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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Como trabalhar o conceito de "Fundamentalismo"?

Nas minhas aulas de História com os alunos do 7º ano estamos estudando o antigo Império Bizantino, que por séculos (em especial sob governo de Justiniano I) permaneceu como herdeiro direto do que um dia foi o poderoso Império Romano, e que por fim caiu em 1453 nas mãos do sultão turco-otomano Maomé II. O interessante de aulas como esta é que obrigam o professor a vasculhar textos e informações sobre o Oriente, e claro, as relações entre Ocidente e Oriente. Deparei-me então com uma obra que considero didática e fundamental de nossa historiografia, do gaúcho Voltaire Schilling "Ocidente x Islã: uma história do conflito milenar entre dois mundos" (editora L&PM), que traz no capítulo 35 "A política do fundamentalismo".

Segundo Schilling, e compartilho seu pensamento, o conceito de fundamentalismo é "todo e qualquer movimento religioso que tende a interpretar a realidade de hoje através dos olhos de antigos preceitos religiosos e que renega os valores da modernidade".

E aqui a razão do texto - quando falamos em fundamentalismo numa sala de aula logo vem a mente a lembrança, terrível, dos "shahids" (mártires) que tiram a vida em nome do Islã, por exemplo em inúmeros atentados realizados por homens e até crianças (como faz o Boko Haram na Nigéria com meninas bem jovens) tornadas bombas-humanas! O que pouco se dialoga é que o fundamentalismo possui raízes, históricas, com o Cristianismo também e em especial o cristianismo protestante norte-americano.

Os Estados Unidos das primeiras décadas do século passado viu ruir uma "velha e tradicionalista América" e ascender uma América nova, jovem, liberal e consumista. Evidenciada, como exemplos na "American way of life", na indústria automobilística, no rock'roll, na televisão. A consequência disto, diz Voltaire Schilling foi que:
"Os pastores das igrejas batistas, presbiterianas, episcopais e adventistas apontaram seu dedo acusador para o pecado da modernidade. Defendiam, em substituição ao milenarismo (que, apocalíptico, predizia o fim do mundo para breve), o chamado Segundo Advento de Cristo. Cristo estaria em breve entre nós (...) Era preciso retornar aos antigos costumes, aos antigos ensinamentos, apegar-se à Bíblia como a única salvação em um mundo dominado pelo materialismo, pelo ateísmo e pelo descaso com as coisas da fé. Desta forma, Cristo ao retornar, reconheceria a sua obra".
Em 1920, um ano depois da criação da WCFA (Associação Mundial dos Cristãos Fundamentalistas), os Estados Unidos aprovaram a conhecida Lei Seca que entendia como crime a venda e consumo de bebidas alcoólicas - mostrando que o tradicionalismo cristão tinha ainda força e apelo em parte da sociedade. Contudo, hoje sabemos o resultado desta política conservadora: alimentou, com dinheiro e violência, o crime organizado (vide a história, muito explorada, de Al Capone e como ele comandava o crime nas ruas de Chicago).

Assim, devemos trabalhar com nossos alunos a noção correta e multifacetada do que é, verdadeiramente, o "fundamentalismo". Ser fundamentalista não é exclusividade de um grupo, de uma religião, nada disso. Ser fundamentalista é muito mais uma atitude, geralmente anacrônica e intolerante, que pode ser encontrada não somente em grupos religiosos mas em ideologias políticas, questões raciais e de gênero, etc.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Como e por que ensinar a histórica Babilônia

É comum que o professor de História trabalhe os povos mesopotâmicos de maneira distante, rápida, desinteressada. Em parte, isso ocorre porque somos ocidentalizados, receptáculos históricos de gregos e romanos. O Ocidente, no qual estamos inseridos geográfica e historicamente (mesmo que por força da violenta colonização lusitana), realmente apresenta como arcabouços fundantes o "tripé": jurisdição romana, ética judaico-cristã, e filosofia grega. Mas como estudar tão desinteressadamente povos que por exemplo desenvolveram ideias sólidas na Astronomia, Matemática (os 360º de uma circunferência, a organização dos doze meses e semanas de sete dias, etc), e que antes mesmo dos romanos darem as "suas caras" já apresentavam um "Código de Leis"? Ressalto que os romanos, ainda em meio a intromissão etrusca, datam do século VII a.C, e os mesopotâmicos já mostravam seu poder e esplendor entre os séculos XIX aC - XVIII aC quando do chamado "Primeiro Império Babilônico". Há uma outra explicação para tal desinteresse ocidental, de ordem ético/moral. 

Dentro do Cristianismo, e da Palavra de Deus, há traços e eventos ocorridos entre os mesopotâmicos como no chamado "cativeiro caldeu" por parte do povo de Israel, sendo destaque as profecias proferidas por Daniel (encontradas na forma de livro do Velho Testamento). Daniel viveu dentro do chamado "Segundo Império Babilônico", onde o poder e força babilônico foram recuperados pelo povo caldeu (localizado ao sul da Mesopotâmia, nas margens do rio Eufrates) após tempos de dominação assíria sobre a região. Foi a época do reinado de Nabucodonosor...que é muito mais que "o nome de uma nave na trilogia Matrix"! 

