segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tempos de Anarquia

Desde os eventos de "junho de 2013" o Brasil não é mais o mesmo, e não é porque o "gigante acordou" ou bobagens similares, mas porque estamos assistindo ao renascer da Anarquia, seja como teoria revolucionária ou como metodologia de ação, de fato os "vândalos" e seus quebra-quebras entraram na ordem do dia.
Isso sem ainda concluir se estes grupos "black blocks" (uma tática de enfrentamento criada por grupos anarquistas europeus, os blocos negros) são genuinamente grupos anarquistas brasileiros ou se são grupos políticos ligados a interesses de outros grupos políticos (como no possível caso PSOL). De qualquer maneira a Anarquia, mesmo que difamada pela mídia e pelo status quo, voltou a ser encarada como algo mais, além, do que preconceituamente sinal de "bagunça".
Assim como o Socialismo, a teoria anarquista não é uma massa ideológica homogênea, ela possui ramificações, visões, divisões, a partir de um mesmo objetivo: a construção de um devir autogestionário, sem classes e sem Estado.
Até o florescimento do socialismo marxiano, em meados do século 19, era a Anarquia a teoria política, e a ação política que efetivamente desafiavam os liames da democracia liberal consolidada da época. E a repressão contrária mostrava-se tão intensa quanto as ações de terror que o Anarquismo empreendeu no século 19 e no começo do último século (vide por exemplo que um Presidente norte-americano, William McKinley, foi assassinado por um anarquista em 1901).
Com Marx e Engels, vitoriosos nos debates da I Internacional (especialmente contrários ao russo Bakunin), o Anarquismo começa a ir para os rodapés de página das ideologias de esquerda, e após a segunda guerra mundial já parece ser carta fora do baralho diante da bipolaridade URSS x EUA.
Por que então, supor um renascer de movimentos anárquicos?
Porque o socialismo de Estado, proles do leninismo/stalinismo, deu mostras de que nada mais foi senão uma Ditadura à esquerda, vencido historicamente pelas "vias democráticas" do Capitalismo (como o Estado de Bem-Estar Social, hoje em frangalhos na Europa, a Social-Democracia que por exemplo impera no Brasil desde o Plano Real, e até mesmo as vias do puro Liberalismo na Inglaterra e nos EUA). Assim, restam aos mais radicais, àqueles que desejam lutar por transformar o mundo ou algo correlato recuperarem o Anarquismo como ideologia, talvez como o meio "correto" em direção ao tão sonhado igualitarismo.
No caso brasileiro, a cada manifestação nas ruas, fico pensando se um anarquista clássico brigaria com a polícia exigindo "saúde, educação, transporte".....?? Creio que nada mais equivocado. O anarquista não pode lutar por isto pois entende que o Estado, por sua natureza mesma, não vai proporcionar nada de digno ao bem estar geral. Com o Estado não há negociata, pois ele é "O Inimigo". Para o anarquista o Estado não tem que cuidar de nada, pois ele sequer deveria existir, sendo substituido por uma nova organização social amparada na autogestão dos povos, em pequenas comunidades (seria um desejo de voltar a andar sobre quatro patas, como diria Voltaire?).
Assim, atentos, vamos assistindo a "tempos interessantes" (parafraseando Hobsbawm)...

sábado, 18 de janeiro de 2014

Reflexões sobre "o pão"

