segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Bill Maher refuta o argumento "Ateísmo é uma religião" (Legendado)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bolsa Grávida

Há em curso na educação pública brasileira uma nova política de "inclusão": a que, em minhas palavras, chamo de "Bolsa Grávida". Eis o que tenho vivenciado como educador:

Nas últimas semanas, que encerram o presente ano letivo de 2012 (e vou preservar nomes da escola, colegas professores e alunos), é prática comum a realização dos conhecidos conselhos de classe, onde se debate entre o grupo de educadores as condições acadêmicas ou mesmo o aproveitamento anual de cada estudante - confirmando ou não a sua aprovação escolar.

Entre a nossa juventude ainda é real a situação de gravidez na adolescência, e isso se reflete, com força, no ambiente escolar quando até mesmo do abandono dos estudos da mãe-aluna (devido a difícil compatibilidade entre a disciplina escolar e suas atividades, como o simples ir à aula, com a nova vida de gestante e depois como parturiente, mãe). 

É sabido, entre nós educadores especialmente, que é direito da aluna gestante o fornecimento de materiais de ensino-aprendizagem, avaliações e atividades, para que esta não perca o ano letivo em curso, e tente, dentro de suas possibilidades, desenvolver habilidades e conhecimentos enquanto se prepara para a maternidade. Não tem sido bem assim o que ocorre nas escolas.

Você é informado da situação da aluna, e como profissional prepara uma série de atividades ou mesmo planeja algo para que a mesma consiga manter-se estudando em casa. E quando chega o prazo dado, de entrega das atividades, para que você reúna material e suporte que deem ao educando condições de aprovação, o que acontece: no conselho de classe é sabido que a aluna gestante não buscou sequer o material (muitas vezes bastando aos responsáveis irem a escola pegar o material) e, mesmo que esteja com o material, ela simplesmente nada apresentou, nada fez, e você é impulsionado por maus profissionais a aprovar, simplesmente aprovar a aluna irresponsável, ou seja, valorizando a incompetência - aprovando por desmérito e reduzindo o ambiente escolar a mero reprodutor de diplomas, em especial do ensino médio (que está carcomido em nosso país).

Eis então a bolsa grávida: faça sexo de maneira insegura, torne-se gestante, e ganhe um diploma de conclusão do ensino médio. Isso é Brasil! Nestas horas dá nojo "ser educador" num país como este....






domingo, 11 de novembro de 2012

PT e PSDB acham que o Brasil é os EUA

A polarização política em torno de PT e PSDB é prejudicial à pretensa democracia nacional. A cada período eleitoral podemos observar o desejo, sutil e crescente, de uma terceira ou até quarta vias político-partidária para o país. O PSB está ai para nos mostrar que é possível (exceção ao caso de BH, onde os socialistas de ocasião se esgueiram entre o lulismo e o aecismo).

Observo, a cada ano que se passa (e utilizando o fato de trabalhar para o Estado de Minas Gerais a alguns anos como educador) que PT e PSDB tem muito mais pontos em comum do que a mídia política e os próprios partidos tentam contrariar. Ambos são filhotes de uma centro-esquerda que se esconde sob o véu da social-democracia, uma ideologia do clássico "em cima do muro": nem popular, nem liberal; nem conservadora, nem libertária. Ou seja, um vai-não-vai que se casa muito bem com a geléia geral política brasileira.

O mais ridículo é que ambos querem transformar a política nacional num modelo estadunidense, de factual bipartidarismo; o sonho de Lula, FHC, Dilma, Serra e demais é transformar a briga dos dois partidos em algo como republicanos e democratas!

