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sábado, 4 de julho de 2015

O Catolicismo Medieval tem, hoje, outras "caras"

Finalmente merecidas férias! Depois de um semestre repleto de trabalho (com aulas na rede pública e privada aqui em Atibaia, e em três disciplinas: História, Geografia e Sociologia) é momento de dar aquele "stop", curtir a família, ler, escrever, assistir, aquilo que as tarefas semanais impediram.

O Catolicismo Medieval tem, hoje, outras "caras"

Nas aulas de História Medieval os meus alunos do 7º ano - Fund. II, no Colégio Atibaia, tem sido despertados a desenvolver um olhar crítico sobre os muitos crimes cometidos pelo catolicismo naqueles tempos de Cruzadas, combate às heresias (vide extermínio de albigenses e valdenses), tribunais inquisitórios, torturas, e as relações políticas que Roma mantinha com várias das monarquias europeias medievais, em especial os francos (desde merovíngios, carolíngios e capetíngios).

O mais interessante nisso tudo é observar as reações dos educandos, muitas vezes exaltados diante da violência e da busca pelas coisas materiais empreendidas pela instituição cristã, nitidamente contraditórias ao "espírito do cristianismo", que é a manutenção da paz, a concórdia, a bondade, o sumo bem/o amor. Como, vislumbram os educandos, poderíamos conceber, no mesmo "balaio", Cristo e os papas medievais?

Interessante é trazer para os alunos o debate em torno da intolerância religiosa, dos conflitos levantados em "nome de Deus", e isso não é, definitivamente, exclusivismo do período medieval, infelizmente. Hoje ainda se morre por ser da religião dissonante do meio social a que se está inserido, ou da religião que difere do grupo que comanda a nação (dentro de uma ordem teocrática) - afora os atos preconceituosos, como da menina apedrejada no Rio por se vestir com um traje típico do candomblé, etc. Apesar de estarmos inseridos na ordem global, século XXI, bla-bla-bla...ainda convivemos, cotidianamente, com casos de violência religiosa.

Acredito que o Catolicismo aprendeu com estas e outras experiências, afinal estamos falando de uma instituição milenar, criada e levada adiante por uma série de homens, nas mais diversas circunstâncias. Posso estar enganado, mas hoje senta-se no trono de São Pedro um franciscano que já faz por merecer todo o meu respeito, mais pelas atitudes do que pela posição em si. O Papa Francisco é, no meu entender, o líder religioso a ser ouvido, e ponto. Os demais, e existem muitos dispostos a ser ouvidos/seguidos, não apresentam a dignidade, a simplicidade, a razoabilidade já evidentes no argentino Jorge Bergoglio. 

Francisco é a contraposição necessária num país de lideranças religiosas de caráter duvidoso, e com contradições similares àquelas levantadas na história medieval do Catolicismo. Macedo, Malafaia, Soares, e os demais pentecostais parecem acender uma vela para Deus e outra para o diabo: curas, milagres, aconselhamento e apoio espiritual, ao mesmo passo de enriquecimento, poder midiático, proselitismo, intolerância, "bancada evangélica" (buscando aproximação com o poder). 

Assim, nos dias vividos, as entidades neopentecostais brasileiras estão mais próximas do Catolicismo medieval do que o próprio Catolicismo, que sob a égide/exemplos de Francisco demonstra distanciar-se de suas históricas contradições.    

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Como trabalhar o conceito de "Fundamentalismo"?

Nas minhas aulas de História com os alunos do 7º ano estamos estudando o antigo Império Bizantino, que por séculos (em especial sob governo de Justiniano I) permaneceu como herdeiro direto do que um dia foi o poderoso Império Romano, e que por fim caiu em 1453 nas mãos do sultão turco-otomano Maomé II. O interessante de aulas como esta é que obrigam o professor a vasculhar textos e informações sobre o Oriente, e claro, as relações entre Ocidente e Oriente. Deparei-me então com uma obra que considero didática e fundamental de nossa historiografia, do gaúcho Voltaire Schilling "Ocidente x Islã: uma história do conflito milenar entre dois mundos" (editora L&PM), que traz no capítulo 35 "A política do fundamentalismo".

