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terça-feira, 21 de abril de 2020

O erro tem nome e sobrenome


Gilmar Fraga: grande timoneiro | GaúchaZH

Quem nunca ouviu, por exemplo de sua mãe, algo do tipo "um erro não justifica o outro"? A frase vem bem a calhar quando tratamos da divisão política presente em nossa sociedade.
O erro, o grande erro, Jair Messias Bolsonaro.

Muitos que ainda o defendem, creio, o fazem sem convicção. Orgulho, e só. Um desejo de não abrir mão de suas escolhas, de ir até o fim insistindo no erro. Em parte, a beleza da democracia é justamente esta: a possibilidade de mudar o rumo, de em meio às instituições, promover correções. Como na teoria proposta por Rousseau, onde a soberania é popular e quando o governante "governa" alheio a este (promoção do bem comum) é mais que legítimo retirá-lo, destituí-lo.

O que Bolsonaro faz, em meio a uma pandemia mundial, não é promover o bem comum. Não há ética que coloque numa mesma balança a vida humana e a economia. Sem as pessoas aptas ao trabalho não há economia que funcione, nem minimamente.

Bolsonaro é resultado do fracasso do "projeto Dilma" (2010-2016), que definitivamente encurtou a pretensa hegemonia lulista, nem diria petista, porque o PT morreu afogado no próprio lulismo. Lula criou, depois hipertrofiou, e enfim matou o próprio partido cujas raízes históricas estão na luta dos operários do ABCD paulista, com apoio de setores progressistas da igreja católica e intelectuais em meio ao conturbado processo de redemocratização.

Bolsonaro foi uma opção, típica de classe média (e com o ressentimento que a caracteriza), como Fernando Collor de Melo havia sido nas eleições de 1989, ironicamente contra o Lula "raíz", barbas negras e desalinhadas, que falava em "não pagamento da dívida externa" e que ainda assumia uma roupagem "revolucionária" - algo que o tempo mostrou nada mais incoerente.

Conhecidos "influencers", jornalistas, pessoas midiáticas, que durante as eleições de 2018 namoraram certo bolsonarismo, com a justificativa, válida, de impedir novo governo do PT onde o ungido da vez era Fernando Haddad, hoje já recuaram e alguns, claramente, já pularam pra fora do barco do bolsonarismo: Reinaldo Azevedo, José Nêumanne, Nando Moura, Lobão, Carlos Vereza. 

O apelido "Bozo" retrata perfeitamente o caráter perfomático, ridículo, estúpido do atual comandante do poder executivo nacional. A pessoa parece ter sido elaborada como um personagem de programa de humor, de esquete do antigo Zorra Total, estapafúrdio.

Em pouco mais de um ano de governo, não há governo. Não há avanços ou projetos. A educação, setor que me caracteriza, é hoje tratada com viés ideológico, e só - diminuiram todos os investimentos da área, e os universitários são vistos pelo ministro como "maconheiros". A economia basta observar o dólar crescente, o desemprego que nunca recuou, a desindustrialização. A cultura, até outro dia era ocupada por uma figura nefasta que em propaganda institucional evocava a estética nazista, e hoje ocupada por aquela que vai deixar como herança só "o pum do palhaço".

Enfim, é mais que legítimo o início de um processo de impedimento contra tal figura. Cabe aos congressistas pararem de brincar de fazer política e assumirem a condução do país na crise que já é, facilmente, a grande crise dos últimos séculos. E você, que me lê, e votou em Bolsonaro, reflita. Será você cúmplice desse homem, e das mortes que ele está promovendo?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O caso Alvim é uma ameaça à ordem social

Um dos primeiros críticos da Revolução Francesa, Edmund Burke (filósofo irlandês), já afirmava que para o Mal triunfar bastava que os bons nada fizessem, ou "cruzassem" seus braços. Claro que eu não observo a realidade da vida de forma tão "preto no branco", de mocinhos e bandidos, e quem me ensinou isso, oras, a musa Clio (deusa da memória, e da História).

Dos maiores desafios de um professor, sobretudo de ciências humanas, é não ter posições, ou seja, como um velho e corcunda positivista obcecado por uma pretensa objetividade. Já coloquei isso aqui, e inúmeras vezes, nas humanidades não é possível que 2+2=4, existem muitas, e muitas possibilidades. Falar em verdades, histórica, sociológica, filosófica, etc...é ser presunsoço demais.

O assunto gera polêmicas, talvez até mesmo brigas. E eu levanto a bola "o bolsonarismo tem elementos nazifascistas?". 

O porquê da provocação surge na luz/da treva do vídeo divulgado pelo agora ex-secretário de Cultura (ou da ausência de) Roberto Alvim que anunciava, ao som de Lohengrin (utilizado pelos alemães nos campos de concentração enquanto os judeus eram vitimados à caminho do banho da morte), um Prêmio Nacional das Artes (20 milhões de reais), vociferando um discurso travestido de nacionalismo, baseado em falas do antigo ministro da propaganda nazista, Goebbels (1897-1945).



