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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Capela dos Aflitos - a supressão da memória negra na Liberdade.

 Fotos e edição by Roberta Barsotti.





Por alguns dias permanecemos no bairro da Liberdade, em São Paulo, e claro, no senso comum entendido como um local tipicamente oriental, ou pior exclusivamente "japonês" (há coreanos, chineses, tailandeses, por exemplo).
Não, não...a História, mestra Clio, fala de algo bem diferente. A Liberdade carrega este nome a partir de suas origens negras, em especial com o soldado Francisco José das Chagas, o "Chaguinhas", cujo enforcamento não se consumou por 3x quando a corda arrebentou e as pessoas próximas pediam por sua liberdade. Chaguinhas acabou executado enforcado por uma espécie de cinta de couro, condenado no início do século XIX por ter se rebelado contra os baixos soldos dos militares de então.
Chaguinhas foi mais uma vítima, negra, do Largo da Forca (hoje Praça Liberdade-Japão), e ali naquela região/quadra entre os séculos XVIII e XIX havia o Cemitério dos Aflitos (1774) e posteriormente a Capela dos Aflitos (1779). Oras, como assim "aflitos"? Era o local para sepultamento dos mais pobres, dos negros, indígenas, e também dos condenados e executados no Largo da Forca.
Hoje a região está repaginada, a partir da chegada dos orientais em 1912, passando pela instalação das conhecidas luminárias na década de 1970 (presente até mesmo na rua dos Aflitos, de frente a capela e descaracterizando totalmente o local e sua historicidade), e culminando com o acordo entre a gestão Doria/Covas e a loja Ikesaki que renomearam a praça e a estação do metrô como "Japão-Liberdade" em 2018.
A Liberdade, que deveria ser reflexo da nossa diversidade e respeitando a História, virou símbolo de um projeto de exclusão (de caráter racial e social) e de gentrificação (elitização de uma área).
Uma pena que na visita dos últimos dias a Capela estava fechada, e as missas são realizadas ali apenas às segundas-feiras para um pequeno público de até 20 pessoas.
O local é identificado por sensitivos como um ambiente de sofrimento, onde muitas almas perdidas buscam por luz.
E tem gente que ainda duvida da utilidade do conhecimento histórico....ele é capaz de conscientizar, identificar, dar sentidos (caráter teleológico), desnudar a realidade. O olhar do historiador é, realmente, "além do alcance" como diria o líder Thundercat!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

A Felicidade está além das coisas, em Marcuse

Herbert Marcuse (1898-1979), considerado um dos ícones do pensamento contracultural da década de 1960 (participando, ativamente, dos eventos engajados de 1968), é um intelectual partícipe da chamada "Escola de Frankfurt" ou filósofos "frankfurtianos", ao lado de Walter Benjamin, Theodor Adorno, Eric Fromm, Jürgen Habermas.

O trecho selecionado para esta postagem trata do tema, aristotélico, da felicidade (eudemonia ou eudaimonia). É parte da publicação de 1965 "Cultura e Sociedade" (Kuttur und Gesellschaft I), que reúne textos produzidos por Marcuse para a Revista de Pesquisa Social, produzida pelo Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt entre 1934-1938.

Com as palavras, mestre Marcuse:


O mundo do necessário, da provisão cotidiana da vida, é inconstante, inseguro e não livre - essencialmente e não só de fato. Dispor sobre os bens materiais nunca constitui inteiramente obra da sabedoria e da laboriosidade humanas; eles se encontram sob o domínio do acaso. O indivíduo que coloca seu objetivo supremo, sua felicidade, nesses bens, se converte em escravo de homens e de coisas que se subtraem a seu poder: renuncia à sua liberdade.

Riqueza e bem-estar não são alcançados e mantidos por sua decisão autônoma, mas devido a favores mutáveis de relações imprevisíveis. Portanto os homens subordinam sua existência a um fim em seu exterior. Que um fim exterior por si só já atrofie e escravize os homens, implica o pressuposto de uma ordem perversa das condições materiais de vida, cuja reprodução é regulada pela anarquia de interesses sociais opostos entre si, uma ordem em que a manutenção da existência geral não coincide com a felicidade e a liberdade dos indivíduos. 