Dentro da ética/moral cristã a "Babilônia" acaba sendo adjetivada como símbolo, ou metáfora, para identificar um povo que está distanciado de Deus, longe de seus princípios e vivendo de maneira luxuriosa, mundanizada, secularizada e humanista no sentido mais arrogante que o termo poderia carregar. No livro do Juízo da humanidade, a "Revelação" (Apocalipse) traz a vitória final da justiça de Deus sobre os pecados deste mundo, numa batalha épica (Armagedon) entre as forças de Jesus/Miguel contra Satã/Grande Babilônia. Como educadores, como profissional da História, devemos ter o cuidado de separar aquilo que é "A Grande Babilônia", simbolismo religioso, do que realmente foi a histórica Babilônia dos amoritas, do código de Hamurábi, dos fantásticos zigurates, dos jardins suspensos de Nabucodonosor, do desenvolvimento matemático, linguístico, social, pois foram os primeiros povos a formar o que conceituamos como "civilização".

sábado, 18 de janeiro de 2014

Reflexões sobre "o pão"

Nos livros do Evangelho há um momento clímax, limítrofe, onde Jesus, filho do homem, encontra-se faminto e no meio do deserto (em tese, no mais completo desespero) e pior, vê-se tentado, pessoalmente, pelo próprio diabo.
O anjo do mal busca desviar Jesus de sua missão salvífica com três argumentos ardilosos, e que exemplificam muitos dos nossos erros, problemas: sobrevivência, poder e arrogância. Em momentos onde a nossa vida é posta em xeque, nosso conforto e prazer são ameaçados, o demônio rapidamente vem oferecer o "ganho" fácil, dócil. Vejamos o que escreve Lucas
"Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão."
O diabo oferece o meio fácil, ou como aponta a concepção bíblica "o caminho largo". A ideia é que Jesus tinha o poder de se livrar daquele fardo, de se aliviar, dai o demônio provocando-o a pensar de forma individualista. E amigos, é no individualismo que mora uma das maiores forças do inimigo de Deus. Assim, a mentira é o método diabólico por excelência, mas o individualismo, essa é a rede de pesca antitética. Cristo pesca homens para a sua salvação, e Lúcifer pesca homens para a sua perdição. E o tecido da rede da perdição é formado pelo nosso individualismo.
Cristo oferece ao demônio uma resposta profunda e fulminante, e escreve Lucas
"Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem."
Confesso que quando li essa passagem me sobreveio a mente um caminhão de ideias, teorizações, em especial marxistas que advogam o contrário do que convém a Deus e seus ensinos. Segundo Karl Marx e um sem fim de pensadores modernos é somente de pão que vive o homem. Como que sem o pão, estaríamos condenados, e que a vida humana e a história poderiam ser entendidas-simplificada pela disputa do pão. Quando Cristo aponta exatamente o contrário!
O discípulo Mateus reforça escrevendo
"Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus."
O pão é importante, claro. Mas não é o fundamento do ser humano. Na concepção de Deus não há uma infraestrutura que condiciona o agir do homem. O homo economicus é apenas um aspecto do andar humano numa terra marcada por descaminhos e pecados, profeticamente condenada a ser destruída e purificada por novos céus e terra, vide por exemplo o que escrevera Isaías
"Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas."
Então, o que resta ao ser humano? Confiar e dar atenção as palavras que procedem da boca de Deus, este sim é o verdadeiro fundamento do homem porque fazendo isto garantimos a conquista da maior promessa de Deus e reafirmada na vida-morte de Jesus: a vida eterna. Ao diabo interessa que nos apequenemos em preocupações com ter ou não o pão, conquistá-lo ou não, pescando-nos em nossa natureza caída e individualista. O exemplo de Cristo é que em primeiro lugar, sempre, devemos pensar em conquistar a vida eterna, e certamente ao fazer isso o pão, que faz parte da nossa caminhada, nunca nos faltará.

Notas:
Bíblia Sagrada - Almeida revista e atualizada.
Livros de:
Isaías 65: 17.
Mateus 4: 4.
Lucas 4: 3-4.  

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Está chegando a "festa da carne" patrocinada pelo Capital e por Satã