Assim dizia: a arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional.

Me apegando a frase, como ele poderia falar da arte da "próxima década", até onde eu saiba o mandato do atual presidente se encerrará em 2022. Heróica, oras, a arte tem por objetivo combater algum inimigo? Nacional, oras, a arte é expressão do indivíduo, do artista, que é parte de um contexto e uma sociedade, mas a arte seria um projeto de Estado?

Até na aparência do vídeo o antigo secretário encarna uma espécie de personagem. 

Fala que a cultura, proposta pelo presidente, seria para salvar a juventude. De quem? Eu entendo que a educação, a boa condução da economia do país, o acesso a saúde, ou seja, o Estado quando cumpre com o seu papel de promoção do bem estar social realmente salva o jovem, dando-lhe dignidade e pelo menos evitando que afunde na miséria. A conversa liberalizante, que tem os seus argumentos, só serve aos senhores do mundo, a quem já concentra renda, oportunidades, trancafiados em suas bolhas sociais.

Apregoar valores tradicionais como "pátria, família, Deus" num discurso sobre política cultural é, no mínimo, esdrúxulo. 

O governo, pressionado pela repercussão negativa, botou o rabo entre as pernas e mandou Alvim para o RH. O que assusta, de verdade, é observar que o Estado brasileiro hoje é comandado por pessoas não só despreparadas, mas de uma ignorância e ausência de bom senso nunca antes visto ou imaginado. Um secretário de Estado travestir-se de Goebbels, em pleno 2020, é um grande absurdo.

Mas, lembro Burke (no sentido de questionar até quando nós vamos cruzar os braços em meio a esta política regressista), esse governo já mostra que é o ovo da serpente, já é a serpente? Exagero meu, não sei. Isso que ocorreu é preocupante e inaceitável. O discurso de ódio, desde o período eleitoral, vai se tornar realmente uma política de ódio? 

O Presidente Bolsonaro, se fosse um homem coerente com o cargo que ocupa, teria deixado as eleições pra trás e assumido a condição de representante dos brasileiros, na totalidade de nossa sociedade. Falar em inimigos internos, apontar armas com as mãos, escolher mal os seus ministros, todos eles (não há um só aceitável, nem mesmo Moro - cuja parcialidade num processo jurídico já o desqualifica pro cargo). 

Eu espero, com sinceridade, não ver o governo do meu país abrir espaço para grupos e pessoas que ainda carregam pensamentos/ideologias que prezam pela violência, exclusão, estigmatização. Ou acordamos, de alguma forma, e a repulsa geral fez o governo agir, ou realmente um certo bolso-nazismo pode germinar e jogar o país numa crise social interna sem precedentes.




domingo, 3 de setembro de 2017

O professor está nu!

Ainda não "apreciei" por completo a resolução imposta pelo CEE-SP quanto aos procedimentos de avaliação dos nossos educandos, agora amparados legalmente para questionar toda e qualquer avaliação realizada pelo trabalho docente.

É mais do mesmo: burocratizar o trabalho nas escolas, dos educadores, tornando o "avaliar" um ato tão complexo, agora sob livre apreciação dos alunos, que o efeito natural disso tudo não será outra coisa senão a contra-avaliação, ou simplesmente o não-avaliar (ato de resistência imediato e simplista). Quem se dará o risco de ter que encarar um processo burocrático, envolvendo até as diretorias de ensino do estado, por um exercício avaliativo, uma prova, uma lição de casa, etc?

Lembrando que as condições de trabalho docente são as piores possíveis, a remuneração está defasada (no estado de São Paulo já vamos para 4 anos sem reajuste salarial algum), afora a violência escolar que tem sido uma sombra terrível dentro do ambiente de trabalho, a progressão continuada que na prática escolar tem sido aprovação automática; agora, a desconfiança recai, abertamente, sobre a avaliação do professor, que está sendo desnudado pelos membros do conselho estadual de educação de São Paulo. 

O princípio disso tudo é duplamente cruel: retira a autoridade pedagógica do educador, sob uma falsa aura democrática, e força uma situação que dificilmente qualquer educador segurará uma possibilidade de retenção escolar. Menos trabalhoso "liberar geral"....e servir de bucha para uma engrenagem (sistema educacional dos estados brasileiros, uma das coisas mais contraproducentes do mundo) que coloca no mercado de trabalho uma massa de jovens totalmente despreparados para a construção de um futuro digno, condenando os filhos(as) das periferias à marginalidade ou ao subemprego. 

Os professores tem que despertar para a luta política que terá que ser enfrentada, caso contrário seremos esmagados por setores privilegiados, de base liberal, que não querem assumir a educação como política pública, destruindo-a até ao ponto de  atingirem o sonho de privatizar ou terceirizar o ensino dos jovens deste país.