Segundo Schilling, e compartilho seu pensamento, o conceito de fundamentalismo é "todo e qualquer movimento religioso que tende a interpretar a realidade de hoje através dos olhos de antigos preceitos religiosos e que renega os valores da modernidade".

E aqui a razão do texto - quando falamos em fundamentalismo numa sala de aula logo vem a mente a lembrança, terrível, dos "shahids" (mártires) que tiram a vida em nome do Islã, por exemplo em inúmeros atentados realizados por homens e até crianças (como faz o Boko Haram na Nigéria com meninas bem jovens) tornadas bombas-humanas! O que pouco se dialoga é que o fundamentalismo possui raízes, históricas, com o Cristianismo também e em especial o cristianismo protestante norte-americano.

Os Estados Unidos das primeiras décadas do século passado viu ruir uma "velha e tradicionalista América" e ascender uma América nova, jovem, liberal e consumista. Evidenciada, como exemplos na "American way of life", na indústria automobilística, no rock'roll, na televisão. A consequência disto, diz Voltaire Schilling foi que:
"Os pastores das igrejas batistas, presbiterianas, episcopais e adventistas apontaram seu dedo acusador para o pecado da modernidade. Defendiam, em substituição ao milenarismo (que, apocalíptico, predizia o fim do mundo para breve), o chamado Segundo Advento de Cristo. Cristo estaria em breve entre nós (...) Era preciso retornar aos antigos costumes, aos antigos ensinamentos, apegar-se à Bíblia como a única salvação em um mundo dominado pelo materialismo, pelo ateísmo e pelo descaso com as coisas da fé. Desta forma, Cristo ao retornar, reconheceria a sua obra".
Em 1920, um ano depois da criação da WCFA (Associação Mundial dos Cristãos Fundamentalistas), os Estados Unidos aprovaram a conhecida Lei Seca que entendia como crime a venda e consumo de bebidas alcoólicas - mostrando que o tradicionalismo cristão tinha ainda força e apelo em parte da sociedade. Contudo, hoje sabemos o resultado desta política conservadora: alimentou, com dinheiro e violência, o crime organizado (vide a história, muito explorada, de Al Capone e como ele comandava o crime nas ruas de Chicago).

Assim, devemos trabalhar com nossos alunos a noção correta e multifacetada do que é, verdadeiramente, o "fundamentalismo". Ser fundamentalista não é exclusividade de um grupo, de uma religião, nada disso. Ser fundamentalista é muito mais uma atitude, geralmente anacrônica e intolerante, que pode ser encontrada não somente em grupos religiosos mas em ideologias políticas, questões raciais e de gênero, etc.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