Eu não gosto do Carnaval. Respeito aos que pensam contrário e buscam satisfação nesta festividade (muitos dos meus melhores amigos sempre curtiram o evento, e eu mesmo quando mais jovem tive a oportunidade de participar de alguns), mas eu não gosto.
O Carnaval é a dita "festa da carne", sintonizando cristianismo e paganismo desde a época medieval, e representaria um grande "desbunde", marcado por inversões e excessos, após uma série de momentos de introspecção religiosa de natureza católica (Natal, Quaresma, por exemplos). Ou seja, depois de uns tempos em meditação, reflexão, renúncias, eis que chega o momento de desforra, dando vasão a muitas coisas que nosso superego tende a algemar no inconsciente! E ai, bom, o homem veste de mulher e rebola na rua, sacaram...o lixeiro que é humilhado semanalmente veste a luxuosa roupa, brilhante, de príncipe árabe, rei disso ou daquilo....a cantineira da escola vira "rainha da bateria", e vamos invertendo a realidade pelo menos por um momento!
A minha formação cultural, política, filosófica e agora religiosa insistem em me manter com os dois pés no chão, em suma eu não tolero sair da realidade a este ponto que o Carnaval propõe. Me recuso a fechar os olhos para as dores do mundo, e fingir que vamos muito bem...
Outros fatores também me afastam do Carnaval, em especial o modelo de festividade que se vende a algumas décadas: menos popular, mais show bizz! O Carnaval sai das ruas, e se estrutura em torno de uma indústria do entretenimento (escolas de samba, grupos musicais, clubes, boates, desfiles, micaretas, etc)
Hoje o Carnaval é um apêndice da indústria do álcool, da música, do sexo. Nada mais carnavalesco que um jovem travestido com uma camiseta "vip", embriagado, em busca de momentos de prazer líquido, instantâneo (como tão bem exemplifica os textos do sociólogo polonês Zigmunt Bauman), com qualquer mulher que cruzar o seu olhar. Oh...quanto vazio existencial se esconde em cada sorriso.
Nas televisões, no Sambódromo, mulheres desfilam seus corpos, trabalhados pela ciência que produz ilusões, vendendo-se como séculos atrás ocorriam nas feiras de escravos. Quem dá mais? Que seios, coxas, pernas, bundas, quanto custam? E a indústria do entretenimento, mais pueril e rasteiro, gargalha de mãos dadas com Satanás (em termos espirituais ainda há dúvidas da origem de tudo isso?).
Sinceramente, durante mais um Carnaval, e no Brasil, eu tenho muitas outras coisas com que me preocupar e ocupar minha mente e atenções. Porém, nunca é demais propor as pessoas, de mente aberta e dispostas a se libertar, que repensem e reflitam sobre os sentidos, intrínsecos e extrínsecos relativos a festa da carne.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Meu Testemunho de Conversão

Testemunho de Tiago de Castro Menta
Aos irmãos da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de BH
Belo Horizonte – Minas Gerais (setembro de 2013)

Deus não desiste do homem. Como um predador no meio de uma savana, Ele nos espreita, procura[1]. Podemos até relutar, tentar fugir e escapar de sua presença poderosa, imponente. Contudo, não deu pra resistir. Ao menor espaço deixado no coração, por mínimo que for, lá o Senhor buscará morada. E como uma pequena célula, multiplica-se.

Toda conversão, aconteça no tempo que for, é um milagre. Em meio ao presente tempo do fim, em que a humanidade se consome no individualismo e na indiferença, converter-se é uma decisão ainda mais revolucionária. Renunciar o profano, o mundo, e deter-se no caráter de Cristo, na Lei de Deus, é um milagre. E quando vislumbramos os enganos do adversário dentro de igrejas, aí sim, quão revolucionário é aceitar inteiramente Jesus e ser, também, inteiramente obediente ao Senhor.

Como o apóstolo Paulo, um dia chamado como Saulo, eu de certa maneira perseguia os cristãos. Não com a violência física, aos desmandos e incompreensões do romanismo, mas com a violência de ideias e palavras. Ideias motivadas por doutrinas e filosofias do homem[2], “loucuras” aos olhos de Deus. Mesmo assim, em meio a tantos erros, Deus escolhera Saulo, convertido a Paulo, como àquele que evangelizaria aos gentios, a homens e mulheres que como ele eram ignorantes na fé.

Por muitos anos pensava-defendia o ateísmo como a atitude correta de compreensão do mundo e da vida. Minha formação marxista[3] como historiador (e o marxismo é um bom instrumento metodológico-político, não filosófico) reforçava esta atitude. Contudo permanecia uma série de questões mal-resolvidas psicológica-existencialmente. Em certos momentos era solitário, e triste, ser ateu.

A origem da vida, do mal, o destino dos homens, sentidos para o viver, o incômodo ao lidar com a morte (uma recusa interna em simplesmente morrer, numa vida proposta pelo caos e o vazio do Universo – frio, muito frio) eram inquietações alocadas nos limites da minha (in)consciência.

Em paralelo, muitas foram as oportunidades de um contato religioso e através de alguns antigos relacionamentos conheci variadas manifestações cristãs: Torre da Vigília (instituição dos Testemunhas de Jeová, ou Watch Tower), Movimento Carismático Católico, e sempre reagia mantendo o coração fechado (escondia-me na crítica). “Sorte” ou não, hoje dou graças pois o Santo Espírito é insistente[4]!

Tudo começa a mudar com alguns eventos em minha vida pessoal: a perda de meu amado tio Mário[5] (maio de 2011), e principalmente o casamento com Adriana (janeiro de 2012), professora de História como eu e adventista desde tenra idade (creio que ela se batizou com 9 anos de idade).