Nos livros do Evangelho há um momento clímax, limítrofe, onde Jesus, filho do homem, encontra-se faminto e no meio do deserto (em tese, no mais completo desespero) e pior, vê-se tentado, pessoalmente, pelo próprio diabo.
O anjo do mal busca desviar Jesus de sua missão salvífica com três argumentos ardilosos, e que exemplificam muitos dos nossos erros, problemas: sobrevivência, poder e arrogância. Em momentos onde a nossa vida é posta em xeque, nosso conforto e prazer são ameaçados, o demônio rapidamente vem oferecer o "ganho" fácil, dócil. Vejamos o que escreve Lucas
"Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão."
O diabo oferece o meio fácil, ou como aponta a concepção bíblica "o caminho largo". A ideia é que Jesus tinha o poder de se livrar daquele fardo, de se aliviar, dai o demônio provocando-o a pensar de forma individualista. E amigos, é no individualismo que mora uma das maiores forças do inimigo de Deus. Assim, a mentira é o método diabólico por excelência, mas o individualismo, essa é a rede de pesca antitética. Cristo pesca homens para a sua salvação, e Lúcifer pesca homens para a sua perdição. E o tecido da rede da perdição é formado pelo nosso individualismo.
Cristo oferece ao demônio uma resposta profunda e fulminante, e escreve Lucas
"Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem."
Confesso que quando li essa passagem me sobreveio a mente um caminhão de ideias, teorizações, em especial marxistas que advogam o contrário do que convém a Deus e seus ensinos. Segundo Karl Marx e um sem fim de pensadores modernos é somente de pão que vive o homem. Como que sem o pão, estaríamos condenados, e que a vida humana e a história poderiam ser entendidas-simplificada pela disputa do pão. Quando Cristo aponta exatamente o contrário!
O discípulo Mateus reforça escrevendo
"Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
O pão é importante, claro. Mas não é o fundamento do ser humano. Na concepção de Deus não há uma infraestrutura que condiciona o agir do homem. O homo economicus é apenas um aspecto do andar humano numa terra marcada por descaminhos e pecados, profeticamente condenada a ser destruída e purificada por novos céus e terra, vide por exemplo o que escrevera Isaías
"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas."
Então, o que resta ao ser humano? Confiar e dar atenção as palavras que procedem da boca de Deus, este sim é o verdadeiro fundamento do homem porque fazendo isto garantimos a conquista da maior promessa de Deus e reafirmada na vida-morte de Jesus: a vida eterna. Ao diabo interessa que nos apequenemos em preocupações com ter ou não o pão, conquistá-lo ou não, pescando-nos em nossa natureza caída e individualista. O exemplo de Cristo é que em primeiro lugar, sempre, devemos pensar em conquistar a vida eterna, e certamente ao fazer isso o pão, que faz parte da nossa caminhada, nunca nos faltará.

Notas:
Bíblia Sagrada - Almeida revista e atualizada.
Livros de:
Isaías 65: 17.
Mateus 4: 4.
Lucas 4: 3-4.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O rolezinho como culto

Não, eu não vou demonizar os jovens que se organizam no dito "rolezinho", muito menos torná-los anjinhos barrocos desfilando em centros de compras - me nego a politizar o que está ocorrendo.
O Brasil que vivemos mais parece os anos 60, como vocifera o músico João Luis "Lobão", e tudo agora é visto na base do "8 - 80", "direita - esquerda", simplificando os fenômenos sociais através de uma leitura neurótica da luta de classes e de conceitos marxianos, em especial. Me perdoe, mas não vivemos a Guerra Fria.

O que é o "rolezinho" então?
Um fenômeno de mídia, que foi completamente absorvido por parcelas até então excluídas do tecido social. A meninada da periferia compreendeu que pode utilizar-se das redes sociais como ferramenta de organização, não política ou engajada nisso ou aquilo, mas como ferramenta de mobilização para o culto semanal ao "seu grande deus": o consumo.
Trabalho com adolescentes, jovens, grande parte próximos de comunidades carentes e excluídas, e sei o fetiche que está amalgamado em suas mentes, tomadas pelo "ter", pelo aparente. O jovem quer aparecer, quer ser percebido. Quando o garoto, de visual grotesco até, liga o funk dentro do ônibus pra todo mundo ouvir é algo mais complexo do que "falta de educação", é dizer, melancolicamente "ei vocês, aqui, sou eu, eu existo, olhem pra mim...."...ou seja, há carência fundamentada na sua atitude de desafiar o bom gosto, o bom senso.

Hoje grande parte dos jovens de nosso país, independente de classe social, é essencialmente consumista. Grande parcela dos endividamentos pessoais em nossa economia advém de pessoas mais jovens, em especial as meninas. Gasta-se todo o salário mínimo mensal (comum entre aqueles que estão começando no mercado de trabalho) em tênis, bonés, roupas, joias, relógios, celulares, eletrônicos, etc. Seus ídolos, arraigados na sociedade do espetáculo, são muitas vezes jovens negros que hoje desfilam todo este ideário de felicidade-Capital (Neymar, Ronaldinho Gaúcho, rappers e funkeiros, pagodeiros, etc).

Assim, utilizando-se das redes sociais e das facilidades da virtualidade, eles se mobilizam, semanalmente, para cultuarem, juntos, o deus-dinheiro. E qual o melhor lugar, o verdadeiro templo, do deus-dinheiro: shopping centers. Então, 200, 300, 2.000 meninos e meninas, andam por entre brilhantes corredores, vislumbram e adoram todos os objetos de seus desejos, e excitados pelo momento, pela idade, abrem espaço para possíveis e mais viáveis conquistas (dai o ficar, paqueras, etc). Acredito que tudo isto poderia, e deveria ser melhor digerido pela sociedade brasileira, o problema é o que estamos vivendo: politização extremada entre setores da sociedade, que buscam a seu modo conquistar a classe média (a eterna insatisfeita, com medo da pobreza e com inveja dos ricos).