O CEE-SP é inimigo da escola pública, e é inimigo dos professores sobretudo. 

domingo, 10 de julho de 2016

É possível uma escola (ensino) sem partido?

A partir da participação do colega historiador Leandro Karnal no último "Roda Viva", exibido em 04/07/2016, foi elencado um debate sobre a possibilidade ou impossibilidade de uma "Escola sem Partido", projeto que eu particularmente desconheço. Karnal posicionou-se extremamente contrário ao projeto, desafiando todos nós a apresentarmos uma aula, especialmente uma aula de História (que no particular é o meu ganha-pão) onde não estivesse presente algum componente político.

O filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., conhecido youtuber, rechaçou a argumentação de Karnal rememorando os exemplos culturalistas, especialmente os franceses da revista Annales, e até mesmo quando do trato com a história da ciência, etc.

Esta é uma questão polêmica. Toda aula de história tem algum componente político?

Corremos um sério risco, reduzindo a ciência histórica como parte de um fenômeno, seja político, cultural, narrativo.

Entendo que para desnudarmos adequadamente a questão devemos lembrar, sempre, onde afinal acontecem as aulas de História. Claro, no ambiente escolar. E sob duas características preponderantes: na modalidade da educação básica, e em escolas da rede pública de ensino.

E aqui está, no meu entendimento, a chave do "castelo" para responder se é possível ou não uma "escola sem partido" - ensinamos, eu, praticamente todos os professores brasileiros (mesmo que em algum momento da carreira docente) numa escola pública, que dados indicam reunir mais de 80% dos estudantes do país.

A escola pública é, essencialmente, parte componente do Estado, enquanto instituição, seja em níveis municipal, estadual ou federal. E se é parte do Estado, se mantém vínculos estruturais e institucionais com aquilo que politicamente definimos como Estado, logo, ela é parte do "poder".

E por esta qualidade, intrínseca ao Estado, a escola pode até pretender ser "sem partido", mas ela concretamente não o será, porque a educação não ocorre fora de uma estrutura social, ampla, e enraizada no poder, nas instituições.

A discussão vem à luz, nos dias que vivemos no Brasil, em face a uma espécie de luta contra a esquerda, que estaria se utilizando da cultura, e aqui inserida a escola, para doutrinar gerações de modo a perpetuar grupos no poder (vide os anos Lula-Dilma). E assim, se justificaria uma vigilância ou reorientação ideológica nas escolas, de maneira a torná-la sem partido. Mas, como isso é possível se a escola é ligada ao MEC, às secretarias de municípios e estados, recebe investimentos internacionais como do Bird, é organizada segundo interesses e visões de partidos e grupos de intelectuais ligados a partidos, que sustentam programas de governos de prefeitos, governadores, etc.

Caso a educação fosse um componente pessoal, do núcleo familiar preparando os seus jovens, talvez poderíamos pensar numa escola apolítica. Porém, a escola é serviço social, organizada numa rede, num sistema, que foram estruturados muito mais por burocratas do que por educadores. E aqui, como descartar a existência do componente político, mesmo se em sala de aula você está ensinando os hábitos culturais dos povos ameríndios pré-colombianos? Quem definiu que você deve ensinar isso? E quando? E por quanto tempo? E que informações passar? Como avaliar se os alunos aprenderam? Quais os sentidos de se aprender isso, para a realidade vivida pelos seus alunos?

Mesmo com toda a abordagem culturalista, marcante na historiografia das últimas décadas, o ensino é uma prática, sine qua non, política.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aécio Neves é o mal necessário

É conhecida a frase de Lênin na defesa da NEP "é preciso dar um passo atrás, para em seguida dar dois passos adiante", no contexto em que propunha desenvolver o Capitalismo soviético para assim atingir o sonhado Comunismo (aqui presente um certo etapismo, marca do caráter profético presente no marxismo). Mas a conversa aqui é o nosso país, os rumos que poderemos tomar no 2º turno a ser disputado no próximo dia 26 de outubro. E aqui, pasmem, encaixo a frase e a lógica leninistas.

Aécio Neves Presidente é o nosso "passo atrás". Não que isso signifique, como vociferam os lulopetistas, um fracasso ao país, um retorno a tempos de crise, etc. Aécio é a quebra necessária ao regime lulopetista que domina o Estado brasileiro a 12 anos! Não há democracia que resista a um partido governando a tanto tempo assim, e assim a única opção viável a manutenção da democracia acaba sendo apertar 45 na urna eletrônica.

Muitos questionam, como pode um cara como eu, professor no estado de Minas Gerais por 7 anos, que realmente sentiu na pele a tecnocracia dos governos Aécio-Anastasia, agora declarar voto ao candidato tucano? Seria uma espécie de síndrome de Estocolmo? Não, não. Já disse via facebook, e agora reitero, o voto em Aécio é um voto pragmático, desapaixonado, pensando no que seria o menos ruim para o Brasil: aceitar a continuidade do regime lulopetista por mais 4 anos e dar crédito ao péssimo governo Dilma, ou aceitar o "passo atrás" tucano e provocar a necessária enxugada do Estado brasileiro, que sofre de obesidade mórbida, engordurado pela sujeira da corrupção e do toma-lá-dá-cá promíscuo com sua base "aliada" (espero que Aécio, como Presidente, me surpreenda e jogue o PMDB na oposição).

