Dias atrás estava, tranquilo, nas imediações da nova rodoviária de Campinas, à espera de um ônibus que me trouxesse para casa, aqui em Atibaia-SP. Após um almoço leve numa loja da rede "Subway", sentei-me próximo a lanchonete e estava arrumando alguns documentos quando, de repente, fui surpreendido por uma jovem grávida que segurava na mão direita uma menininha, de nome Talia, que devia ter entre seus 3 a 4 aninhos de idade.
A jovem inicialmente mendigou, pediu dinheiro, o que de pronto e objetivamente recusei. Insistente, a jovem me olhou nos olhos, com vergonha e certa melancolia, e disse: "moço, então paga alguma coisa pra minha filha comer"...
Se tem uma coisa que me deixa um pouco transtornado é ver crianças sofrendo, doentes, abusadas e violentadas, lances do tipo que a toda hora a gente se depara na televisão e nas ruas deste país pobre e desigual, muito desigual. Depois que a minha Catarina nasceu, hoje com pouco mais de 8 meses de vida, este meu transtorno e repulsa pelo sofrimento dos pequeninos multiplicou-se aos milhares. Essencialmente, idealmente, criança não poderia sofrer - contudo, sei que a realidade da vida humana é diferente!
Olhei pro lado, pouco dinheiro disponível, mas daria para comprar um bom sanduíche do dia na mesma lanchonete (em torno de R$ 7,90); e assim respondi a jovem "mãe, pode ir ali e comprar um sanduíche (apontando qual) daquele pra criança", e ela, com mais vergonha, dizia "mas moço, eu não sei pedir estas coisas não (porque o sanduíche é montado).
Me levantei, enfrentei novamente a fila de clientes, para espanto dos que estavam próximos de mim nas demais mesas, e após a espera montei um bom sanduíche pra pequena Talia, que comeu de imediato ao receber o pouco, mas era o que eu poderia fazer ali naquela circunstância.
Chamei a mãe, inclinei-me próximo da criança e perguntei seu nome, ela disse "Talia"....se não me engano nome de uma atriz mexicana destas novelas que vez ou outra o SBT passa pela centésima vez. E assim, comendo o sanduíche de mãos dadas a sua mãe, elas foram embora e ao retornar pra minha mesa veio a imagem da minha filhinha na mente, e eu chorei.
Pensei em Jesus quando diz no Evangelho de Mateus 25: 35-40
"Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o Rei lhes responderá: Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que fizeram".
Voltei pra casa pensando na sorte e no infortúnio de milhões de criancinhas do Brasil, entregues a miséria, a desnutrição, a falta de oportunidades ou mesmo de amor e calor familiar. Pensei na pequena Talia, na minha Catarina, certo de que o Espírito Santo de Deus tomara posse do meu agir, retirando o egoísmo que há no meu ser, fazendo o bem, por menor que seja, ao próximo, de maneira a repetir, minimamente, a caminhada do nosso Senhor.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
A filha de uma pedinte
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Historiador e educador brasileiro. Nascido em São Paulo (12/08/1978), radicado em Belo Horizonte (onde viveu por 26 anos) e atualmente vivendo na cidade paulista de Atibaia (60km da capital São Paulo). Graduou-se (como bacharel e licenciado) como Historiador no ano de 2006 no UNIBH/ou FAFI-BH (recebendo prêmio em março de 2007 como destaque acadêmico do curso de História de sua universidade).
Atuou em projetos de pesquisa, na prefeitura (Centro de Referência Áudio-Visual)de Belo Horizonte sob coordenação da historiadora dra. Heloisa Greco/UFMG; além disso é um dos organizadores do acervo Carmela Pezzuti.
Como educador atuou na rede pública de ensino mineira desde 2004, quando ainda era universitário. Tivera experiências na escola da comunidade judaica de BH, e por mais de um ano fora professor-monitor do curso de História do UNIBH nas disciplinas História Medieval e Brasil República I. Desde 2014 é professor efetivo do Estado de São Paulo, e desde janeiro de 2015 tornou-se professor da educação básica do Colégio Atibaia, parceiro do Sistema Etapa de Ensino.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Vivenciar Mais
Homens e mulheres são diferentes. Temos naturezas distintas, evidente. Deveras ficamos, cada qual sob seu próprio prisma, a desejar no outro(a) um certo "devir a ser". Oras, somos o que somos. E somos diferentes, para o bem e para o mal.
Passaremos a existência inteira querendo mudar a natureza do outro(a)....desperdício de preocupações, irrritações...deveríamos sim buscar aprender a conciliar as diferenças, tornando-as elementos de reconhecimento e compreensão do outro, não o seu julgamento.
A poucos dias de contrair casamento, penso e divago sobre estas divergências de gênero. Isso amedronta, sempre. Porque estamos habituados a desejar que a vida seja um pouco estereotipada, com embalagem e manual de uso. E as coisas não funcionam assim na realidade do mundo. Somos caóticos, medrosos, inseguros, intolerantes, impacientes, em suma somos apenas humanos.
E o pior dos estereotipos é o "socialmente desejado" medioclassismo: ter um bom emprego (se possível um emprego público, onde você pode literalmente cagar e andar todos os dias e ainda depois receber aposentadoria integral sob as custas do contribuinte), morar num apto financiado por um banco e pagar em prestações a perder de vista, ter estacionado o carrinho popular da família também financiado no mesmo banco e pagando as mesmas prestações a perder de vista, claro que tudo isso depois de ter se casado numa igreja católica reconhecida na cidade e que você tivera que marcar a data com um ano de antecedência (pagando taxas para o pobre Bento XVI, custeando flores, ornamentos, aluguel de salão, buffet, fotografias profissionais, e curso de casamento, pra aprender como funciona a distinta cerimônia religiosa), tratar de rapidamente providenciar um herdeiro, etc...nada mais margarina, nada mais pueril.