Na medida em que a Filosofia se preocupa com a felicidade dos homens - e a teoria da Antiguidade clássica insiste na eudemonia como o bem supremo -, ela não pode encontrá-la na constituição material vigente da vida: ela precisa transcender a faticidade desta.

MARCUSE, Herbert. Cultura e Sociedade vol. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1997, p. 90.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O caso Alvim é uma ameaça à ordem social

Um dos primeiros críticos da Revolução Francesa, Edmund Burke (filósofo irlandês), já afirmava que para o Mal triunfar bastava que os bons nada fizessem, ou "cruzassem" seus braços. Claro que eu não observo a realidade da vida de forma tão "preto no branco", de mocinhos e bandidos, e quem me ensinou isso, oras, a musa Clio (deusa da memória, e da História).

Dos maiores desafios de um professor, sobretudo de ciências humanas, é não ter posições, ou seja, como um velho e corcunda positivista obcecado por uma pretensa objetividade. Já coloquei isso aqui, e inúmeras vezes, nas humanidades não é possível que 2+2=4, existem muitas, e muitas possibilidades. Falar em verdades, histórica, sociológica, filosófica, etc...é ser presunsoço demais.

O assunto gera polêmicas, talvez até mesmo brigas. E eu levanto a bola "o bolsonarismo tem elementos nazifascistas?". 

O porquê da provocação surge na luz/da treva do vídeo divulgado pelo agora ex-secretário de Cultura (ou da ausência de) Roberto Alvim que anunciava, ao som de Lohengrin (utilizado pelos alemães nos campos de concentração enquanto os judeus eram vitimados à caminho do banho da morte), um Prêmio Nacional das Artes (20 milhões de reais), vociferando um discurso travestido de nacionalismo, baseado em falas do antigo ministro da propaganda nazista, Goebbels (1897-1945).



Assim dizia: a arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional.

Me apegando a frase, como ele poderia falar da arte da "próxima década", até onde eu saiba o mandato do atual presidente se encerrará em 2022. Heróica, oras, a arte tem por objetivo combater algum inimigo? Nacional, oras, a arte é expressão do indivíduo, do artista, que é parte de um contexto e uma sociedade, mas a arte seria um projeto de Estado?

Até na aparência do vídeo o antigo secretário encarna uma espécie de personagem. 

Fala que a cultura, proposta pelo presidente, seria para salvar a juventude. De quem? Eu entendo que a educação, a boa condução da economia do país, o acesso a saúde, ou seja, o Estado quando cumpre com o seu papel de promoção do bem estar social realmente salva o jovem, dando-lhe dignidade e pelo menos evitando que afunde na miséria. A conversa liberalizante, que tem os seus argumentos, só serve aos senhores do mundo, a quem já concentra renda, oportunidades, trancafiados em suas bolhas sociais.

Apregoar valores tradicionais como "pátria, família, Deus" num discurso sobre política cultural é, no mínimo, esdrúxulo. 

O governo, pressionado pela repercussão negativa, botou o rabo entre as pernas e mandou Alvim para o RH. O que assusta, de verdade, é observar que o Estado brasileiro hoje é comandado por pessoas não só despreparadas, mas de uma ignorância e ausência de bom senso nunca antes visto ou imaginado. Um secretário de Estado travestir-se de Goebbels, em pleno 2020, é um grande absurdo.

Mas, lembro Burke (no sentido de questionar até quando nós vamos cruzar os braços em meio a esta política regressista), esse governo já mostra que é o ovo da serpente, já é a serpente? Exagero meu, não sei. Isso que ocorreu é preocupante e inaceitável. O discurso de ódio, desde o período eleitoral, vai se tornar realmente uma política de ódio? 