A filha de uma pedinte

Dias atrás estava, tranquilo, nas imediações da nova rodoviária de Campinas, à espera de um ônibus que me trouxesse para casa, aqui em Atibaia-SP. Após um almoço leve numa loja da rede "Subway", sentei-me próximo a lanchonete e estava arrumando alguns documentos quando, de repente, fui surpreendido por uma jovem grávida que segurava na mão direita uma menininha, de nome Talia, que devia ter entre seus 3 a 4 aninhos de idade.
A jovem inicialmente mendigou, pediu dinheiro, o que de pronto e objetivamente recusei. Insistente, a jovem me olhou nos olhos, com vergonha e certa melancolia, e disse: "moço, então paga alguma coisa pra minha filha comer"...
Se tem uma coisa que me deixa um pouco transtornado é ver crianças sofrendo, doentes, abusadas e violentadas, lances do tipo que a toda hora a gente se depara na televisão e nas ruas deste país pobre e desigual, muito desigual. Depois que a minha Catarina nasceu, hoje com pouco mais de 8 meses de vida, este meu transtorno e repulsa pelo sofrimento dos pequeninos multiplicou-se aos milhares. Essencialmente, idealmente, criança não poderia sofrer - contudo, sei que a realidade da vida humana é diferente!
Olhei pro lado, pouco dinheiro disponível, mas daria para comprar um bom sanduíche do dia na mesma lanchonete (em torno de R$ 7,90); e assim respondi a jovem "mãe, pode ir ali e comprar um sanduíche (apontando qual) daquele pra criança", e ela, com mais vergonha, dizia "mas moço, eu não sei pedir estas coisas não (porque o sanduíche é montado).
Me levantei, enfrentei novamente a fila de clientes, para espanto dos que estavam próximos de mim nas demais mesas, e após a espera montei um bom sanduíche pra pequena Talia, que comeu de imediato ao receber o pouco, mas era o que eu poderia fazer ali naquela circunstância.
Chamei a mãe, inclinei-me próximo da criança e perguntei seu nome, ela disse "Talia"....se não me engano nome de uma atriz mexicana destas novelas que vez ou outra o SBT passa pela centésima vez. E assim, comendo o sanduíche de mãos dadas a sua mãe, elas foram embora e ao retornar pra minha mesa veio a imagem da minha filhinha na mente, e eu chorei.
Pensei em Jesus quando diz no Evangelho de Mateus 25: 35-40
"Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o Rei lhes responderá: Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que fizeram".
Voltei pra casa pensando na sorte e no infortúnio de milhões de criancinhas do Brasil, entregues a miséria, a desnutrição, a falta de oportunidades ou mesmo de amor e calor familiar. Pensei na pequena Talia, na minha Catarina, certo de que o Espírito Santo de Deus tomara posse do meu agir, retirando o egoísmo que há no meu ser, fazendo o bem, por menor que seja, ao próximo, de maneira a repetir, minimamente, a caminhada do nosso Senhor.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Reflexões sobre "o pão"

Nos livros do Evangelho há um momento clímax, limítrofe, onde Jesus, filho do homem, encontra-se faminto e no meio do deserto (em tese, no mais completo desespero) e pior, vê-se tentado, pessoalmente, pelo próprio diabo.
O anjo do mal busca desviar Jesus de sua missão salvífica com três argumentos ardilosos, e que exemplificam muitos dos nossos erros, problemas: sobrevivência, poder e arrogância. Em momentos onde a nossa vida é posta em xeque, nosso conforto e prazer são ameaçados, o demônio rapidamente vem oferecer o "ganho" fácil, dócil. Vejamos o que escreve Lucas
"Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão."
O diabo oferece o meio fácil, ou como aponta a concepção bíblica "o caminho largo". A ideia é que Jesus tinha o poder de se livrar daquele fardo, de se aliviar, dai o demônio provocando-o a pensar de forma individualista. E amigos, é no individualismo que mora uma das maiores forças do inimigo de Deus. Assim, a mentira é o método diabólico por excelência, mas o individualismo, essa é a rede de pesca antitética. Cristo pesca homens para a sua salvação, e Lúcifer pesca homens para a sua perdição. E o tecido da rede da perdição é formado pelo nosso individualismo.
Cristo oferece ao demônio uma resposta profunda e fulminante, e escreve Lucas
"Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem."
Confesso que quando li essa passagem me sobreveio a mente um caminhão de ideias, teorizações, em especial marxistas que advogam o contrário do que convém a Deus e seus ensinos. Segundo Karl Marx e um sem fim de pensadores modernos é somente de pão que vive o homem. Como que sem o pão, estaríamos condenados, e que a vida humana e a história poderiam ser entendidas-simplificada pela disputa do pão. Quando Cristo aponta exatamente o contrário!
O discípulo Mateus reforça escrevendo
"Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
O pão é importante, claro. Mas não é o fundamento do ser humano. Na concepção de Deus não há uma infraestrutura que condiciona o agir do homem. O homo economicus é apenas um aspecto do andar humano numa terra marcada por descaminhos e pecados, profeticamente condenada a ser destruída e purificada por novos céus e terra, vide por exemplo o que escrevera Isaías
"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas."
Então, o que resta ao ser humano? Confiar e dar atenção as palavras que procedem da boca de Deus, este sim é o verdadeiro fundamento do homem porque fazendo isto garantimos a conquista da maior promessa de Deus e reafirmada na vida-morte de Jesus: a vida eterna. Ao diabo interessa que nos apequenemos em preocupações com ter ou não o pão, conquistá-lo ou não, pescando-nos em nossa natureza caída e individualista. O exemplo de Cristo é que em primeiro lugar, sempre, devemos pensar em conquistar a vida eterna, e certamente ao fazer isso o pão, que faz parte da nossa caminhada, nunca nos faltará.