Se o mineiro, nos 4 anos que tiver, mostrar ineficiência, aprofundar o caos econômico que vivemos, ou cometer erros que foram cometidos não só pelo regime lulopetista mas pelos anos FHC, em 2018 lhe responderemos com um basta nas urnas, e em meio a este processo passaria o PT por uma necessária refundação, reestruturação, e autocrítica, fazendo bem ao país e a própria esquerda nacional. O PT necessitar distanciar-se do lulismo, radicalizar e junto ao povo promover a verdadeira governabilidade (e não promovendo conchavos com Collor, Sarney, Maluf, etc), o que, apesar da tão defendida opção pelos pobres em 12 anos fizeram muito pouco comparado ao que prometiam quando chegaram pela primeira vez ao poder com Lula nos idos de 2002.

Vale aqui também relembrar alguns colegas educadores, em especial os mineiros:
- os problemas da educação mineira não são um fenômeno partidário, nem regional.
- governos como o do falecido Presidente Itamar Franco (PMDB, aliado maior da candidatura Dilma) chegaram a atrasar meses de pagamento dos servidores públicos, inclusive da educação. Outros governos, como do ex-governador Newton Cardoso, também do PMDB, lidavam com as greves dos educadores de forma debochada e violenta.
- a educação brasileira, pela LDB 9394/1996, no seu ensino básico, estrutura-se nas esferas municipal (ed. infantil e fundamental) e estadual (médio e profissionalizante), cabendo ao governo federal uma atuação muito tímida (mais vinculada ao ensino superior, em especial). Assim, seja Dilma ou Aécio, falar em revolucionar a educação sem tocar na LDB é pura demagogia eleitoral. Nós professores não podemos cair nesse papo dos candidatos.
- o culpado pela situação de penúria da educação brasileira não é o governo, mas você ai. É a sociedade brasileira que não entende a educação como valor, é o aluno que aceita numa boa a progressão continuada, são os pais que transformaram a educação básica em creche porque são incapazes de educar os filhos. Quem corrói a escola pública, joga no lixo a educação nacional, dá carta branca para que os políticos tratem a educação da maneira que temos visto - como algo menor. É, por exemplo, acreditar que o ensino médio brasileiro será solucionado através de reformas curriculares! Que piada.

Na minha visão os brasileiros deveriam ter amadurecido e optado por outras candidaturas, rompendo com esta polarização besta entre tucanos e petistas (que na essência são filhotinhos mau-amados da Ditadura Militar e da Social-Democracia à europeia, que afundou a Europa como potência global via Welfare State/uma palavra mais chique e elaborada para o bolsismo que o PT pratica a mais de uma década). Luciana Genro, Marina Silva, Eduardo Jorge, teriam sido caminhos mais dignos e melhores para o país. Agora, resta votar em Aécio "na moral" (como diz o professor de Ética da USP Clóvis de Barros Filho) e pelo bem do Brasil assistir ao desmonte das raízes nefastas que o PT plantou no Estado brasileiro. Caso contrário, nos preparemos para assistir a "venezuelização brasileira".
Quem leva a melhor?



sábado, 5 de julho de 2014

"As vezes" um viaduto cai....


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vitória à seleção, derrota ao regime petista