De maneira sutil minha esposa me incentivava a estudar a Palavra de Deus, e eu, de certo modo levado por curiosidade e desejo de aprender iniciei, em casa, a leitura da Bíblia. Em seguida, começamos a acompanhar, atentos, vídeos de pregações (via youtube), a maioria de caráter escatológico, do pastor Samuel Ramos (IASD de Boston – Massachusetts/EUA). A análise historicista sobre a Palavra de Deus, a compreensão de profecias contidas nos livros de Daniel/Apocalipse, foram elementos que chamaram, e muito, a minha atenção. Devagar ia aparecendo a vontade de ir ao templo, assistir um culto[6].

Em meados de fevereiro do presente ano vivia eu algumas decepções no trabalho, repleto de incertezas e dúvidas (ser professor, educador, no Brasil traz, infelizmente, muitos momentos de grande dificuldade e provações). Ao mesmo tempo, e para nossa alegria Adriana descobriu-se grávida, se avizinhando a paternidade (nossa pequena Catarina deve nascer agora próximo ao dia 14 de outubro). Foi o momento em que o Espírito Santo age e diz: “Vá”. E lá fui com minha esposa ao templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região central de Belo Horizonte, onde “coincidência” ou não o amigo Pastor Paulo Nogueira iniciava os seus trabalhos naquela comunidade na mesma manhã de sábado.

A comunidade adventista da igreja central de Belo Horizonte nos recebeu com os braços abertos, e rapidamente frequentamos a escola sabatina (na classe do irmão Mário Valério). Quão dialético e democrático os cultos da igreja do Senhor, agregando a comunidade a partir dos dons que cada membro recebera do Alto. À pedido de minha esposa o Pastor Paulo Nogueira (que curiosamente atendeu ao apelo dela no meio de uma estrada, durante viagem) passou a ter comigo momentos semanais para estudos bíblicos, que aliado aos estudos da lição da escola sabatina, a leitura curiosa do Espírito de Profecia (manifestado em uma diversidade de textos e obras da estadunidense Ellen G. White, como ‘O Grande Conflito’ apresentando os destinos do mundo e momentos cruciais da guerra cósmica entre Deus-Jesus e Satanás, ‘O Desejado de todas as nações’ como uma rica e detalhista biografia de Jesus, etc) acabaram por enraizar em meu ser não somente as verdades que eu sempre busquei, mas também a alegria de integrar-me numa família imensa de homens e mulheres de Deus.

Muitos aqui podem ler e achar que foi e está sendo fácil tamanha transformação pessoal, não, não é assim que as mudanças ocorrem. Como o vaso nas mãos do oleiro[7], Deus primeiro quebranta o nosso antigo ser, e esta quebra, dói. Muitos pecados, muitos, tem sido enfrentados desde então. Reconstruir-se não é simples, e Deus, somente Nele podemos reunir forças e coragem para este processo intenso de destruição do ego e entrega total aos caminhos do Senhor. Deixar de ingerir álcool, frequentar ambientes e diversões noturnas, encarar o porco como animal de imundícia e impróprio para consumo nestas Minas Gerais onde historicamente a sua culinária é quase derivada de suínos (torresmo, bacon, gordura), separar tempo para dedicar-se a Deus e as coisas de Deus (como o preparo semanal e culto familiar), dizer não ao trabalho nos Sábados (como professor desde então tenho me ausentado de todas as reuniões pedagógicas, festejos, comumente realizados aos sábados em todas as nossas escolas) são atitudes que exigem fé, comunhão com Deus. Pois sabemos, o caminho é estreito. Vale lembrar, todo este “sofrimento” é muito, muito pequeno, quando comparado ao sacrificar-se de Cristo na cruz. E nossa vida, neste mundo decaído e que retém a atenção de todo o Cosmos sobre ele, é uma luta, diária, entre forças do mal e forças do Senhor. Vivemos, em alusão ao que profetizou a sra. White, um “grande conflito”, muitas vezes dentro de nós mesmos. Lembremos Paulo, que diz:

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo (...) Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.” Epístola de Paulo aos Romanos; Romanos 7: 14-25.

Costumo lembrar esta passagem e comentar se até o santo pregador Paulo demonstra, neste e em outros textos, a sua luta diária consigo mesmo, que dirá eu, cristão jovem e saído das águas a tão tenro tempo. Isso, irmãos, não é para assustar ou desanimar ninguém, pelo contrário, pois esta luta, parte de nossas vidas, tem na promessa do Senhor, na esperança que Ele nos deixa, de sua volta definitiva e justiça, que seremos recompensados com o maior de todos os prêmios: a salvação, e por consequência, a vida eterna próximo ao trono e presença de Deus[8]!

Se serei salvo, somente o Senhor Jesus poderá julgar-me e ao mesmo tempo, dar-me forças para conseguir o meu intento. As lutas são diárias, mas este é o “bom combate”, procurando manter-se firme, fiel, em comunhão com Deus e seus princípios. Deus foi misericordioso, comigo e minha família, tirando-me das amarras das loucuras humanas e transformando uma união de jugo desigual em uma família adventista que luta contra o pecado e busca alcançar a salvação eternal.