Notas:
Bíblia Sagrada - Almeida revista e atualizada.
Livros de:
Isaías 65: 17.
Mateus 4: 4.
Lucas 4: 3-4.  

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Meu Testemunho de Conversão

Testemunho de Tiago de Castro Menta
Aos irmãos da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de BH
Belo Horizonte – Minas Gerais (setembro de 2013)

Deus não desiste do homem. Como um predador no meio de uma savana, Ele nos espreita, procura[1]. Podemos até relutar, tentar fugir e escapar de sua presença poderosa, imponente. Contudo, não deu pra resistir. Ao menor espaço deixado no coração, por mínimo que for, lá o Senhor buscará morada. E como uma pequena célula, multiplica-se.

Toda conversão, aconteça no tempo que for, é um milagre. Em meio ao presente tempo do fim, em que a humanidade se consome no individualismo e na indiferença, converter-se é uma decisão ainda mais revolucionária. Renunciar o profano, o mundo, e deter-se no caráter de Cristo, na Lei de Deus, é um milagre. E quando vislumbramos os enganos do adversário dentro de igrejas, aí sim, quão revolucionário é aceitar inteiramente Jesus e ser, também, inteiramente obediente ao Senhor.

Como o apóstolo Paulo, um dia chamado como Saulo, eu de certa maneira perseguia os cristãos. Não com a violência física, aos desmandos e incompreensões do romanismo, mas com a violência de ideias e palavras. Ideias motivadas por doutrinas e filosofias do homem[2], “loucuras” aos olhos de Deus. Mesmo assim, em meio a tantos erros, Deus escolhera Saulo, convertido a Paulo, como àquele que evangelizaria aos gentios, a homens e mulheres que como ele eram ignorantes na fé.

Por muitos anos pensava-defendia o ateísmo como a atitude correta de compreensão do mundo e da vida. Minha formação marxista[3] como historiador (e o marxismo é um bom instrumento metodológico-político, não filosófico) reforçava esta atitude. Contudo permanecia uma série de questões mal-resolvidas psicológica-existencialmente. Em certos momentos era solitário, e triste, ser ateu.

A origem da vida, do mal, o destino dos homens, sentidos para o viver, o incômodo ao lidar com a morte (uma recusa interna em simplesmente morrer, numa vida proposta pelo caos e o vazio do Universo – frio, muito frio) eram inquietações alocadas nos limites da minha (in)consciência.

Em paralelo, muitas foram as oportunidades de um contato religioso e através de alguns antigos relacionamentos conheci variadas manifestações cristãs: Torre da Vigília (instituição dos Testemunhas de Jeová, ou Watch Tower), Movimento Carismático Católico, e sempre reagia mantendo o coração fechado (escondia-me na crítica). “Sorte” ou não, hoje dou graças pois o Santo Espírito é insistente[4]!

Tudo começa a mudar com alguns eventos em minha vida pessoal: a perda de meu amado tio Mário[5] (maio de 2011), e principalmente o casamento com Adriana (janeiro de 2012), professora de História como eu e adventista desde tenra idade (creio que ela se batizou com 9 anos de idade).

De maneira sutil minha esposa me incentivava a estudar a Palavra de Deus, e eu, de certo modo levado por curiosidade e desejo de aprender iniciei, em casa, a leitura da Bíblia. Em seguida, começamos a acompanhar, atentos, vídeos de pregações (via youtube), a maioria de caráter escatológico, do pastor Samuel Ramos (IASD de Boston – Massachusetts/EUA). A análise historicista sobre a Palavra de Deus, a compreensão de profecias contidas nos livros de Daniel/Apocalipse, foram elementos que chamaram, e muito, a minha atenção. Devagar ia aparecendo a vontade de ir ao templo, assistir um culto[6].