Hoje dar-se-á o pontapé inicial para a Copa do Mundo de Futebol em terras brasileiras, depois de 64 anos, e o que esperar do torneio, dentro e fora de campo?
Posso aqui estar assumindo uma atitude "profética", mas acredito que muitos problemas serão escancarados e outros tantos serão escondidos por alguns anos, até que a "mestra da vida", a História, nos deixe à par de uma série de absurdos cometidos pelo Estado brasileiro durante a organização e ocorrência do evento. 
Rios de dinheiro público foram, são e serão desperdiçados em nome do evento, e os problemas nacionais, já que os olhares do mundo se voltam a partir de hoje para o país, ficarão flagrantes, latentes, com muita mobilização popular e política, nas ruas e nos gabinetes, até porque estamos em ano eleitoral, e sejamos vitoriosos em campo ou não os votos de outubro dialogam com tudo o que ocorre e ocorrerá nos gramados, estádios e cidades.
A Presidente Dilma está enfraquecida, em regiões privilegiadas do país, como o sul e o sudeste, a rejeição ao seu governo, ao seu estilo, ao seu partido em muitos casos, já é um sinal mais do que amarelo para suas intenções de mais quatro anos no Palácio do Planalto; se vier a derrota do time de Felipão, hum, viveremos um clima de negativismo que pode contaminar o processo político.
Médici, o general Presidente entre 1969-1974, tivera a sorte de contar com um dos maiores times de futebol de todos os tempos, com Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Jairzinho, etc. Dilma tem Neymar, mais nada. E isso pesa, pode crer que sim. O time de Felipão, querendo ou não o treinador, entra em campo para mais do que jogar futebol e conquistar um trófeu mundialmente cobiçado para o nosso futebol, mas também para recuperar um pouco do otimismo popular que é benéfico para um grupo político que deseja se manter no poder.
Dias atrás Dilma deu as caras em horário nobre da tv, e claro, já querendo colar a sua imagem à equipe brasileira que entrará em campo na Arena Corinthians (um dos filhotes do evento, com dinheiro público e não dos torcedores do clube) para enfrentar os croatas às 17:00. Ela precisa de um ambiente de otimismo, de povo nas ruas comemorando, inebriados, mais uma vitória brasileira. 
Difícil torcer em tempos tão radicalizantes, em que eu, você que me lê, certamente estamos cansados de ver o sofrimento do nosso povo, e porque não o nosso próprio sofrer (sou funcionário público, professor, no estado de São Paulo, e tenho uma noção bem nítida do que é a realidade do país, da maioria dos brasileiros que passam pelos bancos escolares e que na juventude dividiram boa parte de seu tempo e experiências comigo numa sala de aula). Pra um cara que como eu usa transporte público diariamente, que é educador em escola pública, que já utilizou o sistema público de saúde, que convive com os jovens e famílias seja em ambiente escolar, na igreja, etc, sei o quanto tem sido desafiador conter a revolta, e o impulso para a mudança, a veia revolucionária se aloca na nossa profundidade de Ser.
E assim, dentro deste contexto, desejo que a seleção brasileira faça uma boa campanha em campo e que os brasileiros acabem com o regime petista, seja no voto ou nas ruas por pressão popular.

Dilma à espera de um "milagre"..


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tempos de Anarquia

Desde os eventos de "junho de 2013" o Brasil não é mais o mesmo, e não é porque o "gigante acordou" ou bobagens similares, mas porque estamos assistindo ao renascer da Anarquia, seja como teoria revolucionária ou como metodologia de ação, de fato os "vândalos" e seus quebra-quebras entraram na ordem do dia.
Isso sem ainda concluir se estes grupos "black blocks" (uma tática de enfrentamento criada por grupos anarquistas europeus, os blocos negros) são genuinamente grupos anarquistas brasileiros ou se são grupos políticos ligados a interesses de outros grupos políticos (como no possível caso PSOL). De qualquer maneira a Anarquia, mesmo que difamada pela mídia e pelo status quo, voltou a ser encarada como algo mais, além, do que preconceituamente sinal de "bagunça".
Assim como o Socialismo, a teoria anarquista não é uma massa ideológica homogênea, ela possui ramificações, visões, divisões, a partir de um mesmo objetivo: a construção de um devir autogestionário, sem classes e sem Estado.
Até o florescimento do socialismo marxiano, em meados do século 19, era a Anarquia a teoria política, e a ação política que efetivamente desafiavam os liames da democracia liberal consolidada da época. E a repressão contrária mostrava-se tão intensa quanto as ações de terror que o Anarquismo empreendeu no século 19 e no começo do último século (vide por exemplo que um Presidente norte-americano, William McKinley, foi assassinado por um anarquista em 1901).
Com Marx e Engels, vitoriosos nos debates da I Internacional (especialmente contrários ao russo Bakunin), o Anarquismo começa a ir para os rodapés de página das ideologias de esquerda, e após a segunda guerra mundial já parece ser carta fora do baralho diante da bipolaridade URSS x EUA.
Por que então, supor um renascer de movimentos anárquicos?
Porque o socialismo de Estado, proles do leninismo/stalinismo, deu mostras de que nada mais foi senão uma Ditadura à esquerda, vencido historicamente pelas "vias democráticas" do Capitalismo (como o Estado de Bem-Estar Social, hoje em frangalhos na Europa, a Social-Democracia que por exemplo impera no Brasil desde o Plano Real, e até mesmo as vias do puro Liberalismo na Inglaterra e nos EUA). Assim, restam aos mais radicais, àqueles que desejam lutar por transformar o mundo ou algo correlato recuperarem o Anarquismo como ideologia, talvez como o meio "correto" em direção ao tão sonhado igualitarismo.
No caso brasileiro, a cada manifestação nas ruas, fico pensando se um anarquista clássico brigaria com a polícia exigindo "saúde, educação, transporte".....?? Creio que nada mais equivocado. O anarquista não pode lutar por isto pois entende que o Estado, por sua natureza mesma, não vai proporcionar nada de digno ao bem estar geral. Com o Estado não há negociata, pois ele é "O Inimigo". Para o anarquista o Estado não tem que cuidar de nada, pois ele sequer deveria existir, sendo substituido por uma nova organização social amparada na autogestão dos povos, em pequenas comunidades (seria um desejo de voltar a andar sobre quatro patas, como diria Voltaire?).
Assim, atentos, vamos assistindo a "tempos interessantes" (parafraseando Hobsbawm)...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O rolezinho como culto