Gostaria que este meu testemunho chegasse a você, homem e mulher, jovem ou adulto, que como eu um dia pensava ser a religião uma espécie de conto de fadas para uma massa ignorante, e eu bem sei até onde este tipo de pensamento pode nos levar[9]. Achar que damos conta da vida sozinhos, que bastamos a nós mesmos, é esquecer que o peso que carregamos é pesado, muito pesado (hoje sei que o peso é herança do pecado do mundo), e que vai chegar a hora de estender a mão e gritar por socorro. De certa maneira eu gritei por socorro, e ainda grito. Mas o peso em minhas costas diminuiu, pois há quem possa me amparar, consolar e guiar os meus caminhos: Deus.

Desejo aos que agora me leem que possamos todos nos encontrar, junto ao Pai, na Terra renovada que virá, juntamente com Cristo e sua justiça. E ai, não mais prantos, dores e sofrimentos. Breve será...



[1] “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto (...) Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão (...) Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (...) Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.” (Salmo de Davi; Salmos 139: 1-23)

[2] “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos. Portanto, ninguém se glorie nos homens.” (I Coríntios 3:18-21)

[3] Para os irmãos que não estão familiarizados com o termo, marxismo é um conjunto de ideias, pensamentos, visão de mundo, construídos a partir das obras do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), que ao lado do seu companheiro, o também alemão Friedrich Engels (1820-1895), elaboraram as bases do dito Socialismo Científico.

[4] Hoje eu pressinto que Deus me direcionou para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, de maneira especial. Eu poderia ter abraçado o catolicismo (religião predominante em minha família), o espiritismo kardecista (tenho uma tia que inclusive fez uma dita cirurgia espiritual), e até mesmo as doutrinas das Testemunhas de Jeová, mas não. A igreja remanescente, que guarda devidamente a Lei de Deus, que foi preparada nestes tempos do Fim, esta, pelo amor de Deus e misericórdia, foi a que o Senhor apontou em minha vida, de modo que eu o Conhecesse inteiramente, em verdade.

[5] Meu tio morreu, inesperadamente, aos 57 anos de idade. Vivia em Alfenas-MG, não deixando filhos. Sofreu um derrame fulminante, abalando muito a minha família. Eu mesmo, sentindo-me fraco e incapaz diante da perda, me recusei em ir ao funeral. Ser ateu diante de uma perda familiar deste tamanho era uma situação que me causava ainda maior tristeza, pois eu não sabia nem o que dizer a alguns familiares.

[6] Eu cheguei a deixar minha esposa uma vez na porta da igreja e voltei pra casa. Ela acabou, desanimada, não mais retornando ao templo. É difícil quando dentro de uma família não há acordo religioso, a fé fica um pouco “manca”, menos fortalecida.

[7] “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:6.

[8] “...ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Apocalipse 21: 3-4.

[9] Este é o grande mal da humanidade, provocado pelo pecado: o egoísmo. Vivemos em mundo marcado por desigualdades gritantes, injustiças, numa sensação vendida aos quatro cantos que somos e estamos “cada um por si”. É a selvageria de uma ordem capitalista, que aliena o ser humano de tal modo que o ser curva-se diante do ter, da materialidade e das coisas como senhoras dos destinos de muitos. Não é difícil entender, pelo estudo da Palavra de Deus, porque as riquezas e mesmo os homens ricos desviaram-se dos caminhos do Senhor. Este mundo, do tempo do Fim, é onde a humanidade mais demonstra este amor ao “deus-dinheiro”, que possui uma natureza demoníaca. Daí é comum querermos encontrar soluções para o mundo a partir do próprio mundo, achando que do meio de tamanha podridão possa surgir a transformação, ou melhor a revolução. Eu mesmo pensei mudar o mundo, compreendê-lo segundo o uso de minha razão e buscar em teorias, filosofias, na mente humana proposições para a construção de um amanhã melhor, de um paraíso entre nós, produzido por homens! Que engano. A solução para este mundo não está dentro dele mesmo, pois este mundo é marcado pelo pecado, e Deus já anunciou que este mesmo mundo passará. Temos que nos santificar, dar as costas para o mundo e suas armadilhas de pecados, e esperar que no momento da grande justiça, estaremos ao lado do Senhor num outro lugar, numa nova Terra, a nova Jerusalém estabelecida a partir do histórico monte das Oliveiras.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Francisco - velha e nova igreja romana

A pouco menos de uma semana, no último 13 de março, os cardeais romanistas elegeram em conclave um novo líder papal: o argentino Jorge Bergoglio, ou Papa Francisco (nome missionário).