Em meados de fevereiro do presente ano vivia eu algumas decepções no trabalho, repleto de incertezas e dúvidas (ser professor, educador, no Brasil traz, infelizmente, muitos momentos de grande dificuldade e provações). Ao mesmo tempo, e para nossa alegria Adriana descobriu-se grávida, se avizinhando a paternidade (nossa pequena Catarina deve nascer agora próximo ao dia 14 de outubro). Foi o momento em que o Espírito Santo age e diz: “Vá”. E lá fui com minha esposa ao templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região central de Belo Horizonte, onde “coincidência” ou não o amigo Pastor Paulo Nogueira iniciava os seus trabalhos naquela comunidade na mesma manhã de sábado.

A comunidade adventista da igreja central de Belo Horizonte nos recebeu com os braços abertos, e rapidamente frequentamos a escola sabatina (na classe do irmão Mário Valério). Quão dialético e democrático os cultos da igreja do Senhor, agregando a comunidade a partir dos dons que cada membro recebera do Alto. À pedido de minha esposa o Pastor Paulo Nogueira (que curiosamente atendeu ao apelo dela no meio de uma estrada, durante viagem) passou a ter comigo momentos semanais para estudos bíblicos, que aliado aos estudos da lição da escola sabatina, a leitura curiosa do Espírito de Profecia (manifestado em uma diversidade de textos e obras da estadunidense Ellen G. White, como ‘O Grande Conflito’ apresentando os destinos do mundo e momentos cruciais da guerra cósmica entre Deus-Jesus e Satanás, ‘O Desejado de todas as nações’ como uma rica e detalhista biografia de Jesus, etc) acabaram por enraizar em meu ser não somente as verdades que eu sempre busquei, mas também a alegria de integrar-me numa família imensa de homens e mulheres de Deus.

Muitos aqui podem ler e achar que foi e está sendo fácil tamanha transformação pessoal, não, não é assim que as mudanças ocorrem. Como o vaso nas mãos do oleiro[7], Deus primeiro quebranta o nosso antigo ser, e esta quebra, dói. Muitos pecados, muitos, tem sido enfrentados desde então. Reconstruir-se não é simples, e Deus, somente Nele podemos reunir forças e coragem para este processo intenso de destruição do ego e entrega total aos caminhos do Senhor. Deixar de ingerir álcool, frequentar ambientes e diversões noturnas, encarar o porco como animal de imundícia e impróprio para consumo nestas Minas Gerais onde historicamente a sua culinária é quase derivada de suínos (torresmo, bacon, gordura), separar tempo para dedicar-se a Deus e as coisas de Deus (como o preparo semanal e culto familiar), dizer não ao trabalho nos Sábados (como professor desde então tenho me ausentado de todas as reuniões pedagógicas, festejos, comumente realizados aos sábados em todas as nossas escolas) são atitudes que exigem fé, comunhão com Deus. Pois sabemos, o caminho é estreito. Vale lembrar, todo este “sofrimento” é muito, muito pequeno, quando comparado ao sacrificar-se de Cristo na cruz. E nossa vida, neste mundo decaído e que retém a atenção de todo o Cosmos sobre ele, é uma luta, diária, entre forças do mal e forças do Senhor. Vivemos, em alusão ao que profetizou a sra. White, um “grande conflito”, muitas vezes dentro de nós mesmos. Lembremos Paulo, que diz:

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo (...) Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.” Epístola de Paulo aos Romanos; Romanos 7: 14-25.