A dinâmica do existir envolve mais coisas, profundas e subterrâneas. Por baixo da pele hidratada, dos dentes brancos, dos cabelos arrumados, do corpo perfumado, existe um ser, um ser repleto de contradições, angústias, desejos, ideias, erros e acertos.
Portanto, se é possível desfrutar do que chamamos felicidade, esta só será mais palpável a partir do momento que aprendermos a idealizar menos e a vivenciar mais....
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Historiador e educador brasileiro. Nascido em São Paulo (12/08/1978), radicado em Belo Horizonte (onde viveu por 26 anos) e atualmente vivendo na cidade paulista de Atibaia (60km da capital São Paulo). Graduou-se (como bacharel e licenciado) como Historiador no ano de 2006 no UNIBH/ou FAFI-BH (recebendo prêmio em março de 2007 como destaque acadêmico do curso de História de sua universidade).
Atuou em projetos de pesquisa, na prefeitura (Centro de Referência Áudio-Visual)de Belo Horizonte sob coordenação da historiadora dra. Heloisa Greco/UFMG; além disso é um dos organizadores do acervo Carmela Pezzuti.
Como educador atuou na rede pública de ensino mineira desde 2004, quando ainda era universitário. Tivera experiências na escola da comunidade judaica de BH, e por mais de um ano fora professor-monitor do curso de História do UNIBH nas disciplinas História Medieval e Brasil República I. Desde 2014 é professor efetivo do Estado de São Paulo, e desde janeiro de 2015 tornou-se professor da educação básica do Colégio Atibaia, parceiro do Sistema Etapa de Ensino.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Adeus Sócrates (1954-2011)
No último domingo uma ambiguidade nos corações corinthianos: alegria pela conquista do quinto título nacional de futebol e dor pela perda de um de seus maiores ídolos o ex-atleta profissional, colunista de Carta Capital e médico Sócrates Brasileiro, ou dr. Sócrates, Magrão para os íntimos e amigos (interessante notar que em sua juventude o meu pai, Mauro Menta, tinha este mesmo apelido - me lembro ainda menino ouvindo as pessoas chamarem o meu pai no início dos anos 80 de Magrão...).
Não conheci Sócrates pessoalmente, e o vi jogar já em final de carreira, defendendo o Santos, a seleção brasileira de 1986 na Copa do México, pois quando a dita democracia corinthiana vigorava nos gramados do país eu tinha apenas 4, 5 anos de idade, e nesta idade eu curtia o jogo de bola mas nada que hoje possa me lembrar com maior clareza. Dos atletas da democracia conheci apenas o volante Biro-Biro, também em final de carreira no final dos anos 80, quando aparecia no litoral paulista, especialmente em Praia Grande (lugar em que moram meus avós a mais de 20 anos).
De qualquer forma a democracia marcou época, isso com o Brasil em vias de lutar pela reabertura política, dentro das Campanhas pelas Diretas Já em 1984, vigorando o regime de exceção nas mãos do equino general João Figueiredo (que preferia cavalos a seres humanos ao seu lado); imaginemos hoje, com o futebol ainda refém de empresários e grupos de cartolagem, um clube onde seus atletas tinham participação efetiva na administração do clube, organizavam as atividades do elenco como concentrações, etc. Pois é, de dentro do Parque São Jorge dava-se exemplo ao país de como a autogestão, democrática, é o caminho mais humano e justo dentro de uma coletividade, seja uma equipe profissional de futebol ou um país!
E o dr. Sócrates acabou ficando uma espécie de Lênin corinthiano, liderança prática e teórica, visto o seu engajamento não só como atleta mas como cidadão cônscio. E quis o destino, a deusa Fortuna, que na tarde de ontem o nosso glorioso alvinegro vencesse mais um campeonato, dificílimo, contra o maior rival "fedido" da zona oeste no mesmo dia em que Sócrates saiu da vida e entrou na eternidade, na história.
Meus sentimentos aos amigos e familiares, compartilho com todos a dor por esta grande perda do Brasil e do esporte brasileiro.
Historiador e educador brasileiro. Nascido em São Paulo (12/08/1978), radicado em Belo Horizonte (onde viveu por 26 anos) e atualmente vivendo na cidade paulista de Atibaia (60km da capital São Paulo). Graduou-se (como bacharel e licenciado) como Historiador no ano de 2006 no UNIBH/ou FAFI-BH (recebendo prêmio em março de 2007 como destaque acadêmico do curso de História de sua universidade).
Atuou em projetos de pesquisa, na prefeitura (Centro de Referência Áudio-Visual)de Belo Horizonte sob coordenação da historiadora dra. Heloisa Greco/UFMG; além disso é um dos organizadores do acervo Carmela Pezzuti.
Como educador atuou na rede pública de ensino mineira desde 2004, quando ainda era universitário. Tivera experiências na escola da comunidade judaica de BH, e por mais de um ano fora professor-monitor do curso de História do UNIBH nas disciplinas História Medieval e Brasil República I. Desde 2014 é professor efetivo do Estado de São Paulo, e desde janeiro de 2015 tornou-se professor da educação básica do Colégio Atibaia, parceiro do Sistema Etapa de Ensino.
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