Não, eu não vou demonizar os jovens que se organizam no dito "rolezinho", muito menos torná-los anjinhos barrocos desfilando em centros de compras - me nego a politizar o que está ocorrendo.
O Brasil que vivemos mais parece os anos 60, como vocifera o músico João Luis "Lobão", e tudo agora é visto na base do "8 - 80", "direita - esquerda", simplificando os fenômenos sociais através de uma leitura neurótica da luta de classes e de conceitos marxianos, em especial. Me perdoe, mas não vivemos a Guerra Fria.

O que é o "rolezinho" então?
Um fenômeno de mídia, que foi completamente absorvido por parcelas até então excluídas do tecido social. A meninada da periferia compreendeu que pode utilizar-se das redes sociais como ferramenta de organização, não política ou engajada nisso ou aquilo, mas como ferramenta de mobilização para o culto semanal ao "seu grande deus": o consumo.
Trabalho com adolescentes, jovens, grande parte próximos de comunidades carentes e excluídas, e sei o fetiche que está amalgamado em suas mentes, tomadas pelo "ter", pelo aparente. O jovem quer aparecer, quer ser percebido. Quando o garoto, de visual grotesco até, liga o funk dentro do ônibus pra todo mundo ouvir é algo mais complexo do que "falta de educação", é dizer, melancolicamente "ei vocês, aqui, sou eu, eu existo, olhem pra mim...."...ou seja, há carência fundamentada na sua atitude de desafiar o bom gosto, o bom senso.

Hoje grande parte dos jovens de nosso país, independente de classe social, é essencialmente consumista. Grande parcela dos endividamentos pessoais em nossa economia advém de pessoas mais jovens, em especial as meninas. Gasta-se todo o salário mínimo mensal (comum entre aqueles que estão começando no mercado de trabalho) em tênis, bonés, roupas, joias, relógios, celulares, eletrônicos, etc. Seus ídolos, arraigados na sociedade do espetáculo, são muitas vezes jovens negros que hoje desfilam todo este ideário de felicidade-Capital (Neymar, Ronaldinho Gaúcho, rappers e funkeiros, pagodeiros, etc).

Assim, utilizando-se das redes sociais e das facilidades da virtualidade, eles se mobilizam, semanalmente, para cultuarem, juntos, o deus-dinheiro. E qual o melhor lugar, o verdadeiro templo, do deus-dinheiro: shopping centers. Então, 200, 300, 2.000 meninos e meninas, andam por entre brilhantes corredores, vislumbram e adoram todos os objetos de seus desejos, e excitados pelo momento, pela idade, abrem espaço para possíveis e mais viáveis conquistas (dai o ficar, paqueras, etc). Acredito que tudo isto poderia, e deveria ser melhor digerido pela sociedade brasileira, o problema é o que estamos vivendo: politização extremada entre setores da sociedade, que buscam a seu modo conquistar a classe média (a eterna insatisfeita, com medo da pobreza e com inveja dos ricos).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sobre libertação jurídica e libertação étnico-racial

No texto sobre o filme "Lincoln" acredito que ficou no ar, para alguns, o que vem a ser "libertação jurídica" dos negros, contrariamente a uma esperada libertação étnica ou racial.
Liberdade jurídica, no contexto da aprovação da 13º Emenda Constitucional estadunidense, é considerar a população negra liberta de qualquer forma de trabalho escravo ou servil: uma tradição sulista e que era desejo dos ditos Confederados levá-lo aos confins do oeste americano (o que alguns historiadores chamam de imperialismo do algodão). Com a aprovação da emenda, sob batuta de Lincoln e os "radicais" do Partido Republicano (sim, como imaginar isso quando nos tempos atuais vislumbramos a família Bush, o grupo tea party, comandando o partido que já tivera entre os seus George Washington e o próprio Abraham) os negros deixavam de ser considerados propriedade, legitimando-os como seres humanos, porém sem os mesmos atributos sociais, políticos, econômicos dos americanos brancos.
Seja no norte medioclassista e industrial, seja no agrícola e violento sul dos Confederados, ambos consideram o negro "um homem à parte", indigno, por exemplo, de votar ou mesmo ser eleito para ocupar cargos públicos (algo que acontecia, de maneira semelhante, com as mulheres).
Lincoln libertou os negros do trabalho escravo, e estes estavam livres para permanecerem em situação desfavorável na sociedade americana, dai a continuidade nefasta de uma política racial de segregação - que irá de maneira angustiante marcar a vida estadunidense ao longo do século seguinte (vide as lutas de Martin Luther King, Malcolm X, a organização dos Black Panters, a violência da KKK, etc).
A eleição e reeleição, históricas, de Barack Husein Obama promoveram a libertação real dos negros dos Estados Unidos? Creio que não, pois os índices sociais e econômicos, quando comparamos brancos e negros, seja nos EUA ou no nosso Brasil, ainda apontam para uma discrepância enorme, unindo desigualdades classistas e raciais.





quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Para Documentário ex-Presidente Jango morreu assassinado

Esta semana pude assistir no Canal Brasil (canal 55 da Sky) o documentário "Dossiê Jango", marcado por imagens, áudios, depoimentos/entrevistas, cujo enfoque seria o assassinato do ex-presidente brasileiro pela "Operação Condor" (organização paramilitar formada, em 1975, pelas ditaduras de Bolívia, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil, com o objetivo de exterminar grupos e pessoas ligadas à resistência de esquerda).

Na oficialidade Jango morrera vitimado por um fulminante infarto, até porque sofria verdadeiramente de cardiopatias, em meio a seu exílio político em território argentino (também passou largos períodos no Uruguai). Já "Dossiê Jango" ilustra uma história diferente: o ex-Presidente teria sido vítima de uma suposta troca de medicamentos, sendo então assassinado por uma espécie de "envenenamento" provocado por um agente do Condor. 

Segundo o documentário, produzido por Paulo Henrique Fontenelle, Jango teria sido morto dentro da ótica condoriana de que, além deste ser uma liderança popular e de parte da história democrática do Brasil, o ex-presidente mantinha conexões políticas com lideranças latino-americanas que faziam oposição aos regimes instaurados no continente (todos com as bençãos do Império estadunidense). Vale acrescentar que o filme também aponta para o Condor as responsabilidades pelas mortes do também ex-presidente Juscelino Kubitschek (na oficialidade morto num acidente automobilístico em 22/08/1976 na rodovia Presidente Dutra) e do ex-governador da Guanabara e histórico líder udenista Carlos Lacerda (na oficialidade vítima de um infarto dentro da Clínica São Vicente, quando buscava tratar-se de uma gripe em maio de 1977).

Minha opinião profissional é de que são, no mínimo, suspeitas as mortes de Jango, JK e Lacerda, num curto intervalo de tempo. Para ampliar o debate, e as próprias sombras que recobrem a morte de Jango, o documentário ilustra que muitas pessoas ligadas direta ou indiretamente a morte de Jango (cujo corpo não foi sequer realizado laudo, perícia após a sua morte, sendo um verdadeiro transtorno o seu traslado para São Borja-RS, onde fora sepultado) acabaram morrendo de causas estranhas, muitas delas também por infarte! Vale ressaltar que a Operação Condor é uma realidade histórica e ela foi muito ativa, vitimando, entre outros o general chileno Carlos Prats (set.1974) e o ex-ministro chileno Orlando Letelier (set. 1976).







terça-feira, 27 de agosto de 2013

Medicinismo à Brasileira

Tentam politizar a urgência, dramática, de quem hoje está, seja na periferia de grandes centros urbanos ou nos confins deste país abandonado, e doente, à própria sorte.
Eu, que já passei noite em corredor de hospital com esposa passando mal com hipertensão, conheço o sentimento de quem precisa, pra ontem, de atendimento médico. Não importa se brasileiro, português, cubano, marciano, ou se é comunista, isso ou aquilo outro.
Claro, o governo reconhece o fracasso do SUS, mas também devemos reconhecer a má vontade, o cinismo, da classe médica brasileira - muitas vezes formada por médioclassistas e elites que historicamente nutrem desprezo pelo povo, e jogam na lixeira o juramento de Hipócrates.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Hiroshima 60 anos

Traduzindo: na tv "sexagésimo aniversário da explosão atômica de Hiroshima/Japão", em que o menino, no colo de seu pai, indaga: "Que grupo terrorista fez aquilo?".

Resposta histórica ao garoto: o maior grupo terrorista do século XX, do alto de sua arrogância imperial. Ou mesmo respondendo escatologicamente (tendo como base o livro joanino do Apocalipse) - o braço político-militar, "laico", da besta.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bebê (ir)Real Britânico

Sinceramente é difícil aceitar (claro, como brasileiro habituado a viver numa República, mesmo que de bananas) o fetiche britânico sobre a família real, sua monarquia. Politicamente pouco ou nada representam ao país, sendo este uma Monarquia Constitucional (Parlamentarista) - cabendo a rainha Elizabeth II o papel de "chefe de Estado" que lhe dá direitos como o comando das tropas ou mesmo representatividade no estrangeiro. A economia, suas decisões e planificação, está nas mãos dos políticos de carreira, assim como projetos de desenvolvimento para o país. Então, de onde sobrevive o fetiche pela monarquia? Por que ela se sustenta, e dos impostos britânicos, até os dias de hoje?

