sábado, 24 de abril de 2010

Vídeo dos Educadores Mineiros em Greve

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jô Soares "História Hilária"

Durante entrevista o Jô conta a inusitada história de uma velhinha que fazia um programa de tv ao vivo.

Greve dos Professores Mineiros

terça-feira, 20 de abril de 2010

Luiz Carlos Azenha liga o Ventilador Global!


A REPRISE DE 2006. AGORA, COMO FARSA


Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.
Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.
Mais tarde, já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.
Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.
Aquela capa da Caros Amigos, como vimos estava factualmente correta. O filho de FHC só foi “assumido” quando ele estava longe do poder.  Já a capa da Veja sobre os dólares de Fidel Castro para a campanha de Lula mereceu cobertura no Jornal Nacional de sábado, ainda que a denúncia nunca tenha sido comprovada.
Como eu dizia, aos sábados, o Jornal Nacional repercute acriticamente as capas da Veja que trazem denúncias contra o governo Lula e aliados. É o que se chama no meio de “dar pernas” a um assunto, garantir que ele continue repercutindo nos dias seguintes.
Pois bem, no episódio que já narrei aqui no blog, eu fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.
Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.
Nesta campanha eleitoral já tem sido assim: a seletividade nas capas repercutidas foi retomada recentemente, quando a revista Veja fez denúncias contra o tesoureiro do PT. Um colega, ex-Globo, me encontrou e disse: “A fórmula é a mesma. Parece reprise”.
Ou seja, podemos esperar mais do mesmo:
– Sob o argumento de que a emissora está concedendo “tempo igual aos candidatos”, se esconde uma armadilha, no conteúdo do que é dito ou no assunto que é escolhido. Frequentemente, em 2006, era assim: repercutindo um assunto determinado pela chefia, a Globo ouvia três candidatos atacando o governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e Lula ou um assessor defendendo. Ou seja, era um minuto e meio de ataques e 50 segundos de contraditório.
– O Bom Dia Brasil é reservado a tentar definir a agenda do dia, com ampla liberdade aos comentaristas para trazer à tona assuntos que em tese favorecem um candidato em detrimento de outro.
– O Jornal da Globo se volta para alimentar a tropa, recorrendo a um grupo de “especialistas” cuja origem torna os comentários previsíveis.
– Mensagens políticas invadem os programas de entretenimento, como quando Alexandre Garcia foi para o sofá de Ana Maria Braga ou convidados aos quais a emissora paga favores acabam “entrevistados” no programa do Jô.
A diferença é que, graças a ex-profissionais da Globo como Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e outros, hoje milhares de telespectadores e internautas se tornaram fiscais dos métodos que Ali Kamel implantou no jornalismo da emissora. Ele acha que consegue enganar alguém ao distorcer, deturpar e omitir.
É mais do mesmo, com um gostinho de repeteco no ar. A história se repete, agora com gostinho de farsa.
Querem tirar a prova? Busquem no site do Jornal Nacional daquele período quantas capas da Veja ou da Época foram repercutidas no sábado. Copiem as capas das revistas que foram repercutidas. Confiram o conteúdo das capas e das denúncias. Depois, me digam o que vocês encontraram.
(*) Texto publicado originalmente em Vi o Mundo.

Movimento "Diga Não a Imprensa que Aliena"