Evidente que a eleição de Francisco, um latino-americano, direciona a igreja de Roma para novos caminhos, o que não significa, de maneira alguma, qualquer alteração doutrinal importante. A mudança não se faz ideologicamente, mas metodologicamente. A igreja romana sabe que precisa mudar para retomar a hegemonia global que em idos passados detinha, isso sem mudar a sua essência (conservadora por natureza, e imperial também). Assim, sai o brilhante teólogo alemão de cena, entra o franciscano latino com um sorriso de "humildade" no rosto. Repito, a mudança é metodológica. O objetivo é cativar fieis com uma nova postura perante o mundo, quase que como uma jogada brilhante de marketing.

Francisco, o cardeal latino e compromissado com os pobres do mundo, é talvez o rostinho angelical e maquiavélico que poderá acelerar e aprofundar intenso ecumenismo entre várias denominações cristãs - cujo sentido é o tão sonhado retorno à mãe romana, uma espécie de resposta tardia a Reforma iniciada por Martinho Lutero. Francisco pode ser o líder papal que dialogará com Silas Malafaia, Edir Macedo, Valdomiro, RR Soares, e tantas outras lideranças e igrejas cristãs, pegando exatamente uma missão em comum, e até muito nobre: lutar pelos pobres e oprimidos do mundo, em suma fazer justiça social!

É na eleição de Francisco que compreendemos a renúncia de Ratzinger, papa emérito Bento XVI, simplesmente retirado do campo de batalha por não ter o perfil adequado para o que a igreja romana precisa fazer em meio ao secularismo e perda de espaço neste século XXI. Ficou, claro, vendida a ideia de ato de grandiosidade do antigo papa, desprendido do poder que o cargo proporcionava. Na verdade Ratzinger foi convidado, internamente, a pegar o seu boné branco e se calar em castel gandolfo, abrindo espaço para este novo projeto romanista, mais carismático.

E o velho catolicismo, tradicional, se manterá em suas infraestruturas mais intestinas, porém assumindo uma nova roupagem superestrutural, carismática e ecumênica. Nada mais alinhado a isto que comunidades católicas carismáticas, como a Canção Nova de Cachoeira Paulista-SP, espécie de pentecostalismo católico (uso midiático da fé, ênfase na cura, musicalismo). O Papa Francisco é o ponto inicial desta mudança, e não João Paulo II como muitos acreditam.

Finalizando misticamente, o alerta profético (encontrado no livro de João - Apocalipse) anuncia uma espécie de realinhamento religioso mundial, culminando na fé global, somada ao já existente mercado global e geopolítica mundializante (via blocos políticos como a Comunidade Europeia, o NAFTA, o Mercosul, BRICS, ONU, etc). E sob esta perspectiva profética a eleição de Francisco pode ser o primeiro passo evidenciando a proximidade do retorno de Jesus.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bento XVI já é passado: sinais de tempos estranhos

Poucos, muito poucos, terão a oportunidade de vislumbrar, ou melhor reviver, os eventos dos dias que vivemos: a renúncia de um Papa e a escolha de um novo líder católico com seu antecessor ainda vivente! Histórico, e inusitado obviamente.

Fui pego, assim como milhares e milhares, em completa surpresa. Quando minha esposa me chamou no último dia 11/fevereiro dizendo que o Papa havia renunciado ao cargo confesso que pensei ser uma brincadeira ou mesmo alguma leitura confusa que ela estaria tendo ao consultar a internet.

Somente o tempo, marca primordial da História, somada a curiosidade de todos nós, elucidarão, com maior ou menor grau, as razões e os ditames que moveram o cardeal Joseph Ratzinger a literalmente "largar o osso", ou melhor largar o anel do pescador.

Tudo o que se diz, via imprensa, é mera especulação: problemas de saúde (dores intolerantes nas articulações, problemas cardiovasculares, etc), crise de consciência, disputas políticas internas ao Vaticano, incapacidade e esgotamento psíquico ou espiritual (em resumo o peso do cargo e de suas responsabilidades), pressões e ameaças, e até mesmo como fato profético ou semelhanças (anunciando tempos difíceis para a humanidade, numa era de catástrofes e escatologias).

Pessoalmente acredito que Bento XVI deixou o poder por pressões internas ao Vaticano, que vão desde a sua dificuldade em liderar uma igreja conservadora diante de um mundo secularista até mesmo a seu tímido posicionamento diante de fatos que colocam em xeque a  autoridade católica - em especial nas denúncias contra clérigos pedófilos, ou no vazamento de informações sigilosas por pessoas próximas ao Papa. Sobre as doenças, a idade avançada do brilhante teólogo alemão, não creio, ainda mais após o martírio público de João Paulo II, que seriam razões suficientes para que Ratzinger deixasse o cargo, que lembremos, não é um cargo comum! Ser eleito Papa não é como assumir um serviço público simples, é missão transcendental, com tradições milenares e simbolismos, além de grande poder (moral principalmente).