A cultura. Sim, a monarquia britânica é hoje um fenômeno das mentalidades e não um fenômeno político. Alguns especialistas, quando querem explicar o fetiche presente na sociedade estadunidense sobre esta mesma família real, indicam até a maciça produção dos estúdios da Disney ao longo de décadas com suas rainhas, princesas, príncipes, etc. Ou seja, ainda persiste, nas mentalidades, um fetiche ligado a toda uma estética e conduta dos "contos de fadas". 

O nascimento do bebê "real" é um evento. Qual será o nome do pequenino príncipe, filho dos aristocráticos William e Kate (há disputas ocorrendo nas famosas bolsas de apostas londrinas)? Vive, britânicos e até não-britânicos, a fantasia "real" de presenciar pílulas da vida, nada monótona, da família real britânica. E pior, vislumbrando que esta mesma família tem os seus pecados, muitas vezes escancarados publicamente (vide a separação de Charles e Diana, a vida pessoal da ex-princesa que inclusive encaminhou o seu fim trágico num acidente de carro). 

De qualquer forma é bom sinalizar que a imagem da família real britânica vem se descascando ao longo do tempo, num mundo que escancara o privado em público (misturando os dois, descaracterizando o que é um e outro), globalizado e "desencantado" (no sentido weberiano do termo).  Fica claro que os príncipes do século XXI não só promovem bailes e muito menos são exemplos de dignidade, estes usam drogas, se divorciam e nem governam os seus países. A realidade vai, lentamente (como é natural nas mudanças mentais), corroendo o velho glamour real. Contudo, este glamour ainda subsiste e fica evidente nestes poucos dias de vida do bebê (ir)real britânico.




domingo, 21 de julho de 2013

Padaria Político-Partidária do Brasil


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Primeiras impressões de um "Brasil nas ruas"



Sobre os acontecimentos ocorridos em nosso país, ao longo da realização da Copa das Confederações da FIFA 2013, é necessário dizer que me encontro observante sobre o tema em destaque.

Nunca é demasiado reafirmar as limitações impostas pela chamada "História do Tempo Presente", em especial quando se espera do historiador uma análise mais precisa a respeito dos fenômenos humanos e sociais.

O tempo, neste caso, é um senhor bem vindo. O momento é observar, atentamente, as respostas políticas e institucionais do Estado brasileiro para dai iniciarmos uma análise mais precisa sobre os protestos e movimentos organizados no Brasil, em perspectivas de causas, efeitos, consequências a médio-longo prazos.

Neste processo, deixo uma questão: serão estes protestos genuínos movimentos populares? Ou seria um fenômeno médio-classista? Num primeiro momento o que poderia dizer é que o saldo destas manifestações é algo meramente político, não social. Assim, a Presidente Dilma Rousseff é, desde já, quem mais perdeu com os eventos ocorridos nas ruas do país.

Socialmente, acredito que serão insignificativas as mudanças (isto se estas mesmo ocorrerão); contudo, o establishment lulopetista sofre sérios abalos estruturais, talvez aventando alternância de poder nas mãos de uma nova liderança nacional ou algo do tipo.

Esperemos, com paciência e atenção.



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Triste realidade brasileira...


sábado, 9 de março de 2013

Hugo Chávez e sua democracia real

Para a imprensa "chapa branca", pigiana (tomando emprestado o termo de Paulo Henrique Amorim), os pouco mais de 10 anos de governo chavista, bolivariano, na vizinha Venezuela, representariam atrasos político-econômicos em um país abençoado por riquezas petrolíferas, e que, em virtude de sua posição esquerdista pouco ou mal aproveitaram o boom da alta de preços dos barris de ouro negro...

Falam isso, e não me surpreende, porque na visão de tecnocratas, economicistas de gelo, que tanto representam tucanato e parte até do governo lulopetista, os rendimentos da riqueza nacional devem ser utilizados pra tudo, menos na promoção de real justiça social.

O que move os nossos irmãos venezuelanos a sair às ruas e prestar homenagens constantes ao comandante Chávez, que como o também revolucionário russo Lenin será embalsamado, foi justamente a atitude corajosa e transformadora do carismático líder em depositar as benesses do petróleo na promoção de políticas habitacionais ou mesmo na erradicação do analfabetismo (é comum que cada família, mesmo a mais pobre e humilde, tenha em mãos a Constituição Bolivariana). Problemas, claro, o país ainda enfrenta e não são poucos: criminalidade em alta, o horizonte político na ausência de Chávez e o virtual comando de Nicolás Maduro, etc. Contudo, quem repassar o histórico venezuelano anterior ao período chavista e bolivariano irá reparar em como o país passou por profundas e democráticas transformações. Lembrando aos ingênuos que democracia é tudo, menos a simples representatividade através do voto (como vivenciamos por aqui a cada quatro anos) - a verdadeira democracia é governar para e com os pobres. E isso, companheiros e companheiras, isto Hugo Chávez fez!

Que Deus guarde vossa alma no dia do juízo, em nome de todos os humilhados latino-americanos...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Adeus Presidente Hugo Chávez (1954-2013)