O Presidente Bolsonaro, se fosse um homem coerente com o cargo que ocupa, teria deixado as eleições pra trás e assumido a condição de representante dos brasileiros, na totalidade de nossa sociedade. Falar em inimigos internos, apontar armas com as mãos, escolher mal os seus ministros, todos eles (não há um só aceitável, nem mesmo Moro - cuja parcialidade num processo jurídico já o desqualifica pro cargo). 

Eu espero, com sinceridade, não ver o governo do meu país abrir espaço para grupos e pessoas que ainda carregam pensamentos/ideologias que prezam pela violência, exclusão, estigmatização. Ou acordamos, de alguma forma, e a repulsa geral fez o governo agir, ou realmente um certo bolso-nazismo pode germinar e jogar o país numa crise social interna sem precedentes.




terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Curitiba: aprender é sair nas ruas.

Por cerca de quatro dias permaneci na capital paranaense. É de conhecimento quase comum afirmar que a cidade de Curitiba (antiga Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, séc. XVII - e os pinheiros/araucárias são parte constante e viva de sua paisagem, daí o nome de origem guarani quanto a grande quantidade de pinheiros) preza pelo seu vanguardismo, modernidade. Cidade "modelo", símbolo de organização, racionalidade, asseio. 


Não é incomum o meu ceticismo. E habituado com a vida aqui do Sudeste e de suas metrópoles e mazelas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte em especial), o meu olhar perante a cidade modelo dos paranaenses à todo instante buscava realizar conexões e desconexões com as três capitais aqui elencadas. E a conclusão reforça o olhar comum: cidade bela, arborizada, organizada, limpa.

Mas, há nuances que eu só pude observar in loco
- uma juventude de personalidade, e não foram poucos àqueles que na aparência já transpiravam transgressão, em especial nas múltiplas/conjuntas cores de cabelos e até barbas.
- uma miscigenação intensa, marcada pelos múltiplos encontros de portenhos, japoneses, ucranianos, italianos, poloneses, alemães, gáuchos, paulistas e nordestinos.
- o design e o urbanismo, reforçando o sentido de estar dentro de uma cidade planejada/pensada. 


Foi uma ótima experiência, reforçando que viajar é, verdadeiramente, uma estratégia de aprendizado vivo. O intelectual de gabinete pode até apresentar análises bem fundamentadas, mas reunir estas capacidades com a experiência sensível, estar entre as pessoas, lugares, paisagens, enriquece, exponencialmente, aquilo que os filósofos alemães denominam "Weltanschauung": a visão de mundo.



Ler é essencial, escrever também. Porém, ao preparar sua bagagem, sair da rotina e da casa, portanto viajar, apreende-se um novo vocabulário, assim podemos dizer. Vocabulário que aglomera pessoas, culturas, espaços, histórias, idiossincrasias, sabores, cheiros, observações.
tradicional barreado

Estes dias no Paraná, que não foram assim tão planejados, acabaram sendo momentos de real aprendizagem. E não só deixo a dica para os que me lêem para conhecer a cidade, como mais que nunca enquanto educador fica a certeza de que não há conhecimento real sem botar os pés nas ruas.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Está chegando a "festa da carne" patrocinada pelo Capital e por Satã