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Está chegando a "festa da carne" patrocinada pelo Capital e por Satã

Eu não gosto do Carnaval. Respeito aos que pensam contrário e buscam satisfação nesta festividade (muitos dos meus melhores amigos sempre curtiram o evento, e eu mesmo quando mais jovem tive a oportunidade de participar de alguns), mas eu não gosto.
O Carnaval é a dita "festa da carne", sintonizando cristianismo e paganismo desde a época medieval, e representaria um grande "desbunde", marcado por inversões e excessos, após uma série de momentos de introspecção religiosa de natureza católica (Natal, Quaresma, por exemplos). Ou seja, depois de uns tempos em meditação, reflexão, renúncias, eis que chega o momento de desforra, dando vasão a muitas coisas que nosso superego tende a algemar no inconsciente! E ai, bom, o homem veste de mulher e rebola na rua, sacaram...o lixeiro que é humilhado semanalmente veste a luxuosa roupa, brilhante, de príncipe árabe, rei disso ou daquilo....a cantineira da escola vira "rainha da bateria", e vamos invertendo a realidade pelo menos por um momento!
A minha formação cultural, política, filosófica e agora religiosa insistem em me manter com os dois pés no chão, em suma eu não tolero sair da realidade a este ponto que o Carnaval propõe. Me recuso a fechar os olhos para as dores do mundo, e fingir que vamos muito bem...
Outros fatores também me afastam do Carnaval, em especial o modelo de festividade que se vende a algumas décadas: menos popular, mais show bizz! O Carnaval sai das ruas, e se estrutura em torno de uma indústria do entretenimento (escolas de samba, grupos musicais, clubes, boates, desfiles, micaretas, etc)
Hoje o Carnaval é um apêndice da indústria do álcool, da música, do sexo. Nada mais carnavalesco que um jovem travestido com uma camiseta "vip", embriagado, em busca de momentos de prazer líquido, instantâneo (como tão bem exemplifica os textos do sociólogo polonês Zigmunt Bauman), com qualquer mulher que cruzar o seu olhar. Oh...quanto vazio existencial se esconde em cada sorriso.
Nas televisões, no Sambódromo, mulheres desfilam seus corpos, trabalhados pela ciência que produz ilusões, vendendo-se como séculos atrás ocorriam nas feiras de escravos. Quem dá mais? Que seios, coxas, pernas, bundas, quanto custam? E a indústria do entretenimento, mais pueril e rasteiro, gargalha de mãos dadas com Satanás (em termos espirituais ainda há dúvidas da origem de tudo isso?).
Sinceramente, durante mais um Carnaval, e no Brasil, eu tenho muitas outras coisas com que me preocupar e ocupar minha mente e atenções. Porém, nunca é demais propor as pessoas, de mente aberta e dispostas a se libertar, que repensem e reflitam sobre os sentidos, intrínsecos e extrínsecos relativos a festa da carne.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre libertação jurídica e libertação étnico-racial

No texto sobre o filme "Lincoln" acredito que ficou no ar, para alguns, o que vem a ser "libertação jurídica" dos negros, contrariamente a uma esperada libertação étnica ou racial.
Liberdade jurídica, no contexto da aprovação da 13º Emenda Constitucional estadunidense, é considerar a população negra liberta de qualquer forma de trabalho escravo ou servil: uma tradição sulista e que era desejo dos ditos Confederados levá-lo aos confins do oeste americano (o que alguns historiadores chamam de imperialismo do algodão). Com a aprovação da emenda, sob batuta de Lincoln e os "radicais" do Partido Republicano (sim, como imaginar isso quando nos tempos atuais vislumbramos a família Bush, o grupo tea party, comandando o partido que já tivera entre os seus George Washington e o próprio Abraham) os negros deixavam de ser considerados propriedade, legitimando-os como seres humanos, porém sem os mesmos atributos sociais, políticos, econômicos dos americanos brancos.
Seja no norte medioclassista e industrial, seja no agrícola e violento sul dos Confederados, ambos consideram o negro "um homem à parte", indigno, por exemplo, de votar ou mesmo ser eleito para ocupar cargos públicos (algo que acontecia, de maneira semelhante, com as mulheres).
Lincoln libertou os negros do trabalho escravo, e estes estavam livres para permanecerem em situação desfavorável na sociedade americana, dai a continuidade nefasta de uma política racial de segregação - que irá de maneira angustiante marcar a vida estadunidense ao longo do século seguinte (vide as lutas de Martin Luther King, Malcolm X, a organização dos Black Panters, a violência da KKK, etc).
A eleição e reeleição, históricas, de Barack Husein Obama promoveram a libertação real dos negros dos Estados Unidos? Creio que não, pois os índices sociais e econômicos, quando comparamos brancos e negros, seja nos EUA ou no nosso Brasil, ainda apontam para uma discrepância enorme, unindo desigualdades classistas e raciais.