Costumo lembrar esta passagem e comentar se até o santo pregador Paulo demonstra, neste e em outros textos, a sua luta diária consigo mesmo, que dirá eu, cristão jovem e saído das águas a tão tenro tempo. Isso, irmãos, não é para assustar ou desanimar ninguém, pelo contrário, pois esta luta, parte de nossas vidas, tem na promessa do Senhor, na esperança que Ele nos deixa, de sua volta definitiva e justiça, que seremos recompensados com o maior de todos os prêmios: a salvação, e por consequência, a vida eterna próximo ao trono e presença de Deus[8]!

Se serei salvo, somente o Senhor Jesus poderá julgar-me e ao mesmo tempo, dar-me forças para conseguir o meu intento. As lutas são diárias, mas este é o “bom combate”, procurando manter-se firme, fiel, em comunhão com Deus e seus princípios. Deus foi misericordioso, comigo e minha família, tirando-me das amarras das loucuras humanas e transformando uma união de jugo desigual em uma família adventista que luta contra o pecado e busca alcançar a salvação eternal.

Gostaria que este meu testemunho chegasse a você, homem e mulher, jovem ou adulto, que como eu um dia pensava ser a religião uma espécie de conto de fadas para uma massa ignorante, e eu bem sei até onde este tipo de pensamento pode nos levar[9]. Achar que damos conta da vida sozinhos, que bastamos a nós mesmos, é esquecer que o peso que carregamos é pesado, muito pesado (hoje sei que o peso é herança do pecado do mundo), e que vai chegar a hora de estender a mão e gritar por socorro. De certa maneira eu gritei por socorro, e ainda grito. Mas o peso em minhas costas diminuiu, pois há quem possa me amparar, consolar e guiar os meus caminhos: Deus.

Desejo aos que agora me leem que possamos todos nos encontrar, junto ao Pai, na Terra renovada que virá, juntamente com Cristo e sua justiça. E ai, não mais prantos, dores e sofrimentos. Breve será...



[1] “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto (...) Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão (...) Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (...) Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.” (Salmo de Davi; Salmos 139: 1-23)

[2] “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos. Portanto, ninguém se glorie nos homens.” (I Coríntios 3:18-21)

[3] Para os irmãos que não estão familiarizados com o termo, marxismo é um conjunto de ideias, pensamentos, visão de mundo, construídos a partir das obras do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), que ao lado do seu companheiro, o também alemão Friedrich Engels (1820-1895), elaboraram as bases do dito Socialismo Científico.

[4] Hoje eu pressinto que Deus me direcionou para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, de maneira especial. Eu poderia ter abraçado o catolicismo (religião predominante em minha família), o espiritismo kardecista (tenho uma tia que inclusive fez uma dita cirurgia espiritual), e até mesmo as doutrinas das Testemunhas de Jeová, mas não. A igreja remanescente, que guarda devidamente a Lei de Deus, que foi preparada nestes tempos do Fim, esta, pelo amor de Deus e misericórdia, foi a que o Senhor apontou em minha vida, de modo que eu o Conhecesse inteiramente, em verdade.

[5] Meu tio morreu, inesperadamente, aos 57 anos de idade. Vivia em Alfenas-MG, não deixando filhos. Sofreu um derrame fulminante, abalando muito a minha família. Eu mesmo, sentindo-me fraco e incapaz diante da perda, me recusei em ir ao funeral. Ser ateu diante de uma perda familiar deste tamanho era uma situação que me causava ainda maior tristeza, pois eu não sabia nem o que dizer a alguns familiares.

[6] Eu cheguei a deixar minha esposa uma vez na porta da igreja e voltei pra casa. Ela acabou, desanimada, não mais retornando ao templo. É difícil quando dentro de uma família não há acordo religioso, a fé fica um pouco “manca”, menos fortalecida.

[7] “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:6.

[8] “...ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Apocalipse 21: 3-4.