Consequentemente, quando o cargo entrar em vacância no próximo dia 28, Ratzinger será submetido a uma vida de reclusão e silêncio (imaginemos a experiência de um homem que pode dizer-se como ex-Papa, quantos segredos teria em sua memória?); e um novo pontífice será eleito em conclave a ser realizado em meados do mês de março (nem adianta especular nomes, apesar de crer que a Igreja já trabalha esta sucessão desde já, inclusive apontando internamente direcionamentos e nomes). Além do sumisso de Ratzinger, seu ato de renúncia, por mais que a oficialidade clerical diga o contrário, é, verdadeiramente, um "tiro no pé" da Igreja romana: renunciando ao papado este cargo passa agora por um processo de dessacralização, retirando-lhe parte de sua autoridade e referencial. 

Aguardemos os fatos e a nova escolha. Mas que estes são tempos estranhos, são com toda veracidade!  







domingo, 15 de abril de 2012

Orar na escola? Não, orar no templo sim!

Tempos atrás tivemos o triste caso de uma "educadora" que reprimia estudante (Ciel  Vieira de 17 anos de idade) por este negar-se a orar o "pai-nosso" momentos antes da entrada em sala de aula, o que era prática comum daquela escola da rede pública no interior de Minas Gerais (Escola Estadual Santo Antônio, em Miraí - localizada a 335 km de Belo Horizonte na zona da mata), onde os alunos eram amontoados na quadra esportiva e obrigados a orar pouco antes do sinal de entrada em sala de aula).
Este caso é um bom exemplo de como ainda alguns "profissionais" encaram a educação ou mesmo o sentido de educação pública - de forma anacrônica. 
Muitos colegas, infelizmente, reproduzem em milhares de escolas públicas Brasil afora um modelo de educação arcaico, carcomido, rançoso e que tem por herança décadas de governo militar em nosso país (1964-1985); dai a mistureba religiosa com o dia-dia escolar, típica de uma educação conservadora, e que pertence a uma época onde o Estado brasileiro não só engatinhava como Estado, como também vivíamos uma época onde boa parte de nossa população tinha uma formação ou mesmo estava imersa em uma cultura predominantemente católica. Hoje, progressivamente, vivemos novos e melhores tempos.
Vivemos em um Estado democrático de direitos (mesmo que isso na prática, na vida concreta dos brasileiros, possa não transparecer fazer tanta diferença) e este pressupõe o respeito a diversidade, inclusive a religiosa (incluso o direito de não se posicionar religiosamente ou mesmo de se manter cético diante do fenômeno religioso, como eu que declaradamente manifesto-me enquanto ateu).
Obrigar um estudante a orar, reunir os estudantes para orar, é uma violência cultural, uma repressão psicológica, quando estamos diante de uma pluralidade, e oras, a escola pública é pluralidade pura! Dentro desta temos cristãos os mais diversos (testemunhas de Jeová, adventistas, batistas, neopentecostais, quadrangulares), seguidores de religiões africanas (eu mesmo já convivi por dois anos com colega professor de Geografia que cultuava a umbanda, e dava as suas aulas todo de branco, sendo um excelente profissional por sinal), agnósticos e ateus, como o jovem daquela escola mineira que se recusara a orar.
O que aconteceu naquela escola pública do interior poderia ser comparado a eu chegar em sala de aula e dizer categoricamente aos alunos que o "deus" em que eles e suas famílias depositam fé e culto não mais é que bobagem, idiotice, impondo aos meus estudantes as minhas convicções ateístas! Não, não.
A escola pública, como entidade do povo e para o povo, deve abraçar alunos, funcionários e comunidade na sua diversidade, encarando a mesma não como problema mas como fenômeno democrático e pluralista. Na escola, na sala de aula, trabalha-se com o conhecimento científico, cultural, e a fé das pessoas, as instituições religiosas devem ser trabalhadas em sala de aula sob este viés: laicidade, objetividade, e amparadas por fundamentação científico-cultural.
Em minhas aulas de História, com o ensino médio regular ou com os Ejas, a temática religiosa (casca de banana para qualquer educador) é tratada com rigor teórico e com o cuidado de não provocar proselitismos, como digo sempre "não estou aqui questionando a fé de ninguém, e sim trabalhando a religião de acordo com a ciência histórica, e pela ciência histórica ela é fenômeno social, político e principalmente cultural".
E assim, devemos sempre reafirmar o obvio: professar a sua fé, dividir e comungar experiências religiosas, reproduzir ritos, são coisas que tem lugar, ou seja, dentro do templo e perante a comunidade comum; no ambiente público, jamais!