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Abraham Lincoln, corrupção e libertação jurídica dos negros

Nesta virada de ano consegui um tempo para assistir ao bom filme-político "Lincoln", dirigido pelo consagrado Steven Spielberg, onde o presidente estadunidense é representado pelo genial Daniel Day-Lewis.
Centralizando as atenções é representada toda a politicagem em torno da aprovação ou não-aprovação da 13º Emenda Constitucional que colocava na ilegalidade o trabalho servil-escravo em todo o país, sob os interesses do 16º Presidente (republicano) Abraham Lincoln (1809-1865) - já em início de segundo mandato e líder nortista em meio a guerra civil ou "Secessão" (1861-1865).
Até então pouca novidade, e o interessante desta película faz-se pelo seguinte:
A desmitologização de Lincoln, apresentado como um marido ausente *, infeliz em seu casamento (casado com Mary Todd), e também um político mais pragmático do que idealista (ele arquiteta na Câmara dos Deputados um verdadeiro xadrez movido pelo velho toma lá dá cá ** institucional, negociando cargos no novo governo em troca dos votos favoráveis de parte da bancada democrata).
A colagem um pouco forçada para a contemporaneidade do governo democrata de Barack Husein Obama, interligando a luta pela liberdade jurídica (não racial ou etnica) dos antes escravos negros para os tempos de hoje, onde um "negro" governa a superpotência global. Vale o texto de Luiz Estevam Fernandes e Marcus Vinícius de Morais que afirmam:
"Mesmo se constituindo como dois mundos bastante diferentes, um, ao Norte, e o outro, ao Sul, a ideia da superioridade do homem branco era comum e inquestionável em ambos. Nos dois mundos, os negros estavam fora das decisões políticas e eram vítimas de preconceito, principalmente no Sul, onde a escravidão era garantida por lei." História dos Estados Unidos - das origens ao século XXI. ed. Contexto, p. 129

Notas:
*A ausência de Abraham pode ser entendida seja devido a sua posição política ou até mesmo por problemas de relacionamento com a esposa mais velha, evidenciados na perda de um dos filhos, em que ela acusa o marido de negligência com a doença e morte do menino - com o pai tomado pelas questões da guerra civil. Lincoln chega a cogitar interná-la em uma clínica de repouso/psiquiátrica.
** O uso de cargos na administração pública, garantia de boa posição e salários, como troca por apoio político em importantes debates nacionais faz-nos rememorar, espontaneamente, a "realpolitik" brasileira de posse do lulopetismo.
A mitologia democrática construída em torno de Abraham Lincoln, monumentalizada em Washington DC, parece-nos incompatível com o jogo sujo da política institucional apresentado na película. Na obra de Spielberg Lincoln sai da auréola de mito e veste a cartola preta de homem pragmático e calculista.



domingo, 22 de dezembro de 2013

"Temos muitos Salman Khans, também" por prof. Rosângela Trajano

Segue abaixo o texto da filosofa e educadora Rosângela Trajano, que cita o meu trabalho na internet (vídeos do youtube) e faz um paralelo entre a realidade que enfrentamos no Brasil como educadores e as condições que o prof. Salman Khans desfruta na sua distanciada realidade.
Desde já agradeço a colega por acompanhar o meu trabalho.
Tiago de Castro Menta.

Temos muitos Salman Khans, também
Rosângela Trajano


Se a imprensa escrita publica é porque é bom, e se é bom por que não usar? A capa da revista Veja de número 2254, 1º de fevereiro, traz a foto de um jovem com o título “O melhor professor do mundo”. E dentro a matéria do melhor professor do mundo Salman Khan. Por sinal,bela matéria. Mas o que me intriga e me faz redigir esse pequeno artigo é o destaque dado a Khan como se no Brasil não tivéssemos tantos Khans, o que não temos é o que Salman Khan tem: boa formação, tempo disponível para estudar e dinheiro para comprar livros, muitos livros, diversos livros.

Pelas minhas andanças em várias escolas do Brasil já conheci muitos Khans brasileiros chamados simplesmente por Maria ou João, Silva ou Ferreira. Esses Khans brasileiros fazem de tudo para levar ensino de qualidade aos seus alunos. Muitos deles são professores polivalentes e ensinam mais de uma disciplina com uma qualidade excelente. Não estou questionando o método Khan, afirmo que ele é muito bom, mas temos professores brasileiros espetaculares que postam vídeos na internet ensinando com a maior dificuldade do mundo, sem nenhuma infraestrutura, mas com muito carinho e dedicação.