Porém esquecem que aqui ainda é Brasil, não a "América" rica e fragmentada do norte. Nossa miscigenação histórica já indica que concentrar as coisas por aqui é sinal de desconhecimento de nossas raízes. Somos plurais e múltiplos, somos muitos brasis e brasileiros, um povo multi-etnico, multi-político, multi-isso e aquilo o mais....e projetos de polarização como desejam tucanos e lulóides estarão quase sempre condenados ao fracasso.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Algumas reflexões sobre a Educação em Minas Gerais" por prof. Beatriz Cerqueira


No processo de ensino-aprendizagem, cotidianamente, realizamos atividades de avaliação para diagnosticar cada aluno, identificando as suas dificuldades e o que aprendeu para dar continuidade ao trabalho. Investimos em metodologias específicas para que ele supere as dificuldades e continue avançando.

Os mecanismos externos de avaliação da educação deveriam ser utilizados como instrumentos de diagnóstico para corrigir políticas e investimentos. No entanto, os resultados recentemente divulgados do Ideb cumpriram a função de marketing para vários governos. Sua divulgação já faz parte do calendário das campanhas publicitárias. Com esta prática, corremos o risco da população ter uma visão, muitas vezes, distorcida da realidade dos indicadores de qualidade da educação.

Este tem sido o comportamento do Governo de Minas, que tratou de utilizar os dados para dar a falsa idéia de que a educação mineira teria uma “fórmula de sucesso”.

No entanto, ao realizar uma análise mais aprofundada dos dados divulgados pelo governo estadual, temos uma compreensão global da política educacional mineira, o que revela uma realidade preocupante.

A primeira questão que merece atenção diz respeito ao acesso à educação básica. Nem todas as crianças e adolescentes têm vaga garantida na rede pública. Um recente estudo do Dieese apurou que, em Minas Gerais, faltam cerca de 1 milhão de vagas no Ensino Médio. São empurrados para a rede privada, que cresceu cerca de 10 % nos últimos anos.

A educação Infantil é outra questão preocupante no Estado. Apenas 35% das crianças de 0 a 5 anos tiveram acesso a uma vaga na rede pública. O estado de Minas Gerais (aqui incluindo políticas municipais) investiu 0,28% do PIB neste nível de ensino.

De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), apenas 30,7% dos estudantes da rede estadual encontram-se num estágio recomendável em leitura, 18,8% em nível recomendável em matemática e 25% em nível recomendável em ciências.

No que se refere à qualidade da educação, o estado de Minas Gerais tem resultado abaixo da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), a escolaridade média da população adulta mineira é de 6,9 anos. Ainda analisando os dados deste Plano, constatamos que 93,4% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola, mas apenas 68% dos adolescentes de 16 anos conseguem concluí-lo, e somente 48,5% dos jovens de 19 anos também.

O nosso Estado, quando comparado à média nacional, tem a pior colocação em qualidade da escola de Ensino Médio: 96% das escolas não têm sala de leitura, 49% não têm quadra de esportes e 64% não têm laboratório de ciências. De acordo com o Censo Escolar 2010 as escolas estaduais mineiras do Ensino Fundamental apresentam uma estrutura de atendimento precária: 76% não possuem laboratório de ciências, 55% não possuem quadra de esporte e 11% não possuem biblioteca.

Uma visita a qualquer escola estadual mineira comprovará as condições de trabalho, carreira e salário dos profissionais da educação: são obrigados a assumir aula de disciplinas sem ter a formação correspondente. Há professores sendo obrigados a assumir a regência de até 8 disciplinas diferentes.

O professor não tem a garantia de 1/3 da sua jornada dedicada a estudo, planejamento e avaliação conforme definido pela lei federal 11.738/08, direitos, vantagens e férias-prêmio são ignorados, projetos são desenvolvidos sem qualquer interlocução com o profissional da educação, o tempo do professor é definido sem a sua participação, o currículo da escola é estabelecido por quem não está na escola, não há um referencial político- pedagógico.

Diferentemente do que afirmou o senador Aécio Neves em recente artigo publicado pelo Jornal Folha de São Paulo, o Governo de Minas não priorizou o que é prioritário. Inúmeros dados revelam uma realidade diferente da qual descreveu. É importante lembrar que desde o seu governo, não se cumpre o mínimo de investimento de 25% em educação e de 12% em saúde.