[9] Este é o grande mal da humanidade, provocado pelo pecado: o egoísmo. Vivemos em mundo marcado por desigualdades gritantes, injustiças, numa sensação vendida aos quatro cantos que somos e estamos “cada um por si”. É a selvageria de uma ordem capitalista, que aliena o ser humano de tal modo que o ser curva-se diante do ter, da materialidade e das coisas como senhoras dos destinos de muitos. Não é difícil entender, pelo estudo da Palavra de Deus, porque as riquezas e mesmo os homens ricos desviaram-se dos caminhos do Senhor. Este mundo, do tempo do Fim, é onde a humanidade mais demonstra este amor ao “deus-dinheiro”, que possui uma natureza demoníaca. Daí é comum querermos encontrar soluções para o mundo a partir do próprio mundo, achando que do meio de tamanha podridão possa surgir a transformação, ou melhor a revolução. Eu mesmo pensei mudar o mundo, compreendê-lo segundo o uso de minha razão e buscar em teorias, filosofias, na mente humana proposições para a construção de um amanhã melhor, de um paraíso entre nós, produzido por homens! Que engano. A solução para este mundo não está dentro dele mesmo, pois este mundo é marcado pelo pecado, e Deus já anunciou que este mesmo mundo passará. Temos que nos santificar, dar as costas para o mundo e suas armadilhas de pecados, e esperar que no momento da grande justiça, estaremos ao lado do Senhor num outro lugar, numa nova Terra, a nova Jerusalém estabelecida a partir do histórico monte das Oliveiras.

segunda-feira, 25 de março de 2013

EVIDÊNCIAS - A história do Papado, 2013 TVNovo Tempo

sábado, 16 de julho de 2011

Jesus histórico: novas informações

A revista Superinteressante em sua edição do presente mês de julho traz como matéria de capa "Os anos ocultos de Jesus", trazendo sob a luz de novas análises de historiadores e arqueólogos do assunto uma nova compreensão do Jesus histórico.
Antes de revelar novos fatos trazidos pela matéria da revista é importante citar aqui os estudiosos usados como referenciais: John Dominique Crossan, Paula Fredriksen, Karen Armstrong, Bart D. Ehrman (autor de Quem foi Jesus? Quem Jesus não foi?) e Karl Kautsky (autor de A Origem do Cristianismo).
Jesus era carpinteiro (erro)
Jesus, assim como seu pai, José, eram pedreiros, e o erro de ser colocado como carpinteiro advém de uma má tradução da palavra grega "tekton".

Jesus tinha uma família pobre (erro)
Jesus e seus irmãos nunca passaram dificuldades, especialmente quando da reconstrução de Séforis (empreendida por Herodes Antipas) onde a economia do lugar fora reaquecida com as constantes obras de reconstrução que deram emprego a muitas pessoas, entre elas a família de Jesus (pedreiros).

Jesus não possuia um mentor ideológico (erro)
João Batista (um judeu de caráter essênio - uma das muitas seitas judaicas), o mesmo que batizara Jesus, fora durante anos o mestre do jovem Jesus. Após a morte de João Batista é que Jesus irá iniciar a sua vida de ensinamentos (apostolado, difusão de suas convicções ético-religiosas), milagres (em momentos cruciais da mitologia cristã como o fato de ter alimentado 5 mil pessoas com 5 pães e 2 peixes, ou mesmo andado sobre as águas).

Jesus nasceu em 25 de dezembro (erro)
Esta é uma data forjada, de maneira a relacionar o nascimento de Jesus a uma festa romana muito antiga - solstício de inverno (quando se comemorava o final do período de inverno, exatamente na noite mais longa do ano).

Jesus nasceu em Belém (erro)
O local de nascimento de Jesus é forjado para que ele se assemelhe a Davi, nascido em Belém. Há fortes indícios de que tenha nascido em Nazaré.

Barrabás foi libertado e Jesus condenado a morte (erro)
Não há esta figura na história de Jesus, Barrabás será uma personagem inserida nos evangelhos como um típico judeu fora da lei que recebia apoio popular por atacar romanos (ato comum após a destruição do Templo pelo imperador Vespasiano no ano 70). Vale lembrar que os evangelhos foram todos escritos tempos depois da vida de Jesus e não simultaneamente.
Herodes mandou matar todas as crianças de até dois anos de idade (erro)
Não há nenhum indício de que tenha ocorrido este massacre.