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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Trabalhando o vídeo "Camisetas Viajando"



Este vídeo é parte da proposta pedagógica do Estado de São Paulo no ensino de Geografia para os alunos do 8º ano dos anos finais do ensino fundamental.


Minha Análise

O documentário é, realmente, muito bom. Realiza uma crítica, sempre necessária, ao processo excludente da Globalização, ou melhor, da imposição do chamado "Livre Mercado".

No centro do que apresenta o vídeo temos a Zâmbia, país africano que, assim como outros, é refém de uma economia tão fragilizada que só resta à grande parte da população viver do comércio e consumo de produtos de segunda mão, doados em grande medida pelos países ricos do norte (EUA e Europa).

O interessante é que o vídeo não se limita a esta questão, e através de um pequeno levantamento histórico da Zâmbia, de seus recursos (em especial o cobre, tornado base da economia do país após sua independência), procura alavancar as causas, os fundamentos, que deixaram o país na miséria (com 80% da população vivendo em situação de extrema miséria). E aqui, então, cabe a análise crítica da globalização, e vemos como organizações supranacionais como o Bird e o FMI, concedem empréstimos impagáveis em troca do comprometimento social do país, especialmente impondo programas econômicos de caráter liberal, aprofundando a tragédia infraestrutural do país (aqui no Brasil, em meados dos anos 90, vivenciamos o gosto amargo destas políticas).

Entendo que, dependendo da turma que o professor tiver em mãos, não seria má ideia trabalhar, antes da exibição do vídeo, uma série de conceitos como "Globalização", "Livre Mercado", "Indústria Cultural", "Colonialismo", "Imperialismo", "Fundo Monetário Internacional", "Banco Mundial", "Liberalismo", e por fim, trazer aos alunos informações sobre a Zâmbia, sua história, dados sociais e econômicos deste país, e assim fundamentar melhor os alunos, de maneira a tornar mais compreendido o próprio documentário.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Eu, o "geógrafo"

Tenho trabalhado semanalmente com turmas do ensino fundamental e médio no conteúdo de Geografia, sim...Geografia. Esta disciplina até então tratada à distância nos meus estudos, análises, pensamentos, e eis que aqui em São Paulo cá estou ensinando Geografia aos jovens e adolescentes. Tem sido uma experiência nova, boa. Claro que a didática, o método, até então claros em minha mente quanto ao ensino de História, na Geografia passa a me exigir postura mais reflexiva - o que tem exigido que eu seja melhor professor.

Estudar e ensinar a Geografia tem me possibilitado conhecer e reconhecer melhor o nosso planeta, os fenômenos cósmicos e naturais que interferem em nossas vidas, e além, tem proporcionado um olhar mais dinâmico sobre a História e os fenômenos que seriam próprios da História.

História e Geografia, deixo claro, não são áreas co-irmãs como alguns pensam até hoje (reflexo dos tempos da Ditadura e do ensino de Ciências Sociais), porém são complementares, uma contribuindo à outra, enriquecendo toda análise/compreensão. Ensinar Geografia exige mais materialidade: mapas, globo, textos, imagens, projeções, vídeos, porque antes de tudo este conteúdo tem algo que se não é mostrado, visto, presenciado, ele sempre será manco, problema este que a História, teórica por excelência e episteme, não tem. Um bom professor, uma boa leitura, e algum interesse, bastam para um conhecimento mediano da História (em termos escolares, o suficiente). A Geografia, para ser bem assimilada, pede mais, pede material adequado e acessível. E ai, esbarramos nas limitações e problemáticas do ensino público nacional. Uma pena.