Beatriz Cerqueira
Professora, Coordenador-geral do Sind-UTE/MG

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Adeus mestre Hobsbawm (1917-2012)

Entramos na primeira semana de outubro em luto: perdemos o mestre Eric Hobsbawm, historiador britânico (apesar de nascido em terras egípcias no ano revolucionário de 1917) que particularmente influenciou, e muito, a minha formação acadêmica como profissional da História.
Hobsbawm era figurinha carimbada nas aulas de história moderna, história contemporânea, historiografia marxista, e discutiu, como poucos, as intensas transformações ocorridas no que o autor dizia "o breve século XX". Além disso produziu ricas análises sobre o terrorismo, a globalização, a formação dos estados modernos, os movimentos revolucionários e contrarevolucionários, etc. Em suma, um intelectual de verdadeira envergadura.
Vale ressaltar que a grande mídia ao informar a morte do historiador dizia ser Eric Hobsbawm "dos últimos historiadores marxistas", oras, ledo, e não desproposital, engano. O marxismo vive! Aqui vos fala e escreve este historiador paulistano de nascimento e mineiro de coração.
Dai o trato diferenciado pegando como gancho dois falecimentos quase simultâneos: a morte da apresentadora, cantora, e ícone da sociedade do espetáculo em sua versão brasileira, não menos conservadora, Hebe Camargo, e por fim o nosso intelectual revolucionário Hobsbawm. Na primeira vemos um sem fim de homenagens e odes, e neste último uma oportunidade para reafirmar a morte de todas as utopias, postas como inválidas diante desta sociedade espetacular e imaculada na ordem do Capital e do Mercado.
Hobsbawm vive. Quando em sala de aula denunciamos a miséria do mundo, as injustiças sociais e o sofrimento de todas as maiorias, quando como profissionais contribuimos com o desenvolvimento do olhar crítico e engajado de nossos jovens, ai sim, a figura do historiador britânico viverá em meio a dialética do viver de cada profissional da História.
Minha eterna gratidão ao mestre,
Tiago Menta » historiador, e marxista, como Eric Hobsbawm.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Roda de Conversa - Tema: Avaliação Externa - Parte 3

Roda de Conversa - Tema: Avaliação Externa - Parte 2

Roda de Conversa - Tema: Avaliação Externa - Parte 1

sábado, 28 de julho de 2012

Comédia MTV (11) | Indiretas Já (24/05/2012)