Outro dia precisei estudar um pouco mais sobre história geral e procurei por vídeos na internet. Encontrei os vídeos do professor Tiago Menta, vídeos caseiros, mas que me ensinaram muitas coisas de história geral. O Tiago Menta explica tão minuciosamente que a sua aula chega a cansar muitas vezes, embora ele consiga transmitir o conhecimento para o aluno logo nos primeiros minutos das suas aulas. Acredito que se tivesse um preparo melhor  esse professor seria um futuro Khan.

A verdade é que nossos professores não tiveram a formação de Salman Khan, aliás os nossos professores não têm dinheiro nem para pagar as passagens do transporte coletivo, imagine comprar livros e mais livros. Os cursos de licenciatura oferecidos pelas universidades em geral, tanto públicas quanto privadas, muitas das vezes não preparam bem o profissional nem para a sua licenciatura quanto mais para o conhecimento das demais áreas. É muito difícil lidar com a educação no nosso país, mas que temos muitos Khans isso afirmo que sim.

Não valorizamos o que temos, essa é a verdade. Querem um exemplo? Cito-me como um. Há dez anos criei um método de ensino de filosofia para crianças chamado por mim de LINO. Disponibilizei gratuitamente alguns cadernos para auxiliar os professores em meu site oficial. Durante todo esse tempo recebi mensagens do Brasil inteiro e nunca, nunca mesmo recebi uma mensagem sequer de algum professor da minha cidade. Quem trabalha na educação no nosso país tem no coração um amor ímpar. Faz-se necessário amar ensinar, ter prazer pelo que se faz, porque incentivos nos faltam muitos. Só para vocês terem uma ideia solicitei que uma professora escrevesse um pequeno texto para mim contando sua experiência em leitura com as crianças da sua escola, ela levou dias para escrever o tal texto e quando recebi, para meu espanto, havia várias ideias repetidas num texto tão curto, ou seja, ela não sabe escrever.

O método Khan já está nas escolas brasileiras. Vamos esquecer do método dos nossos professores? Vamos esquecer que muitos passam o fim de semana  inteiro elaborando aulas, esforçam-se para comprar livros bons para aperfeiçoas suas aulas? Vamos esquecer dos nossos professores que muitas vezes são formados em matemática e precisam, para completar a carga horária, darem aulas de inglês ou história e mesmo sem ter formação em outras áreas conseguem se destacar tão bem quanto na sua própria formação? Vamos esquecer que nos faltam apoio e incentivo? Creio que não. Acredito que o Brasil faria um bem enorme para os pequeninos e jovens buscando Khans de norte a sul do país que ensinam tanto quanto ou melhor do que Salman Khan.

Sim, nós temos bons professores. Temos métodos sem nomes criados para incentivar os nossos alunos aos estudos. E eles nem conhecem Bill Gates e não andam com nenhum executivo famoso pelas ruas das nossas cidades. Quando muito, andam com um amigo professor do lado procurando, ambos, uma solução para tornarem suas aulas melhores.

Eu nem vou falar dos milhões de brasileiros que andam quilômetros todos os dias para chegarem até as escolas onde dão suas aulas, quanta diferença andar a pé debaixo do sol quente, enquanto Salman Khan tem na garagem dois Hondas... quanta diferença, querido professor!



* Rosângela Trajano, é escritora, poetisa infantil além de professora de filosofia.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Para Documentário ex-Presidente Jango morreu assassinado

Esta semana pude assistir no Canal Brasil (canal 55 da Sky) o documentário "Dossiê Jango", marcado por imagens, áudios, depoimentos/entrevistas, cujo enfoque seria o assassinato do ex-presidente brasileiro pela "Operação Condor" (organização paramilitar formada, em 1975, pelas ditaduras de Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil, com o objetivo de exterminar grupos e pessoas ligadas à resistência de esquerda).

Na oficialidade Jango morrera vitimado por um fulminante infarto, até porque sofria verdadeiramente de cardiopatias, em meio a seu exílio político em território argentino (também passou largos períodos no Uruguai). Já "Dossiê Jango" ilustra uma história diferente: o ex-Presidente teria sido vítima de uma suposta troca de medicamentos, sendo então assassinado por uma espécie de "envenenamento" provocado por um agente do Condor. 

