Testemunho de Tiago
de Castro Menta
Aos irmãos da Igreja Adventista do Sétimo Dia –
Central de BH
Belo Horizonte –
Minas Gerais (setembro de 2013)
Deus não desiste
do homem. Como um predador no meio de uma savana, Ele nos espreita, procura.
Podemos até relutar, tentar fugir e escapar de sua presença poderosa,
imponente. Contudo, não deu pra resistir. Ao menor espaço deixado no coração,
por mínimo que for, lá o Senhor buscará morada. E como uma pequena célula,
multiplica-se.
Toda conversão,
aconteça no tempo que for, é um milagre. Em meio ao presente tempo do fim, em
que a humanidade se consome no individualismo e na indiferença, converter-se é
uma decisão ainda mais revolucionária. Renunciar o profano, o mundo, e deter-se
no caráter de Cristo, na Lei de Deus, é um milagre. E quando vislumbramos os
enganos do adversário dentro de igrejas, aí sim, quão revolucionário é aceitar
inteiramente Jesus e ser, também, inteiramente obediente ao Senhor.
Como o apóstolo
Paulo, um dia chamado como Saulo, eu de certa maneira perseguia os cristãos.
Não com a violência física, aos desmandos e incompreensões do romanismo, mas
com a violência de ideias e palavras. Ideias motivadas por doutrinas e
filosofias do homem,
“loucuras” aos olhos de Deus. Mesmo assim, em meio a tantos erros, Deus
escolhera Saulo, convertido a Paulo, como àquele que evangelizaria aos gentios,
a homens e mulheres que como ele eram ignorantes na fé.
Por muitos anos
pensava-defendia o ateísmo como a atitude correta de compreensão do mundo e da
vida. Minha formação marxista como
historiador (e o marxismo é um bom instrumento metodológico-político, não
filosófico) reforçava esta atitude. Contudo permanecia uma série de questões
mal-resolvidas psicológica-existencialmente. Em certos momentos era solitário,
e triste, ser ateu.
A origem da
vida, do mal, o destino dos homens, sentidos para o viver, o incômodo ao lidar
com a morte (uma recusa interna em simplesmente morrer, numa vida proposta pelo
caos e o vazio do Universo – frio, muito frio) eram inquietações alocadas nos
limites da minha (in)consciência.
Em paralelo,
muitas foram as oportunidades de um contato religioso e através de alguns
antigos relacionamentos conheci variadas manifestações cristãs: Torre da
Vigília (instituição dos Testemunhas de Jeová, ou Watch Tower), Movimento
Carismático Católico, e sempre reagia mantendo o coração fechado (escondia-me
na crítica). “Sorte” ou não, hoje dou graças pois o Santo Espírito é insistente!
Tudo começa a
mudar com alguns eventos em minha vida pessoal: a perda de meu amado tio Mário
(maio de 2011), e principalmente o casamento com Adriana (janeiro de 2012),
professora de História como eu e adventista desde tenra idade (creio que ela se
batizou com 9 anos de idade).
De maneira sutil
minha esposa me incentivava a estudar a Palavra de Deus, e eu, de certo modo
levado por curiosidade e desejo de aprender iniciei, em casa, a leitura da
Bíblia. Em seguida, começamos a acompanhar, atentos, vídeos de pregações (via
youtube), a maioria de caráter escatológico, do pastor Samuel Ramos (IASD de
Boston – Massachusetts/EUA). A análise historicista sobre a Palavra de Deus, a
compreensão de profecias contidas nos livros de Daniel/Apocalipse, foram
elementos que chamaram, e muito, a minha atenção. Devagar ia aparecendo a
vontade de ir ao templo, assistir um culto.
Em meados de
fevereiro do presente ano vivia eu algumas decepções no trabalho, repleto de
incertezas e dúvidas (ser professor, educador, no Brasil traz, infelizmente,
muitos momentos de grande dificuldade e provações). Ao mesmo tempo, e para
nossa alegria Adriana descobriu-se grávida, se avizinhando a paternidade (nossa
pequena Catarina deve nascer agora próximo ao dia 14 de outubro). Foi o momento
em que o Espírito Santo age e diz: “Vá”. E lá fui com minha esposa ao templo da
Igreja Adventista do Sétimo Dia na região central de Belo Horizonte, onde
“coincidência” ou não o amigo Pastor Paulo Nogueira iniciava os seus trabalhos
naquela comunidade na mesma manhã de sábado.
