas com a realidade da época e da vida. Temos então que tirar o "pó da sala" e caçar migalhas no chão, através do uso de uma infinidade de fontes históricas que nada mais são que um mosaico do real, ou como um gigantesco quebra-cabeças que talvez nunca se complete. E assim, o fazer história é um eterno projeto, é um fazer-se constante.

Isso é que o dá sabor às humanidades, e fica até mesmo difícil pensar em consagrar teses, falar em verdades, dar veredicto. O terreno das ciências humanas é acidentado, e você pode ficar decepcionado porque o caminho parece não ter fim, mas a graça deste fazer-se é justamente o andar, o caminhar, não o destino.

Aquele que procura pela verdade vai se decepcionar, pelo menos se depositar todas suas fichas nas humanidades. Estou sendo relativista? Como não o ser...