Segundo o documentário, produzido por Paulo Henrique Fontenelle, Jango teria sido morto dentro da ótica condoriana de que, além deste ser uma liderança popular e de parte da história democrática do Brasil, o ex-presidente mantinha conexões políticas com lideranças latino-americanas que faziam oposição aos regimes instaurados no continente (todos com as bençãos do Império estadunidense). Vale acrescentar que o filme também aponta para o Condor as responsabilidades pelas mortes do também ex-presidente Juscelino Kubitschek (na oficialidade morto num acidente automobilístico em 22/08/1976 na rodovia Presidente Dutra) e do ex-governador da Guanabara e histórico líder udenista Carlos Lacerda (na oficialidade vítima de um infarto dentro da Clínica São Vicente, quando buscava tratar-se de uma gripe em maio de 1977).

Minha opinião profissional é de que são, no mínimo, suspeitas as mortes de Jango, JK e Lacerda, num curto intervalo de tempo. Para ampliar o debate, e as próprias sombras que recobrem a morte de Jango, o documentário ilustra que muitas pessoas ligadas direta ou indiretamente a morte de Jango (cujo corpo não foi sequer realizado laudo, perícia após a sua morte, sendo um verdadeiro transtorno o seu traslado para São Borja-RS, onde fora sepultado) acabaram morrendo de causas estranhas, muitas delas também por infarte! Vale ressaltar que a Operação Condor é uma realidade histórica e ela foi muito ativa, vitimando, entre outros o general chileno Carlos Prats (set.1974) e o ex-ministro chileno Orlando Letelier (set. 1976).







segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Meu Testemunho de Conversão

Testemunho de Tiago de Castro Menta
Aos irmãos da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de BH
Belo Horizonte – Minas Gerais (setembro de 2013)

Deus não desiste do homem. Como um predador no meio de uma savana, Ele nos espreita, procura[1]. Podemos até relutar, tentar fugir e escapar de sua presença poderosa, imponente. Contudo, não deu pra resistir. Ao menor espaço deixado no coração, por mínimo que for, lá o Senhor buscará morada. E como uma pequena célula, multiplica-se.

Toda conversão, aconteça no tempo que for, é um milagre. Em meio ao presente tempo do fim, em que a humanidade se consome no individualismo e na indiferença, converter-se é uma decisão ainda mais revolucionária. Renunciar o profano, o mundo, e deter-se no caráter de Cristo, na Lei de Deus, é um milagre. E quando vislumbramos os enganos do adversário dentro de igrejas, aí sim, quão revolucionário é aceitar inteiramente Jesus e ser, também, inteiramente obediente ao Senhor.

Como o apóstolo Paulo, um dia chamado como Saulo, eu de certa maneira perseguia os cristãos. Não com a violência física, aos desmandos e incompreensões do romanismo, mas com a violência de ideias e palavras. Ideias motivadas por doutrinas e filosofias do homem[2], “loucuras” aos olhos de Deus. Mesmo assim, em meio a tantos erros, Deus escolhera Saulo, convertido a Paulo, como àquele que evangelizaria aos gentios, a homens e mulheres que como ele eram ignorantes na fé.

Por muitos anos pensava-defendia o ateísmo como a atitude correta de compreensão do mundo e da vida. Minha formação marxista[3] como historiador (e o marxismo é um bom instrumento metodológico-político, não filosófico) reforçava esta atitude. Contudo permanecia uma série de questões mal-resolvidas psicológica-existencialmente. Em certos momentos era solitário, e triste, ser ateu.

A origem da vida, do mal, o destino dos homens, sentidos para o viver, o incômodo ao lidar com a morte (uma recusa interna em simplesmente morrer, numa vida proposta pelo caos e o vazio do Universo – frio, muito frio) eram inquietações alocadas nos limites da minha (in)consciência.

Em paralelo, muitas foram as oportunidades de um contato religioso e através de alguns antigos relacionamentos conheci variadas manifestações cristãs: Torre da Vigília (instituição dos Testemunhas de Jeová, ou Watch Tower), Movimento Carismático Católico, e sempre reagia mantendo o coração fechado (escondia-me na crítica). “Sorte” ou não, hoje dou graças pois o Santo Espírito é insistente[4]!

Tudo começa a mudar com alguns eventos em minha vida pessoal: a perda de meu amado tio Mário[5] (maio de 2011), e principalmente o casamento com Adriana (janeiro de 2012), professora de História como eu e adventista desde tenra idade (creio que ela se batizou com 9 anos de idade).

De maneira sutil minha esposa me incentivava a estudar a Palavra de Deus, e eu, de certo modo levado por curiosidade e desejo de aprender iniciei, em casa, a leitura da Bíblia. Em seguida, começamos a acompanhar, atentos, vídeos de pregações (via youtube), a maioria de caráter escatológico, do pastor Samuel Ramos (IASD de Boston – Massachusetts/EUA). A análise historicista sobre a Palavra de Deus, a compreensão de profecias contidas nos livros de Daniel/Apocalipse, foram elementos que chamaram, e muito, a minha atenção. Devagar ia aparecendo a vontade de ir ao templo, assistir um culto[6].