 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"História Mundial - com papa Bento XVI" (quadrinhos)

sábado, 3 de setembro de 2011

Direito de ser Ateu

Ser ateu em um dos países mais crédulos, multiculturais e místicos do mundo nunca foi ou será tarefa das mais fáceis. 
Brasil que herdou, na porrada mesmo (vide 322 anos de Colonização lusitana), o Catolicismo como crença ainda dominante, ontem mais de 90%, quase uma oficialidade religiosa, depois 70% e poucos, hoje pouco mais de 67% - queda eminente, resistente e que insiste em não mudar (para horror do medieval Bento XVI e seus velhinhos conservadores de batina).
Dados recentes apontam crescimento do protestantismo clássico, não o pentecostal (da turma barra pesada Edir Macedo, RR Soares, Silas Malafaia, etc) e sua pobre "teologia" da prosperidade; além de um crescimento dos "não-religiosos": dai englobados agnósticos, ateus e mesmo pessoas que creem em Deus mas que não frequentam ou abraçam uma instituição religiosa (beirando o deismo iluminista do século XVIII, com seu Deus-Natural).
Assim, o Brasil é um país cristão, porém menos do que outrora. E isso aponta para uma ética religiosa fundamental: nós, os não-crentes, temos o direito de ser respeitados no nosso ceticismo.
Numa sociedade marcada por histórica diversidade não é possível aceitar argumentos tolos, pueris, vulgares, que inquisitorialmente apontam os ateus como alheios a moralidade, e para surpresa geral, sinto dizer, mas a moralidade presente em cada ateu é elevadíssima pelo simples fato que, desde a filosofia kantiana do século XVIII, sabe-se que a religião não funda a moral, e sim o seu contrário. Dai, moralidade nada tem a ver com religiosidade ou crença em deus, etc.
A moral, uma razão pura transformada em prática, o fazer o bem porque fazer o bem é o mais adequado a se fazer racionalmente e não porque se não fizer x, y ou z estarei condenado a sofrer torturas metafísicas pela eternidade. 
Você é bom porque racionalmente é melhor ser bom, a vida em sociedade torna-se possível com a bondade racional de cada um. Não é necessário inserir neste contexto entidades metafísicas que lhe obriguem à bondade.
Falo isso porque pululam nos meios de comunicação uma infinidade de personagens caricatos travestidos de apresentadores, jornalistas, que vociferam intolerância para com os descrentes - intolerância esta que por exemplo reforça a violência que um pai sofreu ao ser "confundido" como pedofilo (apenas por demonstrar afeto pelo filho ao caminharem juntos na rua).
Se Deus existisse certamente estaria com vergonha de muitos, muitos, dos que se dizem fiéis seguidores. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Seriado de Qualidade "Os Borgias"

Isso é Catolicismo! Conheçam a história de Rodrigo Borgia (Papa Alexandre VI), corrupto, depravado, e que transformou o papado numa espécie de máfia familiar na Itália Renascentista do século XV...todo domingo às 22 horas no canal pago TCM (produção original Showtime).



sábado, 16 de julho de 2011

Jesus histórico: novas informações

A revista Superinteressante em sua edição do presente mês de julho traz como matéria de capa "Os anos ocultos de Jesus", trazendo sob a luz de novas análises de historiadores e arqueólogos do assunto uma nova compreensão do Jesus histórico.
Antes de revelar novos fatos trazidos pela matéria da revista é importante citar aqui os estudiosos usados como referenciais: John Dominique Crossan, Paula Fredriksen, Karen Armstrong, Bart D. Ehrman (autor de Quem foi Jesus? Quem Jesus não foi?) e Karl Kautsky (autor de A Origem do Cristianismo).
Jesus era carpinteiro (erro)
Jesus, assim como seu pai, José, eram pedreiros, e o erro de ser colocado como carpinteiro advém de uma má tradução da palavra grega "tekton".

Jesus tinha uma família pobre (erro)
Jesus e seus irmãos nunca passaram dificuldades, especialmente quando da reconstrução de Séforis (empreendida por Herodes Antipas) onde a economia do lugar fora reaquecida com as constantes obras de reconstrução que deram emprego a muitas pessoas, entre elas a família de Jesus (pedreiros).

Jesus não possuia um mentor ideológico (erro)
João Batista (um judeu de caráter essênio - uma das muitas seitas judaicas), o mesmo que batizara Jesus, fora durante anos o mestre do jovem Jesus. Após a morte de João Batista é que Jesus irá iniciar a sua vida de ensinamentos (apostolado, difusão de suas convicções ético-religiosas), milagres (em momentos cruciais da mitologia cristã como o fato de ter alimentado 5 mil pessoas com 5 pães e 2 peixes, ou mesmo andado sobre as águas).

Jesus nasceu em 25 de dezembro (erro)
Esta é uma data forjada, de maneira a relacionar o nascimento de Jesus a uma festa romana muito antiga - solstício de inverno (quando se comemorava o final do período de inverno, exatamente na noite mais longa do ano).

Jesus nasceu em Belém (erro)
O local de nascimento de Jesus é forjado para que ele se assemelhe a Davi, nascido em Belém. Há fortes indícios de que tenha nascido em Nazaré.

Barrabás foi libertado e Jesus condenado a morte (erro)
Não há esta figura na história de Jesus, Barrabás será uma personagem inserida nos evangelhos como um típico judeu fora da lei que recebia apoio popular por atacar romanos (ato comum após a destruição do Templo pelo imperador Vespasiano no ano 70). Vale lembrar que os evangelhos foram todos escritos tempos depois da vida de Jesus e não simultaneamente.
Herodes mandou matar todas as crianças de até dois anos de idade (erro)
Não há nenhum indício de que tenha ocorrido este massacre.