domingo, 24 de junho de 2012

Cala a boca Xuxa! Por dra. Heloísa Lima

QUANDO O SILÊNCIO É A MELHOR ALTERNATIVA
    Não vi a comentada entrevista da tal xuxa no Fantástico deste domingo, dia 20/05. Mas não pude ignorá-la por muito tempo, pois a primeira notícia que recebi nesta manhã, logo cedo, foi: "- Cê viu que a xuxa foi abusada na infância?"
    Fora o surrealismo da revelação, ocorreu-me que aquela, certamente, não era a notícia que desejava ouvir logo no início da semana. Afinal, como uma mulher de 50 anos, aparentemente esclarecida, só agora, passado todo esse tempo, resolve falar sobre algo tão grave? E por que me irritou tanto esta informação? Parei para refletir sobre o motivo deste sentimento e, confesso, não foi difícil descobrir.
    Esta senhora, lá pelos seus primórdios, vivia no mesmo condomínio do meu irmão, no Grajaú, Rio de Janeiro. Lembro-me das minhas sobrinhas, ensandecidas, indo buscar as grotescas sandalinhas cheias de brilhos no
apartamento dela, na esperança de encontrar o Pelé que, vira e mexe, dava as caras por lá.
    Desde os seus 20 e poucos anos de idade, ela comanda programas infantis cuja tônica é erotizar precocemente as crianças, transformando meninas em arremedos de mulheres sem se preocupar com sua vulgarização.
    Os programas que comandou sempre tiveram como mote atropelar o desenvolvimento infantil em sua exuberância repleta de etapas simbólicas.
Pasteurizou os encantos desta fase empenhando-se em exaltar a diferença entre possuir e não possuir os produtos que anunciava ou que levavam sua grife tais como sandálias, roupas, maiôs, lingeries, xampus, bonecas,
chicletes, cosméticos, álbum de figurinhas, cadernos, agendas, computadores, sopas, iogurtes, etc., num universo insano onde ela, eternamente fantasiada de insinuante ninfeta, faz biquinho e comanda a miúda plebe ignara.
    Cientes estamos todos de que esta senhora, durante muitos e muitos anos, defendeu zelosamente seu polpudo patrimônio utilizando-se da fachada de menina meio abobada que sequer sabia quantos milhões possuía. Costumava dizer que era a sua empresária que administrava suas posses cujo montante alegava, candidamente, desconhecer. Pobre menina rica. E burra, com certeza. Como se fosse possível alguém tão tapada tornar-se tão rica.
    Talvez para esconder a consciência que tinha acerca do quanto ajudou a devastar a inocência de tantas gerações de meninas que lhe devotavam a mais pura idolatria, posou de inocente útil usando a mesma máscara que agora reedita para falar, emocionada, do seu mais novo pretenso drama/marketing.
    Esqueceu-se que sua audiência, formada, na sua massacrante maioria, por meninas, passou a ser considerada como alvo da desumana propaganda colocando-as como mero veículo de consumo.
    Esqueceu-se, convenientemente, de comentar que milhares de garotas pelo Brasil afora foram abusadas sexualmente ao mesmo tempo em que eram, por ela, adestradas a vestirem-se e comportarem-se como verdadeiras lolitas.
    Esqueceu-se de que ensinou atitudes claramente ambivalentes para crianças que não faziam a mais pálida ideia do que podiam mobilizar em mentes doentias.
    Esqueceu-se de que a erotização tem sido ligada a três dos maiores problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas: desordens alimentares, baixa autoestima e depressão.
    Esqueceu-se também que as crianças, diariamente bombardeadas com imagens de paquitas como modelos de uma beleza simplesmente inalcançável enquanto corpos reais, torturavam-se perseguindo um modo de serem belas, perfeitas, saudáveis e eternas.
    Estimulando a sexualidade de forma tão precoce, essas meninas perderam grande e preciosa fase do seu desenvolvimento natural. E reduzir o período da inocência, certamente, acarretou-lhes desdobramentos nefastos.
    Daí para ideia, cada vez mais presente, da infância como objeto a ser apreciado, desejado, exaltado, numa espécie de pedofilização generalizada na sociedade foi, apenas, um pequeno passo.
    Num país onde as mães deixam suas crias, por absoluta falta de opção, frente à tevê sem qualquer tipo de controle e sem condições para discutir o conteúdo apresentado, encontrou esta senhora terreno mais que propício para disseminar sua perversa e desmedida ganância por audiência e dinheiro.
    Fosse ela uma pessoa minimamente preocupada com a direção que a sexualidade exacerbada e fora de contexto toma, neste país onde mulheres são cotidianamente massacradas, teria falado sobre este suposto drama muito tempo atrás. Teria tido muito mais cuidado com os exemplos de exposição que passava. Teria norteado seu trabalho dentro de parâmetros muito mais educativos e, desta forma, contribuído para que milhares de meninas fossem verdadeiramente cuidadas e respeitadas.
    Ou teria simplesmente virado as costas e ido embora.
    Logo, frente ao seu histórico, não tem mesmo nenhuma autoridade para sustentar qualquer atitude fundamentada em belos e necessários méritos.
    Porque são de grandes valores, bons princípios e atitude exemplares que nossa sociedade necessita de maneira URGENTE.
    Portanto, CALE-SE, XUXA!
      Heloisa Lima
    Psicóloga Clínica - Maio de 2012.