Eu não gosto do Carnaval. Respeito aos que pensam contrário e buscam satisfação nesta festividade (muitos dos meus melhores amigos sempre curtiram o evento, e eu mesmo quando mais jovem tive a oportunidade de participar de alguns), mas eu não gosto.
O Carnaval é a dita "festa da carne", sintonizando cristianismo e paganismo desde a época medieval, e representaria um grande "desbunde", marcado por inversões e excessos, após uma série de momentos de introspecção religiosa de natureza católica (Natal, Quaresma, por exemplos). Ou seja, depois de uns tempos em meditação, reflexão, renúncias, eis que chega o momento de desforra, dando vasão a muitas coisas que nosso superego tende a algemar no inconsciente! E ai, bom, o homem veste de mulher e rebola na rua, sacaram...o lixeiro que é humilhado semanalmente veste a luxuosa roupa, brilhante, de príncipe árabe, rei disso ou daquilo....a cantineira da escola vira "rainha da bateria", e vamos invertendo a realidade pelo menos por um momento!
A minha formação cultural, política, filosófica e agora religiosa insistem em me manter com os dois pés no chão, em suma eu não tolero sair da realidade a este ponto que o Carnaval propõe. Me recuso a fechar os olhos para as dores do mundo, e fingir que vamos muito bem...
Outros fatores também me afastam do Carnaval, em especial o modelo de festividade que se vende a algumas décadas: menos popular, mais show bizz! O Carnaval sai das ruas, e se estrutura em torno de uma indústria do entretenimento (escolas de samba, grupos musicais, clubes, boates, desfiles, micaretas, etc)
Hoje o Carnaval é um apêndice da indústria do álcool, da música, do sexo. Nada mais carnavalesco que um jovem travestido com uma camiseta "vip", embriagado, em busca de momentos de prazer líquido, instantâneo (como tão bem exemplifica os textos do sociólogo polonês Zigmunt Bauman), com qualquer mulher que cruzar o seu olhar. Oh...quanto vazio existencial se esconde em cada sorriso.
Nas televisões, no Sambódromo, mulheres desfilam seus corpos, trabalhados pela ciência que produz ilusões, vendendo-se como séculos atrás ocorriam nas feiras de escravos. Quem dá mais? Que seios, coxas, pernas, bundas, quanto custam? E a indústria do entretenimento, mais pueril e rasteiro, gargalha de mãos dadas com Satanás (em termos espirituais ainda há dúvidas da origem de tudo isso?).
Sinceramente, durante mais um Carnaval, e no Brasil, eu tenho muitas outras coisas com que me preocupar e ocupar minha mente e atenções. Porém, nunca é demais propor as pessoas, de mente aberta e dispostas a se libertar, que repensem e reflitam sobre os sentidos, intrínsecos e extrínsecos relativos a festa da carne.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bebê (ir)Real Britânico

Sinceramente é difícil aceitar (claro, como brasileiro habituado a viver numa República, mesmo que de bananas) o fetiche britânico sobre a família real, sua monarquia. Politicamente pouco ou nada representam ao país, sendo este uma Monarquia Constitucional (Parlamentarista) - cabendo a rainha Elizabeth II o papel de "chefe de Estado" que lhe dá direitos como o comando das tropas ou mesmo representatividade no estrangeiro. A economia, suas decisões e planificação, está nas mãos dos políticos de carreira, assim como projetos de desenvolvimento para o país. Então, de onde sobrevive o fetiche pela monarquia? Por que ela se sustenta, e dos impostos britânicos, até os dias de hoje?

A cultura. Sim, a monarquia britânica é hoje um fenômeno das mentalidades e não um fenômeno político. Alguns especialistas, quando querem explicar o fetiche presente na sociedade estadunidense sobre esta mesma família real, indicam até a maciça produção dos estúdios da Disney ao longo de décadas com suas rainhas, princesas, príncipes, etc. Ou seja, ainda persiste, nas mentalidades, um fetiche ligado a toda uma estética e conduta dos "contos de fadas". 

O nascimento do bebê "real" é um evento. Qual será o nome do pequenino príncipe, filho dos aristocráticos William e Kate (há disputas ocorrendo nas famosas bolsas de apostas londrinas)? Vive, britânicos e até não-britânicos, a fantasia "real" de presenciar pílulas da vida, nada monótona, da família real britânica. E pior, vislumbrando que esta mesma família tem os seus pecados, muitas vezes escancarados publicamente (vide a separação de Charles e Diana, a vida pessoal da ex-princesa que inclusive encaminhou o seu fim trágico num acidente de carro). 