15 de abril de 2010, cerca de 7 mil professores do estado de Minas Gerais se concentram no conhecido "Pirulito da Praça Sete" (coração do centro de Belo Horizonte) exigindo que a lei se cumpra e o estado de Minas Gerais passe e pagar, devidamente, o Piso Salarial Nacional (hoje corrigido em pouco mais de R$ 1300,00).
Eu estive lá! Encontrei camaradas educadores de muitas partes do Estado, recebi elogios pelo meu trabalho como educador virtual e meus vídeos no youtube, estive em contato com universitários, ou seja, naquele momento ocorria um movimento significativo em meio ao dia-dia da cidade, pulsante, e próximo da hora do rush (cerca de 17:30). 
No dia seguinte, compro jornais, acesso internet, ligo a televisão, e nada, simplesmente a manifestação de professores, que movimentara Belo Horizonte no final da tarde do dia anterior, simplesmente parecia "não existir".
Fatos como este me levam a ter a certeza de que nós brasileiros devemos rediscutir o papel da imprensa neste país, e isso não é um grito por censura, pelo contrário, é um grito por uma imprensa que apenas cumpra o seu papel - informar, relatar os eventos, com isenção.
O jornalista pode até opinar, criticar, sugerir, se posicionar, mas estas são atribuições que não podem estar colocadas em detrimento dos eventos, dos fatos, das notícias em si. Primeiro, relata, depois se posicione.
Aqui em Minas Gerais e em muitos estados brasileiros há uma relação de comprometimento, de alinhamento, político e ideológico, entre veículos de imprensa e o Estado, imprensa e partidos políticos, imprensa e grupos econômicos, que sinceramente me produzem um receio quanto ao que vemos por ai travestido de "imprensa nacional".
A lógica atual é divulgar os eventos, os fatos, se estes estão de acordo com a relação prostituída mantida com interesses de terceiros. Por exemplo, se a manifestação de professores não convém aos interesses do estado de Minas Gerais, governado a quase uma década por Aécio Neves e agora assumido pelo demo Anastasia (me recuso chamá-lo de professor Anastasia), o mesmo simplesmente não é divulgado pela imprensa mineira e pronto. Se estabelece a aura de uma "não-existência", logo a imprensa se torna veículo da irrealidade, e assim da alienação.
Faço apelo aos meus alunos(as), leitores(as), de Minas ou fora do estado, e simplesmente não comprem, não leiam, não assistam, não acessem os seguintes veículos da imprensa que aliena e não informa:

- Rede Globo Minas (Programa MGTV e seus apresentadores ventríloquos).
- Rede Band Minas (Jornal Band Minas, comandado pelo reacionário e sórdido Luís Carlos Bernardes).
- Jornal O Estado de Minas.
- Rádio Globo.
- Rádio BandNews.
- Portal Uai (http://www.uai.com.br).

Faça como eu DIGA NÃO A IMPRENSA QUE ALIENA!

Assembléia dos Professores Mineiros

Marcelo Adnet "Top 3 Afeganistão"

A atualidade de "Besouro"

História, ação e muita porrada (ao estilo hollywoodiano mesmo, com coreografias do chinês Huen Chiu Ku que trabalhou em filmes como Kill Bill e Tigre e o Dragão), viés social, cultura africana, tudo isso são elementos presentes no filme de João Daniel Tikhomiroff "Besouro", baseado no livro "Feijoada no Paraíso" de Marco Carvalho.
O longa me surpreendeu, positivamente, não somente pela temática em pauta (a capoeira em meio ao Recôncavo Baiano no início da década de 20, quando a luta, maquiada como dança, ainda era tabu sendo proibida a sua prática por lei - somente alterada e permitida a prática da capoeira em 1953, sendo hoje patrimônio histórico cultural brasileiro) mas pela sua proposta estética, semelhante ao belo filme "Tigre e o Dragão" (as cenas de Besouro saltando pelo sertão, numa espécie de treinamento, de aprimoramento físico, são sensacionais), relacionada dialeticamente a todo o viés social do período em questão.
Socialmente o filme traz a tona questões em torno do latifúndio, em especial ao sistema implementado desde os tempos coloniais: plantation (sistema que reúne dois elementos fundamentais - grande propriedade rural/latifúndio, e a cultura de um único produto agrícola/monocultura, no caso do filme, e da geografia local a produção de cana-de-açúcar). Para apresentar uma plantation tipicamente colonial só faltara o terceiro e derradeiro elemento: o trabalho escravo como força de trabalho. Contudo, apesar do enredo se ambientar já na década de 20 do último século os negros trabalhadores ainda eram tratados como verdadeiros escravos, não só em termos ideológicos (o filme mostra jagunços mestiços fazendo piadas, perseguindo, e até castigando os negros da fazenda com violência) mas até mesmo na condição de trabalhador "livre" - preso a humilhante condição de mão-de-obra expropriada no engenho de açúcar.
E é contra tudo isso, na base da força (dai o uso da capoeira) e da mobilização dos trabalhadores negros (cônscios de sua condição de expropriação, humilhação, indignando-se) que surge a figura do capoeirista Besouro, que a princípio sozinho, luta contra a ordem estabelecida no engenho (comandado por um asqueroso coronel/latifundiário).
Por fim o longa é mais do que indicado, como diversão e entretenimento (boas sequências de lutas), e por retratar, a sua maneira, questões postas ainda no nosso tempo presente: a luta pela valorização do negro no Brasil e da cultura negra (o filme faz referência a muitas das divindades africanas, em destaque a figura de Exú, ou mesmo dos ditos corpos fechados, as oferendas aos deuses ainda tão preconceituadas como artífices demoníacos, magia negra e coisas afins), a questão da posse da terra (o latifúndio, monocultor, ainda é um cancro econômico-social brasileiro, único país do mundo a ainda não realizar reforma agrária).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Feudalismo - Parte 3