Em meados de fevereiro do presente ano vivia eu algumas decepções no trabalho, repleto de incertezas e dúvidas (ser professor, educador, no Brasil traz, infelizmente, muitos momentos de grande dificuldade e provações). Ao mesmo tempo, e para nossa alegria Adriana descobriu-se grávida, se avizinhando a paternidade (nossa pequena Catarina deve nascer agora próximo ao dia 14 de outubro). Foi o momento em que o Espírito Santo age e diz: “Vá”. E lá fui com minha esposa ao templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região central de Belo Horizonte, onde “coincidência” ou não o amigo Pastor Paulo Nogueira iniciava os seus trabalhos naquela comunidade na mesma manhã de sábado.

A comunidade adventista da igreja central de Belo Horizonte nos recebeu com os braços abertos, e rapidamente frequentamos a escola sabatina (na classe do irmão Mário Valério). Quão dialético e democrático os cultos da igreja do Senhor, agregando a comunidade a partir dos dons que cada membro recebera do Alto. À pedido de minha esposa o Pastor Paulo Nogueira (que curiosamente atendeu ao apelo dela no meio de uma estrada, durante viagem) passou a ter comigo momentos semanais para estudos bíblicos, que aliado aos estudos da lição da escola sabatina, a leitura curiosa do Espírito de Profecia (manifestado em uma diversidade de textos e obras da estadunidense Ellen G. White, como ‘O Grande Conflito’ apresentando os destinos do mundo e momentos cruciais da guerra cósmica entre Deus-Jesus e Satanás, ‘O Desejado de todas as nações’ como uma rica e detalhista biografia de Jesus, etc) acabaram por enraizar em meu ser não somente as verdades que eu sempre busquei, mas também a alegria de integrar-me numa família imensa de homens e mulheres de Deus.

Muitos aqui podem ler e achar que foi e está sendo fácil tamanha transformação pessoal, não, não é assim que as mudanças ocorrem. Como o vaso nas mãos do oleiro[7], Deus primeiro quebranta o nosso antigo ser, e esta quebra, dói. Muitos pecados, muitos, tem sido enfrentados desde então. Reconstruir-se não é simples, e Deus, somente Nele podemos reunir forças e coragem para este processo intenso de destruição do ego e entrega total aos caminhos do Senhor. Deixar de ingerir álcool, frequentar ambientes e diversões noturnas, encarar o porco como animal de imundícia e impróprio para consumo nestas Minas Gerais onde historicamente a sua culinária é quase derivada de suínos (torresmo, bacon, gordura), separar tempo para dedicar-se a Deus e as coisas de Deus (como o preparo semanal e culto familiar), dizer não ao trabalho nos Sábados (como professor desde então tenho me ausentado de todas as reuniões pedagógicas, festejos, comumente realizados aos sábados em todas as nossas escolas) são atitudes que exigem fé, comunhão com Deus. Pois sabemos, o caminho é estreito. Vale lembrar, todo este “sofrimento” é muito, muito pequeno, quando comparado ao sacrificar-se de Cristo na cruz. E nossa vida, neste mundo decaído e que retém a atenção de todo o Cosmos sobre ele, é uma luta, diária, entre forças do mal e forças do Senhor. Vivemos, em alusão ao que profetizou a sra. White, um “grande conflito”, muitas vezes dentro de nós mesmos. Lembremos Paulo, que diz:

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo (...) Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.” Epístola de Paulo aos Romanos; Romanos 7: 14-25.

Costumo lembrar esta passagem e comentar se até o santo pregador Paulo demonstra, neste e em outros textos, a sua luta diária consigo mesmo, que dirá eu, cristão jovem e saído das águas a tão tenro tempo. Isso, irmãos, não é para assustar ou desanimar ninguém, pelo contrário, pois esta luta, parte de nossas vidas, tem na promessa do Senhor, na esperança que Ele nos deixa, de sua volta definitiva e justiça, que seremos recompensados com o maior de todos os prêmios: a salvação, e por consequência, a vida eterna próximo ao trono e presença de Deus[8]!

Se serei salvo, somente o Senhor Jesus poderá julgar-me e ao mesmo tempo, dar-me forças para conseguir o meu intento. As lutas são diárias, mas este é o “bom combate”, procurando manter-se firme, fiel, em comunhão com Deus e seus princípios. Deus foi misericordioso, comigo e minha família, tirando-me das amarras das loucuras humanas e transformando uma união de jugo desigual em uma família adventista que luta contra o pecado e busca alcançar a salvação eternal.