A comunidade
adventista da igreja central de Belo Horizonte nos recebeu com os braços
abertos, e rapidamente frequentamos a escola sabatina (na classe do irmão Mário
Valério). Quão dialético e democrático os cultos da igreja do Senhor, agregando
a comunidade a partir dos dons que cada membro recebera do Alto. À pedido de
minha esposa o Pastor Paulo Nogueira (que curiosamente atendeu ao apelo dela no
meio de uma estrada, durante viagem) passou a ter comigo momentos semanais para
estudos bíblicos, que aliado aos estudos da lição da escola sabatina, a leitura
curiosa do Espírito de Profecia (manifestado em uma diversidade de textos e
obras da estadunidense Ellen G. White, como ‘O Grande Conflito’ apresentando os
destinos do mundo e momentos cruciais da guerra cósmica entre Deus-Jesus e
Satanás, ‘O Desejado de todas as nações’ como uma rica e detalhista biografia
de Jesus, etc) acabaram por enraizar em meu ser não somente as verdades que eu
sempre busquei, mas também a alegria de integrar-me numa família imensa de
homens e mulheres de Deus.
Muitos aqui
podem ler e achar que foi e está sendo fácil tamanha transformação pessoal,
não, não é assim que as mudanças ocorrem. Como o vaso nas mãos do oleiro,
Deus primeiro quebranta o nosso antigo ser, e esta quebra, dói. Muitos pecados,
muitos, tem sido enfrentados desde então. Reconstruir-se não é simples, e Deus,
somente Nele podemos reunir forças e coragem para este processo intenso de
destruição do ego e entrega total aos caminhos do Senhor. Deixar de ingerir
álcool, frequentar ambientes e diversões noturnas, encarar o porco como animal
de imundícia e impróprio para consumo nestas Minas Gerais onde historicamente a
sua culinária é quase derivada de suínos (torresmo, bacon, gordura), separar
tempo para dedicar-se a Deus e as coisas de Deus (como o preparo semanal e
culto familiar), dizer não ao trabalho nos Sábados (como professor desde então
tenho me ausentado de todas as reuniões pedagógicas, festejos, comumente
realizados aos sábados em todas as nossas escolas) são atitudes que exigem fé,
comunhão com Deus. Pois sabemos, o caminho é estreito. Vale lembrar, todo este
“sofrimento” é muito, muito pequeno, quando comparado ao sacrificar-se de
Cristo na cruz. E nossa vida, neste mundo decaído e que retém a atenção de todo
o Cosmos sobre ele, é uma luta, diária, entre forças do mal e forças do Senhor.
Vivemos, em alusão ao que profetizou a sra. White, um “grande conflito”, muitas
vezes dentro de nós mesmos. Lembremos Paulo, que diz:
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu,
todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo
compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que
detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste
caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu
sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o
bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo (...) Porque, no tocante ao homem
interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei
que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do
pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará
do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira
que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a
carne, da lei do pecado.” Epístola de Paulo aos Romanos; Romanos 7: 14-25.
Costumo lembrar
esta passagem e comentar se até o santo pregador Paulo demonstra, neste e em
outros textos, a sua luta diária consigo mesmo, que dirá eu, cristão jovem e
saído das águas a tão tenro tempo. Isso, irmãos, não é para assustar ou
desanimar ninguém, pelo contrário, pois esta luta, parte de nossas vidas, tem
na promessa do Senhor, na esperança que Ele nos deixa, de sua volta definitiva
e justiça, que seremos recompensados com o maior de todos os prêmios: a
salvação, e por consequência, a vida eterna próximo ao trono e presença de Deus!
Se serei salvo,
somente o Senhor Jesus poderá julgar-me e ao mesmo tempo, dar-me forças para
conseguir o meu intento. As lutas são diárias, mas este é o “bom combate”,
procurando manter-se firme, fiel, em comunhão com Deus e seus princípios. Deus
foi misericordioso, comigo e minha família, tirando-me das amarras das loucuras
humanas e transformando uma união de jugo desigual em uma família adventista
que luta contra o pecado e busca alcançar a salvação eternal.
Gostaria que
este meu testemunho chegasse a você, homem e mulher, jovem ou adulto, que como
eu um dia pensava ser a religião uma espécie de conto de fadas para uma massa
ignorante, e eu bem sei até onde este tipo de pensamento pode nos levar.
Achar que damos conta da vida sozinhos, que bastamos a nós mesmos, é esquecer
que o peso que carregamos é pesado, muito pesado (hoje sei que o peso é herança
do pecado do mundo), e que vai chegar a hora de estender a mão e gritar por
socorro. De certa maneira eu gritei por socorro, e ainda grito. Mas o peso em
minhas costas diminuiu, pois há quem possa me amparar, consolar e guiar os meus
caminhos: Deus.
Desejo aos que
agora me leem que possamos todos nos encontrar, junto ao Pai, na Terra renovada
que virá, juntamente com Cristo e sua justiça. E ai, não mais prantos, dores e
sofrimentos. Breve será...