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sobre a Greve Estadual Mineira



Desde o último dia 08/04/2010 os educadores da rede estadual mineira se encontram em greve por tempo indeterminado, tendo como exigência essencial a aplicação do dito Piso Salarial Nacional aos vencimentos de todos os educadores.
O governo mineiro, usando de mágicas e poderes extraterrestres, anuncia a todo momento que já paga o dito piso (que por sinal é um lixo e não atende a um projeto sério de educação nacional) - mas qualquer pessoa sensata sabe o que significa a palavra "piso": o mínimo, o básico, o inicial, que qualquer educador deveria receber como provento. Pegue o contracheque dos educadores brasileiros e vejam que o dito piso simplesmente inexiste. É comum professor trabalhar, neste país, recebendo menos que o salário mínimo (hoje fixado em R$ 530,00).
Não importa, por moralidade até, se o educador dá uma aula, dez, vinte, se possui um cargo ou dois ou até mais, o educador deve ter um vencimento básico digno! 
Pergunto a vocês como é possível um sargento do corpo de bombeiros, também um funcionário público (e de grande valia), ganha tão mais que um educador (que possui formação superior); além, como é possível categorias profissionais onde não se exige formação superior pagar mais e melhor se comparado ao que ganham os professores (ficando evidente a triste situação de que as licenciaturas são as profissões de nível superior com os piores salários do país).
Que me perdoem pais, alunos, na realidade as maiores vítimas da perversa política educacional que se pratica neste país injusto e infame (porque reproduz a lógica da exclusão, e além, a perpetua). Aderi a esta greve, como irei aderir a qualquer outro movimento que lute a favor de uma educação de qualidade, e isso perpassa pagar mais e melhor os educadores (ao contrário do que pensa a tecnocracia aeciana, tucana, serrista, propagada em publicações da editora Abril - em especial Não-Veja).
Faço aqui apelo aos alunos, jovens, cheios de energia, com a mente "fresca e aberta" e reflitam, criticamente, o que a escola pública lhes oferece, e pensem - vale a pena ser assistido por um profissional pessimamente pago, insatisfeito com a vida e com a profissão (e esta é a pura realidade)? Imagine-se ser uma pessoa que como eu passou 4 anos em uma universidade, estudou muito, se sacrificou e sacrificou a própria família (em investimentos), foi premiado na universidade, tivera reconhecimento de professores e colegas, e que ao sair para o mercado de trabalho não chega a ganhar dois salários mínimos, pegando aqui e ali contratos temporários de trabalho (visto que o Estado tem má vontade, não cumpre a lei, e não realiza concursos públicos periódicos), condenado a usar transporte coletivo (ineficiente), incapacitado de assumir compromissos de longo prazo (como casar, sim, casar requer dinheiro meus amigos). Estão vendo, e olhe, eu ainda curto muito ser educador, é uma profissão pela qual eu não entrei de gaiato não, eu a escolhi, e exerço com todo o prazer (quem já foi ou é aluno meu sabe o quanto me dedico e o compromisso com a escola e com o conhecimento).
Sobre os rumos da greve não possuo informações detalhadas quanto ao direcionamento do movimento, contudo aqui em Minas Gerais, como ocorrera em São Paulo, a grande mídia (em especial o jornal Estado de Minas, portal Uai, a rede Globo, tv Band Minas) permanece alinhada, com unhas e dentes, ao servilismo estadual - hoje propagado pelo governador Anastasia, uma espécie de avatar do ex-governador Aécio Neves (e que irá concorrer ao governo do Estado).
De qualquer maneira é nítido que esta greve é justificada, é legítima. O jeito é sair as ruas, erguer bandeiras, enfiar a boca nos megafones, e esperar que o Estado de Minas Gerais não se feche, não haja como o covarde e maléfico governo paulista (que manda espancar professores, não negocia, intimida e divide a classe com falsas promessas). Espero bom senso do governador Anastasia (porque da secretária de educação mineira, Vanessa Guimarães, não espero nada além de grunhidos) e que caminhemos, juntos, para uma solução digna e pacífica de tantas divergências e diferenças.