De qualquer forma é bom sinalizar que a imagem da família real britânica vem se descascando ao longo do tempo, num mundo que escancara o privado em público (misturando os dois, descaracterizando o que é um e outro), globalizado e "desencantado" (no sentido weberiano do termo).  Fica claro que os príncipes do século XXI não só promovem bailes e muito menos são exemplos de dignidade, estes usam drogas, se divorciam e nem governam os seus países. A realidade vai, lentamente (como é natural nas mudanças mentais), corroendo o velho glamour real. Contudo, este glamour ainda subsiste e fica evidente nestes poucos dias de vida do bebê (ir)real britânico.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma noite em 67 - Completo

Assistam abaixo o ótimo documentário "Uma Noite em 1967", que tive o prazer de ter visto no Canal Brasil dias atrás.
O vídeo retrata um dos Festivais de Música da velha Rede Record, vencido por Edu Lobo com seu "Ponteio", mas que apresentou ao Brasil canções como "Alegria, Alegria" (Caetano Veloso), "Domingo no Parque" (Gilberto Gil), e "Roda Viva" (Chico Buarque).



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Benjamin Béchet "Ícones da Cultura Pop e a Crise Econômica"

BATMAN FRENTISTA

BRANCA DE NEVE PROSTITUTA

SPIDER-MAN LIMPADOR DE VIDROS

MICKEY MOUSE SEM-TETO

PATETA CAMELÔ

URSINHO POOH PEDREIRO

Dados apontam: o brasileiro não consome cultura!

Pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ indica, que em 2011:
28% dos brasileiros leram um livro.
24% dos brasileiros foram ao cinema.
24% dos brasileiros foram a um show musical.
9% dos brasileiros foram a uma peça teatral.
Logo, em números absolutos
Apenas 43% dos brasileiros fizeram algum programa cultural no último ano!
A partir desta triste realidade nacional pergunto "o brasileiro não consome cultura porque não se interessa pela cultura tradicional ou ele não tem acesso a mesma?", ou seja, o problema está no brasileiro como ser social ou o problema seria meramente econômico? Falta interesse-vontade ou grana?
Arrisco-me a dizer que são ambas as coisas. Não há no brasileiro médio um interesse em consumir cultura, e isso eu constato entre os meus próprios familiares, em especial nos mais velhos (sempre pragmáticos, e também pelo histórico apático de uma vida de privações ou mesmo da completa ausência de estímulos culturais); e claro, dentro de um país extremamente desigual sempre faltará recursos para que as pessoas tenham lazer e  entretenimento.

Dentro da lógica econômica do problema é fácil compreender a partir de um exercício simples, como um estudo de caso: pensemos em uma família nuclear clássica (casal + duas crianças) e um programa familiar simples como ir ao cinema (dentro do shopping center mais próximo de casa, e todos utilizando transporte público para o passeio); logo
R$ 25,00 transporte público ida e volta
R$ 50,00 ingressos (duas inteiras e duas meia entradas)
R$ 30,00 dois combos com pipoca e refrigerantes
Total do passeio: R$ 105,00!!
Valor atual do salário mínimo: R$ 622,00; ou seja, um único passeio com a família pode consumir quase 20% do salário mínimo....em suma cultura é um bem ainda muito caro neste país. Dai a difusão sem fim da pirataria nas ruas.

Eu mesmo, um professor do ensino médio, ainda tenho dificuldades em consumir cultura. Lembrando que para um educador o consumo cultural é um insumo fundamental para manter-se um bom e atualizado profissional. Leio muito, mas menos do que gostaria. Vou ao cinema e ao teatro, mas menos do que gostaria. Música, é ainda mais complicado, primeiro porque Belo Horizonte não é tradicionalmente uma cidade de grandes eventos musicais (geralmente somos obrigados a ir até São Paulo ou Rio de Janeiro) e mesmo assim quando acontece algum evento o ingresso não sai por menos de R$ 200,00 (que paguei, por exemplo, para assistir o show de Ozzy Osbourne no Mineirinho em 2011). Agora até o futebol, antes democrático, agora cada vez mais elitizado. 

E assim, a ascendente classe C compra televisor de plasma em 24x, carro popular em 48x, e continua assistindo dvd pirata a R$ 2,00 comprado na esquina de casa ou no shopping popular das grandes cidades; revistas, assinatura de jornais, internet banda larga, tv à cabo, sonhos ainda distantes...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Entrevista com o antropólogo Roberto da Matta

Excelente entrevista do antropólogo Roberto da Matta no programa Roda Viva da TV Cultura.