Gostaria que este meu testemunho chegasse a você, homem e mulher, jovem ou adulto, que como eu um dia pensava ser a religião uma espécie de conto de fadas para uma massa ignorante, e eu bem sei até onde este tipo de pensamento pode nos levar[9]. Achar que damos conta da vida sozinhos, que bastamos a nós mesmos, é esquecer que o peso que carregamos é pesado, muito pesado (hoje sei que o peso é herança do pecado do mundo), e que vai chegar a hora de estender a mão e gritar por socorro. De certa maneira eu gritei por socorro, e ainda grito. Mas o peso em minhas costas diminuiu, pois há quem possa me amparar, consolar e guiar os meus caminhos: Deus.

Desejo aos que agora me leem que possamos todos nos encontrar, junto ao Pai, na Terra renovada que virá, juntamente com Cristo e sua justiça. E ai, não mais prantos, dores e sofrimentos. Breve será...



[1] “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto (...) Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão (...) Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (...) Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.” (Salmo de Davi; Salmos 139: 1-23)

[2] “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos. Portanto, ninguém se glorie nos homens.” (I Coríntios 3:18-21)

[3] Para os irmãos que não estão familiarizados com o termo, marxismo é um conjunto de ideias, pensamentos, visão de mundo, construídos a partir das obras do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), que ao lado do seu companheiro, o também alemão Friedrich Engels (1820-1895), elaboraram as bases do dito Socialismo Científico.

[4] Hoje eu pressinto que Deus me direcionou para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, de maneira especial. Eu poderia ter abraçado o catolicismo (religião predominante em minha família), o espiritismo kardecista (tenho uma tia que inclusive fez uma dita cirurgia espiritual), e até mesmo as doutrinas das Testemunhas de Jeová, mas não. A igreja remanescente, que guarda devidamente a Lei de Deus, que foi preparada nestes tempos do Fim, esta, pelo amor de Deus e misericórdia, foi a que o Senhor apontou em minha vida, de modo que eu o Conhecesse inteiramente, em verdade.

[5] Meu tio morreu, inesperadamente, aos 57 anos de idade. Vivia em Alfenas-MG, não deixando filhos. Sofreu um derrame fulminante, abalando muito a minha família. Eu mesmo, sentindo-me fraco e incapaz diante da perda, me recusei em ir ao funeral. Ser ateu diante de uma perda familiar deste tamanho era uma situação que me causava ainda maior tristeza, pois eu não sabia nem o que dizer a alguns familiares.

[6] Eu cheguei a deixar minha esposa uma vez na porta da igreja e voltei pra casa. Ela acabou, desanimada, não mais retornando ao templo. É difícil quando dentro de uma família não há acordo religioso, a fé fica um pouco “manca”, menos fortalecida.

[7] “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:6.

[8] “...ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Apocalipse 21: 3-4.

[9] Este é o grande mal da humanidade, provocado pelo pecado: o egoísmo. Vivemos em mundo marcado por desigualdades gritantes, injustiças, numa sensação vendida aos quatro cantos que somos e estamos “cada um por si”. É a selvageria de uma ordem capitalista, que aliena o ser humano de tal modo que o ser curva-se diante do ter, da materialidade e das coisas como senhoras dos destinos de muitos. Não é difícil entender, pelo estudo da Palavra de Deus, porque as riquezas e mesmo os homens ricos desviaram-se dos caminhos do Senhor. Este mundo, do tempo do Fim, é onde a humanidade mais demonstra este amor ao “deus-dinheiro”, que possui uma natureza demoníaca. Daí é comum querermos encontrar soluções para o mundo a partir do próprio mundo, achando que do meio de tamanha podridão possa surgir a transformação, ou melhor a revolução. Eu mesmo pensei mudar o mundo, compreendê-lo segundo o uso de minha razão e buscar em teorias, filosofias, na mente humana proposições para a construção de um amanhã melhor, de um paraíso entre nós, produzido por homens! Que engano. A solução para este mundo não está dentro dele mesmo, pois este mundo é marcado pelo pecado, e Deus já anunciou que este mesmo mundo passará. Temos que nos santificar, dar as costas para o mundo e suas armadilhas de pecados, e esperar que no momento da grande justiça, estaremos ao lado do Senhor num outro lugar, numa nova Terra, a nova Jerusalém estabelecida a partir do histórico monte das Oliveiras.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Conjuração Baiana (1798-1799) ou Revolta dos "Alfaiates" - material de apoio

Segue abaixo dois vídeos sobre a Conjuração Baiana (1798-1799), dedicado aos meus alunos do 8º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Paschoal Comanducci. Bons estudos!